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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

29
Jul19

Sonhos mortais: ficção científica ou realidade?

sci fi.jpg

O homem sonha, a obra avança. A construção de imaginários, de buscas intangíveis pela perfeição, pela justiça e pelo desenvolvimento, no fundo, a construção de Utopias remonta mais enfaticamente a São Tomás de Aquino na sua obra sobre a cidade de Deus, aquela que seria a cidade ideal, uma sociedade perfeita. Esta procura pelo ideal leva séculos mais tarde Thomas Moore a escrever a "Utopia", o nome cunhado com o sentido que agora lhe damos, atribuído a uma ilha, a ilha perfeita. A partir desta criação concretizada vários foram os pensadores que se dedicaram à prospectiva a longo prazo, fosse numa concepção antropologicamente pessimista, fosse numa concepção mais optimista ou neutral. Através dos sonhos, através do pensamento sobre o futuro, através da inigualável imaginação criativa de pensadores e de literários surge uma área específica: A ficção científica. A ficção científica narra escolhas futuristas com base no desenvolvimento científico e tecnológico. Ao longo do século XX, já depois das primeiras obras futuristas, que sonhavam com os submarinos e os aviões, o desenvolvimento da ficção científica tornou-se um dado efectivo. A prova do mesmo foi deixada nos alertas de livros como o "1984" enfaticamente salientando o futuro tal como hoje o vivemos, num big brother permanente, tal a colecta de informações pelas máquinas e por todo o espalhafato tecnológico incontrolado e incontrolável que nos rodeia ou por Arthur C. Clarck no seu "2001-Odisseia no espaço" fabulosamente transformado cinematograficamente por Kubrick, e, naturalmente, " Admirável  Mundo Novo", o best seller de Aldous Huxley que enfatiza as sociedades futuristas e a dependência dos humanos pelos comprimidos da "felicidade". Facto é que todas as concepções utópicas, todas as imaginações da ficção científica, todos os avanços(?) carregam em si opções políticas e valores éticos bastante marcados. Einstein afirmou que se soubesse o que o desenvolvimento cientifico-tecnológico se havia tornado (referindo-se à bomba atómica largada em Hiroshima) jamais teria contribuído para o seu desenvolvimento. O futuro da tecnologia está aí. A digitalização e a manipulação de dados, combinada com a inteligência artificial e com a robótica fará dos humanos, escravos, seres híbridos, ou seres humanos? Ninguém sabe....talvez também possa depender da perspectiva. Pessoalmente, entregaria já o meu corpo à robótica e à inteligência artificial. O futuro é agora e agora é a hora. Sejamos optimistas e esperançosos.

 

29
Jul19

Inerências naturais?

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O desenvolvimento da Humanidade jogou-se através de um novelo dicotómico sem equilibrio, tal a balança pendia para um lado ou para o outro, opostos efémeros. As raízes naturalistas primavam pelo enaltecimento das concepções da natureza, do superior ao homem. O homem adiantou-se e colocou-se no centro do seu pensamento cansado de um esquecimento "natural". A razão levou ao desenvolvimento das premissas visionárias incolores, na pureza do pensamento profundo. Intuir, analisar, relacionar, julgar e criticar são características desse padrão Preto-Branco, causa-efeito, uma coisa e o seu contrário. A sensibilidade na distinção e no uso de qualquer uma destas características é a base e o reflexo dos nossos pensamentos, das nossas ações e dos nossos comportamentos. Porém, este pendor racionalista retira alma, retira sentimento, retira emoção, retira contemplação. A mais valia é a consciêncialização de ambos e a conjugação de ambos, equilibrada e sensatamente, em harmonia. Cego não é o que não vê. Cego é o que não quer ver. Ver com todos os sentidos, profundos. O dia e a noite, a luz e a escuridão, o positivo e o negativo, o bem e o mal, todos fazem parte do mundo terreno, racional e natural. Sentir em demasia é ver infinitamente, pelo que, temos olhar sempre para o fundo do túnel caminhando em  sua direção, as outras direções vemo-las demasiadas vezes tentando embrulhar-nos em amarras eternas. Mudar o modelo mental é o caminho do ser.

28
Jul19

No man is an island

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Escrevia John Donne, no século XVI, que "nenhum homem é uma ilha (expressão celebrizada em um filme com Hugh Grant).... isolado em si mesmo. Todos são parte de um continente, uma parte de um todo"... Será???? Os desenvolvimentos tecnológicos das últimas duas décadas levaram a uma aceleração brutal no acesso e troca de informação,  em qualquer parte, em qualquer momento, por qualquer pessoa, em tempo real. As fake news tornaram-se o reverso dessa tecnologia. A passividade, o falso empoderamento do cidadão comum, igualmente. As pessoas tornaram-se doentiamente dependentes de um objecto (laptop, smatphone, tablet ou whatever que tenha acesso à web). O sentido crítico diminui, assiste-se a uma devassa da vida privada, e ao empobrecimento da auto-reflexão individual e colectiva, tal o hedonismo e a tentativa de imitação do que se assiste, mas que não é real. Este empobrecimento das sociedades de uma forma geral apenas acontece com uma parte da população; outra há que faz uso da tecnologia de forma positiva, comedida, inteligente e sabedora. Não obstante, os homens e as mulheres de todo o mundo estão cada vez mais a tornarem-se uma ilha, sem raíz em parte nenhuma....Desconhecendo que os laços de relacionamentos afectivos concretos, reais e duradouros são o segredo da felicidade e do sentido da vida.

26
Jul19

Deus homem?

MotherGoddessEarth.jpg

Ao longo de toda a Humanidade o papel social da mulher foi sempre apagado da História. Até ao século XVIII nem uma única imagem biológica feminina existia para fins de estudo científicos. A mulher, considerada ser inferior, ignorada pelo mundo dominado pelos homens, teve que, sozinha, se fazer valer, se impôr e lutar. Os três últimos séculos trouxeram os iluminismos (para alguns, poucos) mas nas suas bases filosóficas não havia espaço para as mulheres. A questão sexual é o cerne do problema. No mundo ocidental, com o avanço científico, a par do empoderamento conquistado a pulso pelas mulheres, para as mulheres, na qual se reconhece o radical poder da corrente feminista nascida e desenvolvida nos meados do século XX, as mulheres conseguiram, de alguma forma, um pouco de liberdade e de igualdade dentro das sociedades patriarcais e machistas. Estudos há, os mais optimistas, que apontam para um equilibrio paritário em termos de género nas sociedades ocidentais, nos países do pelotão nesta matéria, para apenas daqui a 100 anos! Verificada a realidade dos dias de hoje, encontramos em África o mais significativo atraso nesta concepção desigualitária de sociedade. A mulher é objecto de práticas culturais bárbaras e humilhantes, a mulher é culturalmente, de per si, um objecto: um objecto sexual nas mãos dos homens, um objecto de trabalho escravo e/ou não remunerado, um objecto sem direitos e carregado de deveres. A mulher ainda o é em grande parte do globo. Essa constatação verifica-se, igualmente, pelos níveis de natalidade versus rendimento dessas sociedades. É onde há menos rendimento, mais pobreza que há maior taxa de natalidade, e que há, infelizmente, maior desigualdade entre géneros. Ora este incremento brutal no número da população mundial no último século, a par dos factores ditos, sublinhe-se, ditos, de desenvolvimento, tal qual as métricas economicistas pré-definem, tem tido notoriamente uma consequência: a completa destruição do planeta e do seu sistema ecológico. A Mãe Terra é destruída pela mãe-mulher, dominadas que somos pelos homens e pelas sociedades conservadoras, machistas e patriarcais. Há dúvidas, até pela diferenciação biológica na questão da empatia e da sensibilidade, de que o mundo seria completamente diferente, para melhor, se, pelo menos, houvesse mais equilíbrio entre géneros? Há duvidas de que haveria menos guerras, menos fome, menos tragédias? Eu não tenho dúvidas, mas, de facto, não sei se Deus é homem.

25
Jul19

Lemniscata

Rushing-colours-in-Stanley-Kubricks-2001-A-Space-O

A beleza de conceptualizações, metafísicas ou científicas, ainda que aparentemente contaditórias, reside na importância do pensamento acima do sentimento e da razão do homem comum. Karl Popper afirmava precisamente isso: " Só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonarmo-nos por ele..." de tal forma que o nosso foco continuamente se distancie do mundo terreno e plane num mundo das ideias, do abstrato e do infinito. O infinito aqui contemplado nesta imagem, retirado do famoso "2001- Odisseia no Espaço" carrega leituras nas mais diversas áreas científicas com aplicabilidade directa na necessidade de reflexão humana quotidiana, no plano das ideias e no plano das acções. Felizes os que conseguem alcançar tal patamar de lucidez espistemológica e científica. O foco deste empenho mostrar-se-ia continuamente desviado do acessório,  pelo que, no infinito do essencial reside a solução.

24
Jul19

Tempo

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Costuma-se dizer que há duas coisas inevitáveis na vida: a morte e pagar impostos. Sempre foi um sonho do ser humano conseguir de alguma forma manipular o tempo. Fã confessa das ciências exactas sei que a teoria de Einstein vai ser muito difícil de quebrar, mas, como qualquer ser humano desejaria manipular o tempo, fosse para o puxar para a frente, para o futuro, fosse para o puxar para trás. O embrutecimento das sociedades, pouco evoluídas, leva a que se tenha escasso acompanhamento dos principais ensinamentos da vida. A rapidez com que se vive actualmente, mergulhados constantemente nas escolhas e dilemas quotidianos, ainda para mais quando se levaram vidas tão pouco propícias à aprendizagem e reflexão, traduz, normalmente, o sonho de que o tempo andasse para trás. Porém, são também essas agruras da vida, desse aprendizado tardio, que nos faz como somos. Evidentemente que pugnaria sempre pela possibilidade de cada um e de cada uma de poder puxar o tempo para trás, a seu gosto, e, por isso, o meu sonho de ver alguma forma de ultrapassar a velocidade da luz é infinita. Sinto que o tempo voa, tenho em mim sonhos traduzíveis em possiblilidades reais, como aprender a pintar, a tocar piano, ou a desenvolver qualquer uma das 4 línguas que aprendi (o latim está morto não conta) mas tenho plena consiência que são empreendimentos que demoram tempo, exigem esforço e dedicação permanente. Resta-me lamentar não o poder ter feito antes, mais cedo. Porque o tempo, de facto, não anda para trás. O presente é que conta e os ensinamentos de que o agora é o mais importante (desde que se afastem concepções hedonistas, ocas e egoístas por excelência) e esse é um dos ensinamentos mais relevantes que se pode ter presente no espírito. Sociedades mais desenvolvidas (com as quais mais me identifico) são por isso mesmo, sociedades mais relaxadas desse ponto de vista, são também sociedades mais enriquecidas pelos ensinamentos da humanidade (curiosamente bastante progressistas e com muito pouco de conservadoras). O tempo não volta para trás, mas projectar a vida do futuro, o seu sentido, o seu caminho, o seu contexto, os seus sonhos, em suma, é sempre um dos desafios mais importantes que temos pela frente, conformando-o com os nossos valores e o nosso sentir, e, inevitavelmente, com as nossas circunstâncias. Para projectar o tempo precisamos de tempo e cada segundo conta, porque a vida é um sopro, e ainda temos tanto para fazer!! Dá para puxar o relógio para trás?

18
Jul19

Clássicos

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Os clássicos fascinam-me pela simplicidade profunda da sua sabedoria. A compreensão filosófica desenvolvida na Antiguidade, por algum momento, infelizmente pouco recordada, revela que o homem deixou de se debruçar sobre si mesmo. E fazendo-o deixou crescer um vazio pessoal, espiritual, intelectual e até físico. A expressão " mens sana in corpore sano" pode ser um desses expoentes máximos. Alimentar a alma é fundamental para ter uma mente sã, e dar uso ao corpo é materializar a nossa presença física no mundo terreno da melhor forma. É imperativo voltar aos clássicos, num momento em que as sociedades padecem de inúmeras enfermidades.....

16
Jul19

(Des)União Europeia ?

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Assinala-se hoje a aprovação da candidata a Presidente da Comissão Europeia, em Estrasburgo, no Parlamento Europeu saído das eleições directas do passado dia 26 de Maio. Mas, e o que é isso da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu, de onde veio esta senhora e, até, o que é exactamente a União Europeia e para que serve? Bem, em termos relativos a União Europeia tem um peso complexo no xadrez da ordem global mundial. Deste modo, revela-se mais importante aos cidadãos europeus, porque toca ao próprios, conhecer a fundo a história desta organização supra-nacional. Conhecer essa história é fundamental, não só para o exercício democrático e de cidadania plena, activa e responsável, como também de reflexão sobre quem somos, qual o nosso papel e o nosso lugar na historia do mundo e da humanidade. A esmagadora maioria dos cidadão europeus, infelizmente, desconhece em absoluto essa história, apenas tendo presente três ou quatro chavões que lhes vão sendo acriticamente dados pelo mundo exterior. E esse afastamento tanto maior é por aquilo que nos torna diferentes e que se traduz simultâneamente num obstáculo e numa das nossas fontes de riqueza. A nossa diversidade cultural, na qual mesmo dentro do mesmo Estado se traduz numa pluralidade de manifestações tem um traço comum que nos diferencia a todos enquanto cidadãos pertencentes a um Estado Nação, simultaneamente Estado membro desta comunidade que é a União Europeia, e esse factor diferenciador é a língua. A existência de várias línguas obsta, por isso, infelizmente, à consciencialização e conhecimento da nossa história e do nosso presente, dos desafios e oportunidades que de vão colocando a cada dia. Este factor também dificulta enormemente a percepção do que são e para que servem as instituições europeias. E estas, no alto dos seus edifícios pouca importância dá a este distanciamento, entre cidadãos eleitores europeus e eleitos (ou não). Esta visão top down que as instituições europeias se apercebem poderá ser alterada, assim haja vontade polítca para tal, através, por exemplo, do estreitamento dessa distância entre Bruxelas e o povo, que passaria, obrigatóriamente, pela alteração de paradigma para uma visão bottom up, de baixo para cima, para uma visão concretizada, melhor, a concretizar, pelo aparecimento de uma verdadeira opinião publica europeia. Esta alteração de paradigma, inevitavelmente levaria a uma mais forte democracia europeia e das suas instituições e a uma melhoria nas elevadas taxas de abstenção e, concretamente, a uma melhoria do nível de vida dos seus cidadãos, outrora ausentes futuramente presentes. Ora sendo eu europeísta desde pequenina permito-me confessar que esse europeísmo adveio, precisamente, de todas as tardes assistir ao noticiário da Euronews e, à época, ficar fascinada com os desenvolvimentos ambientais levados a cabo em países como a Alemanha. A percepção do que se passa exactamente nos outros países e consequente criação de uma opinião publica europeia poderia passar por isso mesmo: pela existência de um canal publico europeu semi-generalista, que em cada Estado membro alavancasse este sentimento de pertença. A nossa riqueza cultural é demasiado grande para não ser conhecida por todos, principalmente por aqueles que não têm posses que lhes permita viajar, e a política é um assunto demasiado importante para ser deixada a meia duzia de efémeros actores. Afinal, a democracia nasceu aqui: na Europa.

15
Jul19

Sentido

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O que me move na vida? O que me move é o que os meus sentidos apreendem do mundo que me rodeia: é ver triunfar o mal sobre o bem, a injustiça sobre a justiça, é ver o mundo ao contrário, dominado por valores contrários aos supremos valores que defendo, para mim, para qualquer ser humano e para qualquer sistema ecológico. A dignidade, a liberdade, a justiça, a fraternidade, a tolerância, a felicidade e o amor são os mais universais valores pela qual se deve pugnar. Evidentemente, está aqui fora de avaliação a questão do relativismo cultural que se poderá abordar futuramente em outra publicação. Assim sendo, dentro do contexto em que me encontro, dos tempos em que vivo, da cultura em que me insiro, qualquer iniquidade me revolta. Quem não sente não é filho de boa gente lá diz o ditado....Mas parece haver quem sinta mais, quem sinta menos e quem não sinta rigorosamente nada. Quando mais sinto é quando vejo as pessoas mais indefesas em enorme fragilidade, em sofrimento permanente, fisico e/ou psicológico. Perceber que vivo numa sociedade machista, numa sociedade inerte, numa sociedade que fecha portas e não dá oportunidades causa-me revolta. Ver mulheres idosas nas suas casas frias, conhecedoras da solidão, da tristeza, da fome, das doenças, da miséria extrema entra-me com dor no coração. Ver crianças indefesas a serem abusadas arrepia-me....Ver animais a serem maltratados causa-me tristeza sem fim. A miséria humano, aquilo que o homem é capaz de fazer choca-me. Creio que muito do que sinto vem de vários factores e creio também que muitos desses factores podem ser modificados, ou, pelo menos, bastante atenuados. A Humanidade desenvolveu-se num certo sentido em termos relativamente elevados mas continua tão primária em tanta coisa! Seria necessário reflectir sobre a justiça, a economia, a propriedade privada, as instituições sociais, o modo como as comunidades se foram formando e conformando. A meu ver, respeitando e tendo sempre presente que as pessoas são diferentes, e daí a necessidade de compreensão e empatia necessária para com as diferenças em geral, concebo uma visão mais redistributiva no mundo. Os bens são escassos, e não são apenas os bens materiais que são escassos. O tempo é escasso. Começar uma vida, desde a nascença já com gritantes diferenças de oportunidades é iníquo. É iníquo nascer mulher numa sociedade completamente dominada por homens. É iníquo começar uma vida do zero, do que começá-la com o conforto trazido por heranças avultadas. Curioso, mas simultâneamente triste, um estudo recente que indicava que as familías europeias que dominam a Europa hodiernamente são as mesmas que as dominavam no século XV. O mundo tem 24horas para todos. Mas por mais que se lute, a esmagadora maioria nunca alcançará o conforto de uma ínfima minoria. Esses são os factores de tensão, de iniquidade, geradores da miséria que condena o mundo, a que a Humanidade ela própria se condena. É preciso buscar o equilibrio. Buscar esse equilíbrio através da redistribuição de bens escassos, e buscar esse equilíbrio através da elevação espiritual, do crescimento emocional do ser humano no seu conjunto. Harmonia. Felicidade. Sentido da existência.

12
Jul19

Humanidade Doente

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O capitalismo, o sistema económico que vem desde o tempo da afirmação da burguesia, ligado à abertura do mundo durante o século XVI, está enfermo. O capitalismo assenta na base da condição humana, de uma específica característica desta: o egoísmo. O egoísmo faz o ser humano querer tudo, e querê-lo só para si. Se é certo que este móbil de acção fez alavancar o desenvolvimento da Humanidade de uma certa forma, verdade também o é que o seu lado mais selvagem, sem regulação e com ausência total de valores, sentimentos e emoções por outrém tornou o mesmo sistema económico doente. O auge manifesta-se hodiernamente através da verificação não só das gritantes desigualdades entre os seres humanos mais pobres do planeta, que nada têm e morrem à fome, muitas vezes ainda na infância, com as criaturas mais ricas do planeta, que nada sentem, mas aparentemente podem tudo e tudo (ou quase) têm. As sociedades de hoje, selvagens, onde impera a lei do mais forte, têm levado à destruição do planeta e irão levar à destruição da Humanidade. A transformação das sociedades humanas, para sociedades pós-humanas dirigidas por máquinas e super-computadores irá levar à escravização do homem por si proprio, numa perspectiva colectiva mas também auto-individual. Felizmente, vai-se notando em alguns seres humanos mais ricos a capacidade de percepcionarem que são seres mortais, e que, a passagem por aqui, pode ter algum significado para além daquele desejo que os fez mover na aquisição e acumulação substancial de riqueza. Felizmente, a humanidade na gestão do conhecimento e das emoções também se alavancou um pouquinho. E é nessa alavancagem que devemos colocar as nossas esperanças. Nos Estados Unidos, símbolo maior do sistema capitalista, verifica-se, pontualmente, isso mesmo. Uma preocupação e ação consequente de algumas pessoas extremamente ricas distribuírem, eles próprios, tudo o que ganharam durante uma vida. Essas pessoas podem ser uma inspiração. Pela capacidade que têm de, sobretudo, sentir, mas também de pensar, um pouco além do que seria de esperar. Que o capitalismo caminhe no sentido de reverter os danos, em todos os sentidos, que tem vindo a fazer, na história da Humanidade.

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