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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

23
Jan24

O Fim

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Entre a tristeza, o desalento e o desprezo confesso: desisto. Desisto de tudo! De acreditar, de lutar, de viver, de desatinar, não me importo mais, não importa mais. Não há utopias concretizáveis nem não concretizáveis e deixará de haver, sequer, qualquer utopia. Este blog cumpriu o seu propósito ao longo da sua curta vida, mas fica por aqui mesmo, aliás, tal como a dona....O mundo filosófico poderá dar outras respostas, o mundo real só dá uma e, ao fim de 25 anos, ou de 45 anos, o resultado é o mesmo....O realismo duro da vida impõem-se como nunca e aceitá-lo faz parte do processo, faz parte do fim..O mundo está mau, muito mau e não vislumbro melhoras, nem no meu mundo, nem no mundo que conheço e mesmo no mundo desconhecido por mim. O fim é isso mesmo, o fechamento de algo que se encerra, porque ou não faz sentido ou fazendo-o algo se sobrepõe. Quem dera algo contribuisse positivamente enquanto causa justificativa dessa mesma sobreposição. Não acontece. É o que é. Relativamente a este canto de ação introspectiva que descarrega nas teclas os pensamentos íntimos sai uma vontade de não mais voltar...Que se ...

17
Jan24

Cultura Portuguesa

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Não gosto nem me revejo na cultura portuguesa. Desde criança odiei rancho. Este foi um dos meus primeiros contactos mais precoces e fortes a fomentar este sentimento, se bem que uma cultura não são apenas as suas tradições, símbolos e hábitos, mas são muito mais do que isso, são as vertentes de carácter e personalidade de um povo. Somos um povo de índole boa, de paz e sossego, mas somo-lo fruto de uma "domesticação" religiosa e de uma geografia pouco dada ao contacto com estranhos, logo, tudo nos é familiar. Não vou focar-me em aspectos populares do sentido da cultura mas numa visão ainda mais ampla, a do pensamento, comportamento e ação e é, sobretudo nessas, que não me revejo. Portugal é um país pequeno em território e pequeno em população que viveu a vida toda sob égide de um rei, depois tentou organizar-se politicamente de outra forma, não deu certo, viveu sob o domínio de um ditador que cantava juras de amor a Deus, Pátria e Família, enquanto perseguia e mandava matar quem não gostasse muito dele, e depois reorganizámo-nos de novo. Neste espírito, tanto estudado pelo filósofo Eduardo Lourenço (e outros, Oliveira Martins, etc) o saudosismo é uma coisa confrangedora. O nosso "fado" ou seja, como projetamos o futuro por causa do nosso passado é outra coisa confrangedora. A "espera" do D. Sebastião. Portugal é um país que literalmente espera sentado que algo aconteça, possui uma sociedade civil francamente miserável de fraca que é e as pessoas, salvo exceções e acasos, não se unem nem se ajudam. Portugal é um país onde os portugueses passam a vida a olhar para a vida dos outros, passam a vida a falar lixo, onde falam demais e fazem de menos. Portugal é um país onde todo o mundo ajuda todo mundo e ninguém ajuda ninguém. Todos se oferecem da boca para fora como que para ficar bem no momento, no contexto, na fotografia, para que pensem bem, para se mostrarem bonzinhos, isto quando se oferecem. Os portugueses gostam de ouvir os outros, alguns até escutam (escutar é ouvir e ficar na cabeça, pensar, raciocinar) mas são raros os que retornam, com sinceridade, atenção e ação "posso ajudar você, de alguma forma?" Os portugueses são extremamente egoístas, individualistas, egocêntricos, e mesquinhos. Não são criaturas que pensem nos outros, em ter atitudes correctas, não comunicam (nem sequer sabem comunicar), retêm informação, são competidores entre si, não conseguem ver ninguém a crescer, cortam as pernas a todos os próximos deles, discutem por causa de moedas, trocos, são um povo fofoqueiro, acham que são melhores do que todos os outros e revelam tiques tão ridiculos tão ridiculos nos seus poderzinhos mais minusculos que faz arrepiar um morto! E isto é uma cultura transversal que se começa a ver desde os bancos da escola primária e se vai aumentando escolaridade fora atigindo o seu auge na vida profissional e adulta. O português é preguiçoso, acomodado, pouco exigente e pouco inteligente e extremamente desorganizado. Embora os portugueses sejam globalmente trabalhadores (sobretudo quando a sobrevivência e a exigência assim o determina) uma das questões vitais para este "atraso" português tem a ver com a falta de comunicação entre as criaturas e com a falta de contacto deste povo com outros determinado pela sua geografia e pelo seu tamanho, ou seja, os gajos que supostamente são conhecidos por terem descoberto o mundo são aqueles a quem precisamente falta mais mundo! Somos os filhos dos padeiros que ficaram....Herdámos a falta de inteligência do rei que desbaratou todas as riquezas do país em nada... (pronto, num monumento ou dois....o resto foi mesmo deitar ao lixo, que foi a maior parte....) e por isso somos financeiramente iletrados, (quando não somos iletrados de todo) temos um prazer masoquista em sermos pobres porque somos precisamente acomodados, pouco inteligentes (sobretudo quando tentamos achar que somos melhores do que os restantes 8 biliões de criaturas que pululam no planeta, na nossa arrogância egocêntrica de país colonizador, mas só por acaso....) e somos de uma desorganização e laxismo que é de bradar aos céus....Por falar em céus, depois, padecemos de um forte pendor religioso, mas que é só da boca para fora, e damos valor à familia, quando as familias portuguesas só o são de aparência, pois são desestruturadas, desequilibradas, onde a qualidade dos relacionamentos entre os seus membros é superficial e de circunstância, de comodismo. Somos como Frei Tomás, cheios de vícios, priorizamos o ócio, a futilidade, as relações de amizades circunstanciais e interesseiras, não ajudamos ninguém, pensamos só em nós, e nunca nos outros. Temos uma espécie de curiosidade infindável patológica e totalmente passiva sobre os outros e as suas vidas, e por isso não funcionamos, nem enquanto colectividade, nem enquanto individualidades....Chego a pensar quando falo com pessoas "porque estou a falar isto ou aquilo se do outro lado não me é apresentado nem uma solução, nem uma palavra de compreensão, e muito menos um conselho???" Ouvimos, mas não escutamos....Estamo-nos completamente a marimbar para o outro, para o próximo, para o "amigo".... Não nos unimos, desconfiados eternos, desconfiados do nada, invejosos, que tipicamente não nos alegramos com as alegrias dos nossos amigos, apenas as nossas. Somos pobres e agradecemos, porque é assim, ao que parece, que queremos continuar.....pobres em bens, mas sobretudo e muito mais, pobres de espirito...Infelizmente.......Medievais, não vamos longe...

13
Jan24

Programa de Governo

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Não faço a mínima ideia como se faz e elabora um programa de Governo. Alguns cidadãos falam que ninguém de facto os lê, os jornalistas parece acharem alguns pontos principais nos programas elaborados e publicamente apresentados. As instituições políticas, partidos políticos incluídos já possuem máquinas de comunicação política bem formada para determinar o agenda-setting e realçar os principais focos de relevância política nestes instrumentos de apresentação. Ora, se por um lado, ao que parece, ninguém lê programas de governo, por outro lado, o sistema eleitoral português encontra-se desenhado para que os portugueses votem em representantes do seu distrito à Assembleia da República, facto que, a par da ignorância acerca dos programas de governo, também acontece (o desconhecimento sobre quem são os seus representantes locais). Ambas as realidades permitem aferir a necessidade de aprofundamento da cultura política e da democracia, num sentido mais amplo.Como ninguém me conhece a mim cometo a ousadia de discorrer sobre o que colocaria no "meu" programa de governo:  em primeiro lugar, um reforço daqueles que são os pilares de um Estado de Direito Democrático, que se traduziriam num reforço das áreas da Defesa e Soberania, aumento das verbas para as polícias, educação para o respeito pela autoridade, reforço das forças armadas incluindo projectos de investigação tecnológico nestes domínios bem como reforço de recursos humanos e aposta tecnológica ao nível da aplicação da AI no sector da justiça; em segundo lugar, e relacionado com tudo aquilo que por algum motivo é conotado com valores de direita que é, no sector da educação, aposta nas melhorias de condição de ensino e de aprendizagem, disciplina, rigor, exigência e possibilidade de recurso de mecanismos de resolução de factores desestabilizadores ao bom funcionamento de uma escola, alteração e estabilização de programas educativos, apostando sobretudo em três áreas: educação científica, lingua materna e estrangeira, porquê? porque é a ciência e as engenharias que fazem avançar o mundo e o progresso, e porque é fundamental uma compreensão e estímulo da comunicação como factor chave para a vivência em sociedade, e a lingua estrangeira, o inglês porque considero ser imperioso termos um conhecimento da lingua inglesa ao nível nativo para, num mundo digital, podermos competir em qualquer área de trabalho com os trabalhadores de todo o mundo que têm a lingua inglesa como lingua nativa, dada a facilidade cada vez maior em trabalhar remotamente para empresas de qualquer canto do mundo, as empresas, "donas disto tudo", e todas as outras....só competindo e conseguindo estes trabalhos poderemos igualar o nível salarial que tanto ambicionamos, o nível salarial dessas pessoas nesses países, sem termos de nos deslocalizar, se assim o desejarmos....a lingua inglesa é a lingua de referência de comunicação em metade do globo e países como a Irlanda, India e Filipinas beneficiam apenas por causa deste factor. Se nos restringirmos à nossa lingua portuguesa estaremos condenados a um mercado de 10 milhões + 250 milhões potenciais que estão a anos luz de nós.....se nos tornarmos bilingues com o inglês temos um mercado de cerca de 3 biliões de pessoas....Faz, absolutamente, toda a diferença! Muita matemática, muito inglês, mais exigência com as aprendizagens. Sabemos que teremos no futuro de enfrentar vários desafios laborais nomeadamente os que advêm da Inteligência Artificial e da Robótica e portanto temos de perceber quais serão as exigências, as habilidades que irão ser necessárias no futuro e adequar o ensino presente a elas...outra mexida seria dotar os alunos de habilidades de autonomia individual, em contexto escolar, medidas sem custos e com ganhos incalculáveis....para além disso, apostar em sectores de aprendizagem e sectores económicos com potencialidades de escalabilidade mundial (não foi por acaso ou à toa ou por coincidência que o século XX foi dominado pelos americanos.....). Na área da saude aposta na prevenção e educação para a saude e reorço de profissionais competentes e qualificados. Tanto na área da saúde como na área da justiça como na área da educação fazem falta os para....Paramédicos, parajuízes, para-educadores. São profissionais de apoio que têm quase as mesmas funções e habilidades do que os que coadjuvam mas não se confundem com estes, traduzindo-se em maior eficiência, menor custo, e mais rapidez no apoio ao trabalho quotidiano destes profissionais. Coisa que não existe neste país e que existe e outros mas que acredito não viesse a ser, assim, por algum motivo, popular.....No sector economico, perceber que as fragilidades advém da falta de conhecimentos do tecido empresarial portugues sobre o saber fazer, outra das apostas que haveria de ser feita na educação. O saber fazer, alguma coisa que seja, nem que seja o ofício dos pais é de extrema importância. Acredito que reside no não saber fazer melhor, mais eficiente, o problema da economia portuguesa. Os portugueses se fossem ensinados a tal seriam excelentes trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade. E daqui passo ao ponto seguinte: os movimentos migratórios, criar atrativos para os portugueses voltarem, dar todo o apoio possível aos portugueses que estão fora e se sentem desamparados e abandonados pelo seu país de origem, e, sobretudo, criar quotas de imigrantes, abrindo uma passadeira vermelha para aqueles que viessem para Portugal com a intenção e concretização durante 6 anos de empregar metade de trabalhadores portugueses no mesmo nível/categoria profissional,( ou seja, 6 engenheiros 3 estrangeiros e 3 portugueses e 6 empregadas limpeza 3 estrangeiras e 3 portuguesas ao invés de 6 engenheiros estrangeiros e 6 empregadas limpeza, como exemplo rápido e simples de explicar), simplificação burocrática  e beneficios fiscais para todos estes estrangeiros imigrantes que vêm criar postos de trabalho em Portugal, mas para todos os outros quotas exigentes, ao nível do conhecimento da lingua à entrada, ao nível das causas de justificação da mudança para o nosso país que não pode ser, para nenhum humanista, uma porta escancarada para o espaço schengen, um refugio sem condições dignas pois ninguém deve ser obrigado a viver em camaratas anos a fio, respeito pelos valores básicos ocidentais, sem restrição de liberdades mas com dignidade para com todos, sobretudo para com as mulheres, muitas das quais animalescamente tratadas nas tradições de uma parte dos que nos procuram para viver e quotas rigorosas para os que julgam vir usufruir da Califórnia da Europa, muito menos com as altas benesses que lhes foram dados no passado recente. Passando deste, para o outro tema, directamente impactado por este, a habitação: busca de formas alternativas e sustentáveis de construção, desburocratização máxima aos investidores do sector, revisão extraordinária dos PDM's de todas as autarquias do país e benefícios fiscais aos investidores do sector nas zonas de baixa e média densidade populacional. E passando da abitação para a coesão territorial, concretização da regionalização e alto fomento de parcerias publico/privadas das políticas do primeiro sector de produção com o gigante nosso irmão, o Brasil, que no seu pujante agro-negócio mundial, tanto nos terá para ensinar. Passando de sector, aposta na mobilidade rápida, através de um novo aeroporto e um TGV, bem como na reindustrialização e alteração do tecido económico português para, concretizando os desafios da estratégia ESG, para um mundo livre de poluição sobre todas as formas a caminho de um país de futuro, ambientalmente neutro, econonmicamente fortalecido e mundialmente competitivo. Recordo que a União Europeia será sempre o caminho para um desenvolvimento harmonioso do país, pois eles detém parte da nossa soberania e "metem o dedo" em tudo o que cá se faça, necessitando nós de uma nova e reforçada abordagem perante os nossos congéneres europeus, fazendo-os recordar que enquanto a Europa empobrece os Estados Unidos enriquecem....Reflectir sobre o mundo para lá do nosso mundo é de extrema relevância e importância uma vez que há mundo para além das nossas fronteiras e que não nos podemos responsabilizar ou trazer a nós as desgraças dos outros mas sabermos, em primeiro lugar tomarmos conta de nós, sabermos que caminho tomar para construir um país invejável e desejável, pequeno em tamanho mas grande na sua pujança económica....Outros, europeus e asiáticos, mais pequenos e em duas gerações fizeram-no...Nós também somos capaz....

10
Jan24

Contas Certas

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Nas minhas primeiras aulas de finanças publicas tinha uma ideia que vou mantendo: (a ideia da necessidade de poupança individual), e a necessidade de orçamentos fiscais superavitários, ou seja, a existência de folgas orçamentais, ou dinheiro publico "em caixa". Bem sei que é dinheiro dos contribuintes e tenho consciência das opiniões contrárias de que o dinheiro é de A, B, e C individualmente. A ideia de contas certas é uma ideia que me agrada pois demonstra responsabilidade e credibilidade. Sei também porém que a questão orçamental deficitária é mais influenciada por questões da geo-finança mundial do que outra coisa qualquer. Vários estudos há na defesa de que a questão orçamental é extremamente irrelevante. Vejamos: Portugal sempre teve problemas com as finanças publicas, na monarquia, na primeira republica e por aí adiante levando a alterações do próprio regime político. Agora, será que são as finanças públicas o busílis da questão estrutural do país? A meu ver´não, como diria Bill Clinton " É a economia, estupido!". A economia estrutural portuguesa é que necessita de uma mudança revolucionária, no entanto temos assistido e insistido em dirigir-nos no caminho oposto. Idealizemos: um país sem impostos, sem receitas e sem despesas, naturalmente.....O que o faz crescer, viver? a economia, a sua produção, produção essa diretamente dependente dos seus recursos humanos, patrões e empregados...Infelizmente o caminho oposto que temos seguido tem sido um caminho de aposta quantitativa nos nossos recursos humanos em detrimento de uma aposta qualitativa. Se por um lado, a mulher que bastante admiro, responsável pela avaliação das contas nacionais em Portugal, Nazaré Costa Cabral, é uma mulher com uma formação académica bastante sólida e que em outro país qualquer se fosse homem estaria em posição de destaque ainda maior e mais cedo, por outro lado verifico os partidos políticos a entupirem-se de pessoas que até conseguem "aceder" a profissões "nobres" mas que do ponto de vista intelectual deixam muito muito muito a desejar. Consigo até indicar pessoas que não sabem nem escrever, ou têm uma qualidade de escrita ao nível da quarta classe, e estão a ocupar posições de destaque político que, antes, seria completamente impossível. O facilitismo educacional desta democracia acaba por se revelar, economicamente, um desastre. A Coreia do Sul, país que em 4 décadas passou de país de extrema pobreza para grande potência económica mundial fez, precisamente, o oposto, gastando 8% do seu PIB na educação, é certo, mas exigindo qualidade na aprendizagem dos seus cidadãos. Talvez fosse bom que entregar à Europa uma subida quantitativa do número de diplomados, não corresponde, necessariamente, a uma melhoria substancial na formação e capacidade dos recursos humanos do país, principalmente numa altura que a versatilidade e espirito crítico são fundamentais para adaptarmos a economia e as pessoas às novas realidades e tendências mundiais. A iliteracia é muito grande e entrámos na era em que o QI das pessoas diminui em vez de aumentar dado os facilitismos tecológicos que fomentam a preguiça mental, roubam tempo e viciam as pessoas com infantilidades tornando toda uma sociedade irremediavelmente doente e condenada ao fracasso. As contas certas são precisas mas é preciso, antes de mais, saber fazer contas....

02
Jan24

Ego

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Não sei o que é o ego, na verdade, pois nunca estudei psicologia, mas sei que falo comigo própria, todos os dias, sobretudo antes de adormecer, falo, falo, falo sem fim.....até que adormeço..Não sei nada de psicologia, apenas sei observar, escutar, aprender e refletir....E se há local onde nos pomos a refletir é nas redes sociais com o monte de conhecimento, informação e opinião transmitida, sem interrupções ou folgas....Ontem foi uma dessas noites de intenso diálogo interno. Depois de uma transição de ano, aconselhada por um profissional a não fazer qualquer tipo de balanço e desconhecendo que este era o pior período do ano para as pessoas, dadas as taxas de autoliquidação, não fiz o balanço e aceitei o processo como um tempo contínuo e continuado que obviamente é, contrariando as aspirações de Gregório, o Papa que nos passou a contar o tempo....O tempo é uma coisa finita, pelo que temos de ter consciência da nossa (totalmente incerta no tempo) finitude. São épocas de reencontros em que tiramos muitas conclusões acerca de nós próprios e de quem conhecemos...Umas surpreendem-nos pela positiva e ficamos felizes com os seus sucessos e conquistas e desejamos o melhor do mundo e outras supreendem-nos pelo mais do mesmo que nos dão. Noto que, em Portugal, existe um desconhecimento generalizado de nós próprios e dos outros, do outro. Muitas pessoas confundem independência financeira com maturidade, autonomia com maturidade, mas verifico, aos 45, que vivemos num país de pessoas altamente imaturas, independente das superficiais circunstâncias que possam ditar o contrário. O Ego quando não nos confronta, algo ou alguém faz isso por ele. Porém muitos apagam, estagnam e eliminam qualquer resquício de tal coisa. Uma coisa que me fez pensar ( e lamentar profundamente) foi ter ouvido de uma pessoa que era órfã de pais vivos, porque de facto conheci as circunstâncias dessa pessoa e verifiquei que sim, e que seria uma ferida aberta muito profunda que a pessoa iria ter de viver com. Vivemos tempos estranhos. Uma familia (para mim) não é um conjunto de duas ou mais pessoas que partilham um tecto comum....Infelizmente, muitas vezes é só isso, ou pouco mais do que isso. Verifico que a qualidade das relações humanas é péssima, dada a pouca apetência para a  conversa e para o diálogo de que esta cultura em que me insiro e as quais pouco me diz, padece. A solidão emocional é uma realidade cada vez mais forte, e que habita muitas vezes em muitas famílias (?), em muitos casais. Tal como verifico que a orfandade se pode distinguir pelos pais ausentes falecidos, pelos pais ausentes vivos e, também, infelizmente, pelos pais presentes. Estes assuntos interligam-se uns com os outros: a falta de diálogo leva a falta de conexão, com a falta de conexão vem a solidão emocional, e a par, os sentimentos de vazio, de invisibilidade. A maturidade está em reconhecer padrões comportamentais e agir com responsabilidade afectiva em conformidade. Todos somos afetivamente responsáveis por alguém, no mínimo, por nós próprios. E depois escolhemos os caminhos e quem nos segue na jornada, acrescentando valor e sentido às nossas vidas. Foi efetuado um estudo científico americano ao longo de quase um século que dava conta de que, chegados ao fim da vida, o que as pessoas mais valorizavam era a existência de muitos bons verdadeiros amigos, concluía o estudo. Não eram bens materiais, não eram sucessos profissionais era sim a qualidade e partilha da vida com outros. Uma das conclusões a que cheguei na vida é a de que as pessoas se dão muito superficialmente umas com as outras e não desenvolvem conexões profundas (ou porque não as têm, ou porque não têm maturidade para tal, ou porque nada as liga umas às outras excepto a facilidade e proximidade geográfica). Concluo que há cada vez mais ligações por interesse, interesse interesseiro e não o interesse interessado, e também ligações meramente circunstanciais, amigos para sair, para beber copos, para fazer curtas viagens, porque para o que é sério, para o que é difícil, para quem nada tem a oferecer, aí, aí não está lá ninguém. "Um Primeiro Ministro não tem amigos". Se calhar não tem mesmo e a crueza da frase diz a crueza da verdade por quem a profere. Não sei se tem se não tem. Proferi eu, também, de que não tenho amigos, há bastantes anos, tendo sido olhada como um alien e alvo de espanto perante a minha afirmação. Felizmente tenho, de uma qualidade superior! Quanto baste....Precisamos de nos bastar por nós mesmos, ainda que sejamos um animal social...Por isso que nunca gostei de "grupos" de amigos....não se criam conexões profundas....muitas vezes a pessoa tenta encaixar-se, mas, é sempre, tem sempre uma parte de si invisível aos outros...Os outros, os dos grupos, não querem criar conexões.....só querem passar tempo.....independente da qualidade financeira do tempo gasto....é igual....nos ultra-ricos, nos pobres esfarrapados, se calhar, em grupo, cria-se mais laço nos esfarrapados do que nos outros....no entanto muitos tentam "aparentar" e "subir"(?) nas impressões e na ostentação (que idiotia) social...Ora e que dialoguei eu mesma ontem comigo, o meu eu com o meu eu? Aprendi a formular uma triangulação conceptual que creio que não se usa mas que faz todo o sentido usar que tem a ver com tudo isto, e comigo em particular: o conceito tripartido de saúde: a saúde física, aquela mais (re)conhecida e estudada, a saúde metal, aquela que apresenta sinais, sintomas ao nível patológico de disturbios da cabeça como seja os TOC, a depressão ou os ataques de pânico (que tão íntimos somos, ou fomos), e a saúde emocional, aquela que está ligada às nossas emoções e que alguns dizem afetar directamente órgãos físicos em concreto (mas que a ciência nem quer saber nem dá crédito à priori), sendo que a saúde emocional está intimamente ligada aos nossos egos, desde que nascemos, à forma como fomos tratados em criança e à forma como sentimos o que sentimos na idade adulta, as feridas abertas e as cicatrizes fechadas que a vida nos vai trazendo com o tempo. Ora para estar bem o que desejo neste ano novo e em todos os anos longos e contínuos que quero é que o Ego me fale e me encontre mecanismos de cura das maleitas fisicas, mentais e emocionais de que padeço. O auto-conhecimento, o diálogo interno e a descoberta de todos estes novos conceitos abre a porta para uma compreensão mais permissiva, tolerante e empática sobre mim e sobre todos os outros seres, porque maturidade também é trazida pelo ego, com (cons)ciência...Haja saúde! E amigos de verdade! And.......GOOOOOO!!!!!

02
Jan24

Portugal Fracassado - Parte III

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730 euros é o valor líquido atualizado do salário mínimo nacional para o ano de 2024, o ano em que o país celebra 50 anos de democracia. Não se sabe quantas as pessoas que sobrevivem e recebem este valor de salário, sabe-se que 2/3 dos portugueses recebe menos de 1.000 (mil) euros mensais. 730 é bem o valor de apenas um quarto (incluindo as contas básicas) manhoso na capital do país (ou para muitos, o próprio país). No 4º país mais envelhecido do mundo, não há obstetras, não há saúde, não há creches e vagas nas mesmas, não há educação, não há trabalho (e quando há, é extremamente mal pago), havendo cerca de 400 mil desempregados contabilizados oficialmente fora os não oficiais (sobretudo mulheres) e os que emigraram. É altamente problemático o Estado a que chegámos. O salário mínimo só dá para sobreviver, e mal, em determinadas circunstâncias....e pior: muitos milhares de pessoas nem o salário mínimo aufere, arredados que estão do mercado de trabalho pelas mais diversas razões, económicas, sociais, geográficas, culturais, etc, etc, etc....É uma verdadeira calamidade! O Portugal fracassado evoluiu nestes últimos 50 anos naturalmente, ainda para mais com a quantidade brutal de dinheiro que foi despejado para o país pelos contribuintes alemães, através dos fundos europeus do Orçamento da UE e outras formas de subsidiação. Verdade também é que abdicámos de variadíssimas escolhas, políticas, económicas, sectoriais para que tal sucedesse. Plantamos o que semeámos: permeabilidade à corrupção, falta de exigência, falta de visão, imobilismo e acomodação. Portugal precisa de trabalhar mais e sobretudo de aprender a trabalhar melhor, mas não consegue quando colectivamente o povo corre diariamente para o trabalho para poder sobreviver... Não há dignidade. A classe política, que obviamente não faz a mínima ideia do que é viver com 730 euros mensais, é um dos culpados do Estado a que chegámos. 5 décadas. Em 5 décadas fortalecemos instituições democráticas é certo, mas muito há a dizer acerca da judicialização da política e da separação de poderes. A nossa constituição é teóricamente perfeita no sentido técnico mas pouco adaptável ao Portugal que seria necessário que tivesse sido construido nestas 5 décadas. Por outro lado, o impacto do desinvestimento no sector da justiça tem um preço brutal no tecido económico, social do país. Não se assacam responsabilidades a ninguém. O país padece de uma falta de maturidade na discussão objectiva dos problemas e na busca das melhores soluções para os mesmos. Não podemos subsituir o rei, ou o ditador e seus protegidos, pelos "cleptocratas do regime". A democracia portuguesa consegue ser mais e melhor do que isto. O país e os portugueses merecem mais, não obstante todo o peso cultural de uma tradição de laxismo, acomodismo, facilitismo e desenrascanso. Regressemos século e meio no tempo. Bordalo Pinheiro e o seu Zé Povinho. Ali está representada a verdadeira essência do português: a pessoa pobre e humilde que no seu íntimo se engana contentando-se com um efémero manguito ao Rei....Como se o Rei se importasse....Não se importou....Não se importaram.....Até ter havido um maluco que deu um tiro num deles....Como dizia Lampeduza "Era preciso que tudo mudasse, para que tudo ficasse na mesma"....Ora, o Zé povinho precisa de mais do que um acto de levantar um dedo em direção ao vazio....O Zé povinho precisa mudar!! A participação publica e política é fundamental para isso. A mudança cultural é crucial para efetivar a verdadeira mudança! As contas aparecem e têm de ser pagas, depois de devidamente justificadas, sem esbulho real ou republicano. Portugal vive uma situação verdadeiramente insustentável de declinio acentuado, na qual nas três últimas décadas deixou de saber cuidar dos seus para que estes (e estas, mais estas, na verdade, todo mundo sabe das desigualdades entre géneros...a pensão de uma mulher é 40% inferior à do homem....quando a tem, porque muitas só a têm por força da idade e não por força dos descontos laborais....ter filhos custa muito caro lá na frente, infelizmente a mentalidade é muito atrasada, para perceber que ter filho para prender homem, para ter "licença sem vencimento" ou para ter alguém a limpar a fralda na velhice (que não vão ter!) é das coisas mais estúpidas e incertas que pode haver!)....As mulheres fracassaram enquanto pilares educadores pois perpetuam e perpetuaram um ciclo patriarcal e machista de poder (e de fazer, ou não fazer...), enquanto buscam o caminho mais fácil, mais idiota e mais fútil, não se concentrando em sis mesmas e nos seus próprios potenciais, nas suas evoluções educativas, pessoais e profissionais, deixando o acaso e a vida decidirem por elas após o encontro do "porto seguro". No mundo atual nada do que temos por adquirido podemos dar como certo. O que temos por adquirido pode esfumar-se rapidamente: a nossa família (?), a nossa casa, a nossa saúde, o nosso trabalho, a nossa (muito pequena) liberdade, a nossa segurança (em todos os amplos sentidos). Portugal fracassado faz parte de uma visão pessoal e íntima muito exigente e ríspida mas em tudo realista porque factual. A abertura de portas nas duas ultimas décadas trouxe muitas mudanças, muitas para pior, como a escassez de habitação e escassez de oportunidades profissionais de qualidade, ou seja, trouxe muita escravidão para Portugal, porque no país onde a escravatura foi abolida em primeiro lugar no mundo, a mentalidade essa, continua bem vincada! Muitos patrões só pagam porque a isso estão obrigados, se não nem pagavam! Mas até os escravos tinham mais do que atualmente, tinham casa e comida fornecida pelo dono. Os patrões atuais perpetuam a escravatura velada, a mentalidade está toda lá, achando-se superiores por algum motivo e julgando que outros não têm o direito a ter uma vida digna, com um salário, com uma remuneração pelo seu trabalho. Por outro lado sou bastante sensível a um patrão que tem de pagar impostos altíssimos e que vê o Estado (porque é) um entrave enorme ao desenvolvimento economico, social e cultural do seu país....O país é bastante complicado, emaranhado em notícias quotidianas que em nada lhes acrescenta, pessoal e profissionalmente, e que pior, produz estados de equilibrio e racionalidade mental de qualidade duvidosa. O país precisa de melhorar, ser mais exigente, ser mais transparente, mais produtivo. O país precisa de produzir de qualidade, acrescentar valor, fazer a diferença. E isso só se faz com uma mudança drástica em muitos aspectos sectoriais do país. Vai demorar a incorporar uma visão e uma concretização prolífica de politícas que façam a diferença. Vêm aí mais 50 anos, mas se nos próximos 5 já fizermos diferente, já fico com alguma esperança.....Sentimento que o país, efetivamente, infelizmente, perdeu.....

02
Jan24

Sociedades (in)tolerantes

trans.jpeg. Se em metade do mundo das religiões a par do peso político autocrático a repressão se faz sentir, na outra metade, a metade dita liberal, em liberdade, democracia e respeito pelos direitos humanos, a intolerância faz parte das discussões quotidianas, nichadas, e residuais, porque os direitos da maioria anulam os direitos das minorias.....As sociedades ocidentais avançaram muito nas ultimas décadas, porém ainda restam elementos fortes de arrogância, intolerância e preconceito para com o outro....Parece haver uma polémica (às quais sou alheia por não ter filhos adolescentes) que é a chamada "ideologia de género" como sendo uma coisa má.....Ora desconheço o que propugne tal ideologia, se é que existe alguma ideologia no género. O que existem são factos verdadeiros e ciência. Um ser humano nasce ser humano, com um género atribuído: homem ou mulher. Isto é ciência. Porém, o ser humano pode identificar-se com o género oposto ao que nasceu (e não tem nada de mal com isso, deixem as pessoas em paz!!!!) ou pode não se identificar com nenhum dos géneros e considerar-se andrógeno. Ora, num tempo em que havia só uma casa de banho, fruto das precárias insfraestruturas, onde, algumas vezes, nos deparamos ainda com esse mesmo cenário (casas de banho para pessoas!!!) porque raio não há-de haver uma casa de banho para homem, uma casa de banho para mulher e uma casa de banho para quem quiser????!!! Bolas!!! Será que esta gentalha beata não tem mais do que fazer do que pregar os seus dogmas sujos e intolerantes para outras freguesias??!! Vão fazer o bem ao próximo!!! Coisa que se calhar não fazem!!.... Estas discussões a que estou alheia por motivos factuais irrita-me profundamente! Irrita-me a intolerância, a hipocrisia, a intromissão, a arrogância!!! Felizmente Portugal andou muito nos direitos sociais das minorias, mas não andou bem porque andou sem educar as pessoas para o respeito pela diferença, sem educar para dar apoio a estas causas, que não são nossas por uma questão meramente estatística, mas que deveriam ser porque o que é a causa de um deveria ser a causa de todos...O casamento homosexual normalizado passou a existir nestas sociedades, mas foram os lutadores destas causas que conseguiram fazer evoluir a sociedade. Não foram, infelizmente, as pessoas, que normalmente afirmam "isso é lá com eles"...Não é...Não deve ser. Se a violência doméstica passou a crime público não foi porque "isso era lá com eles"....foi porque se considerou a necessidade de haver uma censura social reprovatória tão forte que a relação abusiva de um casal passasse a sair da esfera privada e tomasse a esfera publica enquanto causa colectiva....Então porque raio uma criança, que não se sente homem nem mulher não pode ter uma casa de banho para si, tendo já um terrível sofrimento por não se encontrar padronizada nos espartilhos sociais?? Acaso estas pessoas que bolçam estas opiniões fazem a mínima ideia do estima e do sofrimento emocional por que passam estas pessoas? Estes seres humanos?? É isto que os "católicos" acham que é fazer o bem ao próximo??? Não há ideologia de género. Há pessoas estúpidas e pessoas racionais e sensíveis. As minorias sofrem demasiado e há demasiado tempo com estigmas sociais. Era tempo de acabar com tudo isso...Só assim se consegue um mundo melhor, pois só assim somos todos mais humanos..

01
Jan24

O mundo em 2024

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Entramos em 2024 com uma verdade: a mulher existe. O homem para estar bem precisa de ter relações sexuais e a mulher para ter relações sexuais precisa de estar bem. Ora hoje, o Papa lembrou da importância da mulher no mundo. Desconhecemos se Maria estava bem aquando da investidura de José. Infelizmente, provavelmente não estaria. De facto, a igreja necessitar de ter um dia exclusivo dedicado a Maria diz, de facto, qual a importância da mulher na religião, na sociedade e no mundo. Importa quando dá jeito. Infelizmente. Entramos em 2024 num mundo preenchido por guerras, por fome, por dificuldades, num mundo onde metade do planeta inferioriza ostensivamente a mulher e onde a outra metade faz de conta que a coloca num plano igual. Num mundo onde a mulher não tem qualquer controlo sobre a sua vida e sobre as vidas que gera, multiplicando a espécie de forma exponencial com todos os fenómenos negativos que isso acareta, individual e colectivamente. Apercebemo-nos de um mundo caótico, onde metade vive em regimes autocráticos e a outra metade em pseudo-democracias, nas quais os políticos se vendem aos interesses corporativos de forma mais, ou menos, visível. É assustador pensar que políticos foram assassinados por serem considerados perigosos para o sistema. Foram, são e continuarão a ser....É assustador pensar que a mulher se restringe ao seu mundo e nem no seu mundo ela encontra respeito, consideração e atenção. Se há 1% de multimilionários no mundo o número decresce abissalmente quando se trata de mulheres: as mulheres, não sendo herdeiras, não sendo casadas, não sendo puxadas por um homem que seja, sozinhas não conseguem nada, porque a sociedade não lhes permite, cortando-lhes as pernas, colocando-lhes crenças limitadoras e limitadas dos seus designios. O discurso do Papa é importante? É. O mundo seria outro se as mulheres fossem menos invisíveis, ou lembradas apenas num dos 365 dias do ano, com uma data especifica para o efeito. O pro forma. O mundo está podre. As multinacionais detêm um poder gigantesco! Nada as consegue parar. Este fenómeno invisível de poder é altamente preocupante. Caminhamos para o suicidio colectivo. Uma empresa que mata um engenheiro (Tom Ogle) porque ele descobre o busilis da questão, a mobilidade com combustão reduzida de combustíveis fósseis, é uma empresa que não tira a vida a uma pessoa, pior, tira milhares de vidas e empurra o colectivo para o abismo. A Europa tem as mãos cheias de sangue. Enche a boca para falar de direitos humanos mas comporta-se como uma potência que pouco ou nada se distingue de todas as outras, com o desígnio, ou o defeito de que se encontra a empobrecer, achando que consegue contrariar esse empobrecimento com a islamização da Europa, com a vinda massiva de cidadãos oriundos de outras geografias mas que professam religiões que anulam a mulher por completo. A religiosidade social é um dos males do mundo. Vai contra a evolução pessoal e colectiva das pessoas, da sua felicidade e do seu progresso. A humanidade não pode continuar a considerar o Produto Interno Bruto como indicador de desenvolvimento de um país. Não o é. A mão de obra escrava que se encontra disponível no mundo não pode acalentar as realizações loucas de um imberbe empresário. Se Elon Musk acha que há poucas pessoas na terra talvez ele próprio queira dispender, abdicar e distribuir o seu dinheiro pelas mulheres, já que são elas que geram vida. Usar a cultura ou a religião como escudo dogmático de que é mais homem quem tem mais filhos é puramente abjecto e repugnante. Maria e José só tiveram um e bastou-lhes. Voltamos sempre ao mesmo. Sexo e dinheiro. As duas coisas que fazem andar o mundo. Infelizmente, o amor não tem lugar nele. Homem é aquele que cria condições para que a mulher, seja a sua, seja a sua filha, a sua prima, a sua vizinha, tenham condições de vida que lhes permita estar bem. Estar bem é, apenas e só, ter dignidade, ter o mínimo, o básico. A humanidade inferiorizou a condição feminina por demasiado tempo. Temos dois ou três dias idiotas de calendário e uma desigualdade tremenda, uma dependência tremenda, uma carga de trabalhos tremenda e ainda é suposto estarmos bem....Como? O mundo não se consegue mudar, de podre que está. As pessoas estão cada vez mais estranhas, desorientadas, tristes, oprimidas. Os tempos que se aproximam não são bons. A paz acabou. O mundo em que vivemos também....Só conseguimos mudar o "nosso" pequeno mundo, e mesmo esse exige muito de nós. Dizem que em 2030 não teremos nada e seremos felizes....Creio que vendem a parte realista como verdadeira e a parte fantasiosa também....Não porque a posse ou propriedade de bens materiais nos faça tristes ou felizem, mas porque o controlo tecnológico da sociedade fará de nós autómatos, que, para sobrevivermos, teremos de pôr um chip plantado de artificial felicidade, pois tudo acima disso será inacessível e controlado, pelos verdadeiros donos disto tudo....A profecia de Aldoux Huxley torna-se cada vez mais uma realidade....E agora? Vem "o estrangeiro" de Camus? ....Cuidado com os estrangeiros....São......imprevisíveis......

27
Dez23

Portugal Fracassado - Parte II

22581610_TeRMV.jpegChegados ao Estado Novo eis que o algoritmo me prega uma partida e me amordaça.... Mais de metade da reflexão anterior ao ar. Mas não, não no pensamento....Continuemos (não com o texto ora elaborado, mas com outro, eventualmente mais curto e mais pobre): Chegámos ao Estado Novo vítimas do nosso fracasso durante a I Republica por falta de força das instituições republicanas, por falta de força de um constitucionalismo reforçador e reformador dos poderes publicos, da sua separação e interdependência, e, sobretudo, por falta de condições, pois substituir um rei por vários egos, numa pátria sem povo, daria, naturalmente, asneira, como deu...Fomos à bancarrota. Foi o que nos levou a fazer ascender uma figura que conseguia equilibrar as contas publicas do Estado, um professor universitário de finanças publicas da academia coimbrã. Nada supreendente portanto. Durante o Estado Novo houve de facto, alguns, poucos, desenvolvimentos, em infraestruturas que não existiam, ao contrário dos outros países onde já existiam há mais tempo, pouco desenvolvimento no principal gerador de riqueza de um país: o povo, e o amordaçar das pessoas, impondo-lhes uma religiosidade questionável, um entretenimento para os distrair quotidianamente, e uma crença altamente limitante enquanto colecividade, nas suas mentes, consciente e inconscientemente ( o "fado", enquanto voto e desígnio da "honrosa" (?) pobreza). Espoliamos as colónias, matamos e saímos da ditadura por força da vontade de viver e por força também do descontentamento do lado de quem tinha o poder para se descontentar e fazer algo contra isso: os militares. O fracasso continuou. Temos 5 décadas de democracia, o país evoluiu muito. Abandonámos as colónias, virámo-nos para a Europa e aí fizémos todo o nosso caminho. A partir daqui é responsabilidade nossa o nosso atraso, o nosso atavismo cultural, económico e social. Somos, felizes e pobres, portadores de uma ideologia única, da extrema esquerda à extrema direita somos todos sociais democratas, uns sem, outros com religião à mistura....

19
Dez23

Portugal Fracassado

Portugal-flag-e1498560175410.jpg.

Portugal nasceu da birra e briga de um filho com sua mãe....Coisas que acontecem com bem mais frequência do que pensamos...Nasceu, estendeu-se e consolidou-se territorialmente. Sempre sob a vigência de um reinado, que passava de pai para filho, independente da idade, carácter, cultura e educação da criatura do sexo masculino (como não poderia deixar de ser). Décadas e centenas de anos nesta coisa do costume. O rei manda, o povo obedece. Assim, depois de uma monarquia absolutista passámos a ser uma monarquia constitucional. O que mudou? A existência de uma constituição que trazia consigo as ideias iluministas da época, a clara separação tripartida dos poderes e mais umas quantas (ir)relevantes inovações, como o nascimento de partidos políticos. O "lobby" da igreja e dos "nobres" esse vem do século XII, sem eles não haveria rei (decepavam-no num piscar de olhos....por isso teve de passar a distribuir as "prebendas"). Da monarquia constitucional de 1820 até 1910 houve o sistema rotativista bipártidário, entre partidos estáveis porém permeáveis às novas ideias vindas de fora. O povo estava descontente (ou uma parte do "povo"), mataram o rei, e o sistema fracassou. Colocando a causa colectiva da pobreza e do descontentamento pelo esbulho na figura do rei (que de facto acontecia e sempre aconteceu) o povo mudou de regime. De monarquia passámos à Republica. Nada mais óbvio e justo. Porém, também a republica fracassou, por diversos motivos, nomeadamente a inexistencia, ou fraca institucionalização de poderes publicos. Por isso, há uma pouco menos de cem anos instalou-se em Portugal um regime ditatorial, como consequência deste fracasso da 1a república.

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