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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

30
Mar20

UE defunta ou renascida do meio da guerra?

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A História vira em dias, ou em horas, ou em minutos, para o bem e para o mal. Em tempos de gestão louca de crises inesperadas parar e pensar é quase impossível, mas há pensadores que o sabem fazer para além da espuma dos dias. Nesta guerra que vivemos de China contra EUA, ou de Oriente contra Ocidente, importaria ouvir quem sabe muito, mesmo muito! A nível mundial não é fácil encontrar, confesso que gostaria de ouvir Henri Kissinger, mas a nível europeu, Jacques Delors já se pronunciou publicamente, e, infelizmente, não augura nada de bom, para a UE, a continuar assim. Vários são os pedidos e argumentos para se emitir dívida conjunta dos países para fazer face a esta crise pandémica pelos Estados Membros, porém os países do norte, nomeadamente Holanda e Alemanha manifestam-se contra. Mas Merkel tem alguma sensibilidade face a esta situação do futuro da UE, e Merkel vai assumir, já no próximo dia 1 de Julho, a Presidência do Conselho Europeu. A chanceler, que vai sair do governo alemão em outono do próximo ano, tem aqui a sua oportunidade diamante de inscrever o seu nome na História e ficar nos grandes, nos corajosos, enfrentando o status quo em nome de valores mais altos, do valor mais alto de todos: a paz. Tem aqui a oportunidade de ficar na História se implementar um Plano Merkel, à semelhança do Plano Marshall que reconstruiu a Europa pós II Guerra Mundial, das quais a própria Alemanha foi um dos países mais beneficiados. Infelizmente acredito pouco nesse rasgo, mas mantenho a fé em milagres. A nível nacional, Portugal está a ser um exemplo sob a direção de António Costa, no exercício governativo da gestão desta crise sanitária. Qual o problema do país, então no futuro? A crise. Esta crise vai ter um impacto muito grande em nós e não temos, mesmo que tivéssemos o superhomem a dirigir Portugal, solução mágica. Porquê? Porque somos vizinhos da Espanha e a Espanha está sob uma crise sanitária brutal que vai levar muito mais tempo a controlar do que a nossa, e, por isso, a nossa vida está totalmente condicionada pelo que acontece aqui ao lado. É o lado negro das falhas de soluções em rede, que não são culpa de ninguém, apenas se acentuam por vivermos em soberanias partilhadas, mas soberanias. Por isso (e por outros motivos) é que normalmente, na História, os Estados Unidos dão a volta muito rapidamente às coisas, têm uma cultura resiliente, de luta, de foco, de pragmatismo. Infelizmente, este ano eleitoral nas Américas irá colocar de novo no comando do barco americano alguém sem "cultura" mas é muito pior do que um país opaco, sem rosto, sem democracia, sem Estado de Direito. Assim é a China, o país onde de iniciou esta pandemia mas que não a sofreu nas suas maiores cidades como Shangai e outras, o país que compra as infraestruturas chave, com a sua diplomacia económica, em todos os cantos do globo. Portugal está numa situação delicada. Portugal tem de saber pensar o seu futuro. Saber escolher, a partir daqui, que infraestruturas quer construir, mesmo entre aquelas que estavam em processo de concretização. É importante repensar obras públicas e investimento, porque o melhor investimento será sempre nas pessoas!

24
Mar20

Darwinismo em laboratorio

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As sociedades actuais encontram-se em fase de experimentação laboratorial, e não é só desde que surgiu esta situação calamitosa do vírus covid19. O darwinismo social que se observa tacitamente nas sociedades foi escancarado por vias da saúde pública no Reino Unido e isso é inadmissível. Tal como é inadmissível outro tipo de políticas de "sobrevivência dos mais fortes" que têm sido a base do sistema vigente. Estes são tempos de mudança e podem ser uma oportunidade para alcançar um maior equilibrio entre as pessoas, para alcançar maior igualdade, maior sustentabilidade, maior justiça, mais tolerância, fraternidade e mais paz. Nestes valores universais ou naturais, as religiões têm e sempre tiveram um papel conformador e pedagógico mas têm falhado muito as igrejas na concretização dos valores que propalam, seja a igreja católica, sejam as outras, seja ao nível local, seja ao nível nacional ou central. Meras palavras não bastam, pois " à mulher de César não basta sê-lo é preciso parecê-lo", e as igrejas não têm sido, nem parecido. As mudanças necessárias são ao nível das mentalidades, ao nível dos comportamentos, mas também são fundamentais mudanças políticas, que possam propulsionar os próprios comportamentos dos cidadãos, ainda que habitualmente sejam os cidadãos e as sociedades a evoluir mais rapidamente do que os poderes públicos e as leis. Assim, é preciso direcionar o consumo dos cidadãos para comércio e indústria sustentável e de proximidade, é preciso penalizar e taxar as industrias poluentes como os têxteis, os transportes (acabar com as isenções e apoios às companhias aéreas, por exemplo), as industrias alimentares artificiais, e promover as industrias culturais e creativas e as científicas e tecnológicas. As políticas publicas têm de ser direcionadas de uma vez por todas para as pessoas em vez de ser sempre para os anónimos de bolsos obesos. As sociedades não são laboratórios sociais de experimentação e esta é a melhor altura para começar de novo, para retomar os valores naturais e universais, para fazer evoluir as pessoas enquanto tal nas suas individualidades e nos seus projectos de vida.

24
Mar20

Loucura Viral

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Os cidadãos têm de ter o direito à informação para que as escolhas políticas democráticas sejam feitas com a maior e melhor sabedoria e conhecimento possíveis. O descontentamento pelos sistemas, latu sensu, nas democracias liberais (na concepção de Fareed Zacaria) é um facto. O mundo segue entre o poderio cada vez mais forte da China ( e no futuro próximo, por razões demográficas, logo, de mercado, da Índia) e o poderia americano, com a Rússia e o Médio Oriente no meio deste xadrez. Os mercados e a financeirização do mundo, com o crescimento exponencial da globalização, tão sobejamente discutida na literatura académica, não conhecem fronteiras, não têm pátria, nem têm titularidade visível, têm rostos ocultos. Tal como os mercados, a poluição pauta-se pelas mesmas características: não conhece fronteiras, não tem titularidade propriamente visível, mas até tem pátria. E agora precebe-se, os vírus não conhecem fronteiras, não têm pátria, mas têm origens. Tudo isto possui um denominador comum, o capitalismo, enquanto sistema económico. Não sendo contra o capitalismo, mas estando cansada da conversa do costume dos economistas ( pelo que sendo a ciência económica uma ciência social ela é falível, e muito marcada por outra ciência social, talvez mais individual do que propriamente social, que é a psicologia) viro a minha opinião para aquilo que sempre julguei que deveria ser um paradigma que já há muito deveria ter sido alterado na esmagadora maioria dos países (talvez com excepção da Alemanha, curioso....) que é um dos princípios das finanças públicas. E aqui se cruza as finanças públicas, a economia e a política. Sim, naturalmente este é um texto político, politizado. A democracia faz-se através de escolhas, escolhas dos representantes do povo, que prestam (ou deveriam prestar) contas, com total transparência! Desde que estudei finanças públicas que nunca "engoli" a teoria de que a recolha de imposto deve ser de tal forma que as receitas igualem os gastos estatais. Sempre discordei e aqui o manifesto. A ideia de que a colecta estatal é dinheiro de todos os contribuintes é verdade, mas não é verdade de que o Estado não deve recolher "a mais" do que aquilo que necessita. Acho que está visto porquê. É perceptível o motivo pela qual justamente na Alemanha a palavra de ordem nas finanças públicas é "superávit". Habitualmente, é a direita que luta pela mínima intervenção estatal. É habitualmente a direita que luta pela privatização de todos os serviços estatais. É habitualmente a direita que clama por impostos o mais baixo possíveis. Porquê? Porque é esta direita que joga na roleta dos mercados, que privatiza lucros e suplica por dinheiro dos contribuintes quando a coisa dá para o torto ( belos free-market apologists), que surta de ganância e de miserabilismo. Mais do que nunca importa saber para onde vai o nosso dinheiro, mas mais importante importa educar financeiramente as pessoas (ensinar a poupar, a investir e a racionalizar os seus ganhos e gastos), educar financeiramente as empresas ( não podem viver sem fundos de reserva, e de favor da banca e dos Estados, nacionais ou estrangeiros) e educar financeiramente os Estados, porque os Estados somos todos nós!!! É preciso mudar o paradigma das finanças públicas, é preciso mudar o paradigma económico, é preciso mudar o paradigma social e cultural. Exijamos informação, transparência, contas em cima da mesa, para depois podermos escolher com sabedoria, porque o Estado somos nós, os governos passam, nós ficamos. Temos de aprender a viver em comunidade, com informação e transparência, como mais ou com menos Estado, mas tem de ser uma decisão dos cidadãos. Tem de deixar de haver esta cultura dominante. Talvez os mercados percam parte do seu poder com mais empoderamento dos cidadãos, e consequentemente dos Estados. Talvez os vírus biológicos deixem de ter este impacto mundial. Os vírus não são biológicos, são outros, e podem sempre ser alterados, com educação, com mudança.....O mundo louco precisa de serenar...

23
Mar20

Regresso ao futuro ....(in)certo

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Informação é poder. Um regresso ao futuro poderá ser a percepção de que nos dias que correm a informação não é passada aos cidadãos, é secreta, ultra-secreta. Depois de ter recebido um e-mail com indicação de que o coronavírus era uma encenação chinesa numa luta pelo poder global, acelerando a orientalização do mundo, e baseando-se no livro dos coronéis chineses Qiao Liang e Wang Xiangsui, de 1999, “Unrestricted Warfare: China’s master plan to destroy America”, livro que, após o email, li, é preocupante se a teoria da conspiração fôr uma realidade. O declínio do Ocidente e a ascensão do oriente é inegável. É inegável também que existe uma guerra comercial entre a administração Trump e a China autocrática. É inegável a guerra da informação entre estes dois países, agora por causa da Huawei e da tecnologia 5G e da obtenção e posse do ouro do futuro "dados", que mais não são do que informação compilada e organizada. Enquanto o mundo se encontra alucinado a fazer a gestão da crise desta Pandemia, a estratégia e a reflexão sobre ela foi colocada totalmente de parte. É assustador pensar que a vizinha Espanha e, sobretudo, a Itália, estão a passar por uma situação que não foi nunca sequer pensada. Os Worse case scenarios devem por isso passar a fazer parte de visões realistas do presente e, principalmente, do futuro. A própria União Europeia pode estar em risco se o egoísmo e cegueira alemã não for capaz de dar uma resposta à altura desta ocasião pois eles, num futuro próximo serão os mais afectados nas suas indústrias mais fortes, as tais que vão ditando o status quo da Europa e do mundo. Não foi um ocaso esta pandemia surgir antes do 5g, tal como não foi um ocaso a descida abrupta e absurda do preço do petróleo. Portugal, por seu lado, está a cometer um grande erro. Portugal tem preso (Rui Pinto) alguém que poderia colaborar ativamente com a UE para desmontar estas "teorias da conpiração", esta guerra invisível entre EUA e China. Uma coisa é certa, por mais que não se goste de Donald Trump, ao menos sabemos quem é, e quem são os seus conselheiros e o que fazem, ou tentam fazer pela calada. E da China? Zero. Se é preocupante que o descontentamento italiano possa vir a originar o desmantelamento da zona euro e da UE, por arrasto, (olhemos com atenção para a história do século XX), tão ou mais preocupante é a guerra oculta entre EUA e China, guerra que se vai manter durante todo o século XXI!! Se no futuro vamos ter de escolher entre um neo-fascismo e ou neo-ecologismo? Não vamos. Vamos coabitar com ambos, tal a pulsão dos cidadãos comuns num regresso à natureza, à sustentabilidade e à espiritualidade, com o furor tecnológico digital e de colecta de informação big data. Este mundo já o estamos a viver, para os mais atentos, já vivemos sob o neo-fascismo e o neo-ecologismo. Temos de aceitar a parte e fôr inevitável, lutar contra o que não é inevitável e fazer, cada um, a sua parte. O inteligente quer mudar o mundo, o sábio quer mudar o seu mundo. Sei que podemos ser, e devemos almejar, inteligentes e sábios.

20
Mar20

Câmbio para a herança da felicidade

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Depende de nós, enquanto colectividade e enquanto cidadãos. O nosso destino está nas nossas mãos, o livre arbítrio existe sim, até as cartas serem baralhadas novamente e voltadas a dar. Tenho observado uma aversão gigantesca à mudança, seja de nós próprios nas nossas relacões sociais com os outros, seja nos nossos hábitos e comportamentos individualmente marcados, seja na relação que cada um de nós tem consigo mesmo e com a sua relação com o seu eu, a sua essência e a sua mente, seja também na nossa relação com o meio físico que nos rodeia, no impacto que temos nele e com ele, e no medo que tolhe a capacidade de mudança de meio, a falta de coragem de virar a vida a 100%, ou a 50% que fosse. Sociedades mais dinâmicas e mais pragmáticas são mais felizes, são mais desenvolvidas, independentemente do valor que as possa mover. Muitas vezes a mudança é causada pela ignorância, pelo medo, pelas convenções sociais, por circunstâncialismos que deixam tolher a capacidade de acção dos indivíduos. Muitas vezes é apenas toldada pela preguiça e pelo egoísmo. Estamos, enquanto colectividade e simultâneamente enquanto indivíduos a passar uma prova de fogo. A existência de um vírus letal que se espalha rapidamente pelo mundo todo fez tocar os alarmes das pessoas e mudar comportamentos. Até onde poderá efectivamente levar as pessoas a mudar? A vida nas sociedades actuais processa-se a uma velocidade estonteante e a tendência é de aceleração. Felizmente a tendência de mudar também lentamente se tem vindo sentir. Os artefactos e as máscaras usados para cobrir os vazios da vida vão caindo e a pessoas vão lentamente processando as consequências dos seus estilos de vida, do impacto dos seus seres, pessoais e individuais, nas suas relações com os outros, consigo próprios e com o mundo. Nos caminhos da vida que vão, de acordo com o seu livre arbítrio, escolhendo. Esta crise que estamos a atravessar poderá ser vista como uma oportunidade de reforço de laços de solidariedade e de comunhão de valores, ideais e ações que possam ser motores de mudanças favoráveis à vida em comunidade, num combate aos atuais desafios mundiais, aos desafios das alterações climáticas e das desigualdades, mas também aos desafios das nossas concepções e relações pessoais, dos nossos eus. Porém, esta poderá também ser a causa de um aprofundamento das desigualdades e dos egoísmos, uma alavanca expressa do salve-se quem puder, do darwinismo social, do "mau selvagem". Com a feliz notícia de que o planeta tem futuro, com a drástica diminuição de poluição no nosso planeta no ar e no mar, em poucos dias, (e que produz muitos mais problemas de saúde e de mortalidade do que a actual situação em todo o mundo) mas triste com a notícia de que o dinheiro e as ajudas vai sempre para o mesmo lado, para a geo-finança, para os tubarões, fica-me a esperança de que as pressões sociais e as dificuldades das populações mundiais, dos cidadãos comuns, dos anónimos heróis seres humanos, verdadeiramente humanos, consiga ter força para exigir verdadeiras e frutíferas mudanças! A prazo estamos todos mortos mas deixamos sempre uma herança, importa por isso, fazer o bem e ser feliz, e isso passa, sobretudo pela nossa capacidade de mudarmos, de verdadeiramente mudarmos! De começarmos novas vidas, em solidariedade, em entreajuda, em tolerância, em fazer o bem e a paz, em busca da igualdade, da liberdade, da digidade e no alcance da felicidade feliz!

17
Mar20

Silêncios Ensurdecedores

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Se estiveres a atravessar o inferno, continua a caminhar, alguém escreveu. Actualmente vivemos a guerra dos ricos, (o corona virus), a guerra dos pobres, (a fome), e a guerra de todos, (as alterações climáticas) e por isso, todos estamos, de certa forma, a atravessar o inferno. Na guerra dos ricos, o medo assustador que tomou as pessoas num assalto repentino fará com que as relações sociais no futuro possam sofrer algumas mutações. Na economia, dominados que somos pela geo-finança, a incerteza é enorme e o desconhecido infinito, porém, é para o futuro que caminhamos, não para o passado (ainda que tenhamos muito a aprender com este, porque ele é cíclico, e, em maior ou menor intensidade, certos fenómenos se repetem). Tendencialmente estamos tentados a prever que vem aí uma enorme crise económica, que, aliás, já se vinham manifestando, ou, para pessoas como eu, nunca deixou de se manifestar desde os finais da década de 90!....Interessante data, e sei que bastante discutível! Desde essa altura que tenho o meu grande interesse pela Europa, pelo seu modo de funcionamento, pela fome em conhecê-la, na teoria e, sobretudo, in loco. Europa, berço da democracia e com uma riqueza histórica inultrapassável. O bloco regional mundial onde melhor se vive, apesar dos inúmeros e gigantescos defeitos. Vamos a eles: O silêncio ensurdecedor que se está a viver perante as instâncias europeias é abominável, passando apenas por tardias palavras de circunstância e de promessas fúteis de apoios escassos. Estávamos numa manhã de sábado do ano de 2011 e nunca esqueci o que me foi transmitido por um professor numa aula de estudos europeus: "o orçamento (da siemens creio) só para investigação, uma pequena fatia do orçamento da empresa toda é substancialmente mais alto do que o orçamento total da União Europeia, por isso é que eles (essa empresa) nunca se candidataram a fundos europeus nenhuns." E, naturalmente, quem diz esta empresa, diz tantas outras empresas grandes da União Europeia. A União, que gere só 1% do PIB produzido nos Estados Membros (e que anda discutindo décimas), é a organização supra-nacional que produz cerca de 70% de legislação dos Estados-membros, sob forma de regulamentos ou directivas, a legislação que nos agrilhoa, que não nos une no essencial e nos tem dividido no assessório, porque o espírito dos fundadores da Comunidade Económica Europeia, recorde-se, criada justamente para unir e restaurar uma Europa devastada pela guerra, à muito se perdeu. O Brexit pode estar a ser o prenuncio de uma desintegração europeia, caso não haja uma resposta forte por parte da mesma a esta guerra, a estas guerras, ao covid19, mas, e sobretudo, também, às alterações climáticas. No oposto das concepções ferroviárias da história encontram-se as concepções defensoras de saltos para estádios de desenvolvimento maiores e mais profundos, não lineares. As leituras de Nicholas Taleb no cisne negro descrevem-nos o impacto de acontecimentos improváveis e o que poderemos retirar deles. Aliar sabedoria e acção é algo que tem faltado aos líderes máximos europeus. A intergovernamentalização, um facto característico da concepção da relação de forças na UE, pode julgar-se neste momento, como um obstáculo, ou como uma oportunidade. Depois de cada Estado membro se esforçar em vencer esta guerra invisível dentro das suas competências internas, que se lembre que a União foi fundada num espírito de solidariedade saído de uma outra guerra. Muita união é preciso dentro da União. Haja vontade, haja sabedoria, haja fé!

16
Mar20

Estado e cultura

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Em tempos de alarmismo social, a serenidade é um posto. A sabedoria uma mais valia. Consultando a CRP verifica-se que esta não obstante a sua provecta idade continua actualíssima, porque criada, discutida, elaborada e ponderada pelos melhores. Dispõe o art. 138º que a declaração de Estado de Sítio ou de Estado de Emergência, aprofundados e diferenciados pelas suas consequências no nº 19º da mesma, a suspenção do exercício de  direitos, deve ser declarada pelo Presidente da República, ouvido o Governo e após autorização da Assembleia da República. Algumas pessoas têm manifestado críticas bastante duras tanto ao Governo, como ao Presidente da República. Prognósticos antes do fim do jogo não são fáceis de fazer. Eventualmente, irá, infelizmente, observar-se alguma morte derivada deste vírus, desta nova guerra invisível que subitamente nos vimos confrontados. O contágio deu-se de forma exponencial da China para a Europa e muito rapidamente alastrou, em força, dentro dos países europeus. As críticas feitas ao Governo são apelos para medidas extremas, as mais radicais possíveis, críticas que vêm tanto de pessoas de direita, habitualmente com "gosto" por pulsões mais autoritárias, mais ditatoriais (no sentido de bastante restritivas dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos), como vêm de pessoas de esquerda, argumentando que o Governo estará mais interessado na economia do que nas pessoas. Porém, a economia são as pessoas! O tecido empresarial português, e europeu, é constituído por mais de 75% de micro, pequenas e médias empresas! Onde está então a questão? A questão é que Portugal vai, mais cedo ou mais tarde, decretar o Estado de Emergência e tornar a quarentena obrigatória para todos, ou seja, ninguém pode sair de sua casa. O Estado de Emergência terá vindo para ficar, mas cabe a nós, Portugueses, adotar os melhores comportamentos possíveis de modo a protegermo-nos e a proteger os outros, porque o vírus é letal para idosos como para jovens, engane-se quem pense o contrário. A Constituição da República Portuguesa, tal como está, não precisa ser alterada, e, num balanço ponderado de poderes não poderá haver culpados, se houver alguma baixa por causa desta guerra invisível. Só em ditadura (e nem em ditadura?! como China, Taiwan, Singapura, Macau, etc,) seria possível ter 0 baixas!! Há uma espécie de "fome de hienas" à espera da primeira notícia a esse respeito em Portugal. Triste e lamentável. A mesma fome de críticas que se tem vindo a assistir aos poderes políticos, seja ao atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, por estar em quarentena mesmo depois de um exame negativo com o argumento de que é covarde e abandonou o barco, seja a fome de críticas ao Governo, com argumentos de que a economia é mais importante, ou de que o governo é fraco e a incompetência enorme. Discordo  dessas avaliações e rejeito essa "fome de hiena" porque não sou uma hiena! Temos a melhor ministra da saúde que poderíamos ter! Temos o melhor e mais bem preparado primeiro ministro que poderíamos ter! Temos um Presidente da República sensato porque actua, ensinando pelo exemplo, e medindo as suas acções, da melhor forma que sabe e com o feitio/personalidade que tem (falo com isenção, pois o meu voto não foi para ele). Os portugueses necessitam de abandonar este comportamento de crítica fácil e insulto gratuito. Não faz de nós melhores pessoas, bem pelo contrário, faz de nós piores pessoas. É fácil ser treinador de bancada, principalmente com máscara, não máscara de farmácia, mas máscara de computador! Alguns dos que criticam são os mesmos que pertencem naturalmente ao espaço eleitoral do bota-abaixismo e do populismo. Há outros vírus que é preciso combater, vírus esses que se podem manifestar nas cabeças das pessoas, sob forma de preconceito, maldade, e crítica grátis, como se impactam depois externamente, nas escolhas políticas que se vão fazendo. É preciso combater todo o tipo de vírus, toda a espécie de vírus, porque eles andam aí!!!!! (PS: sou a favor de uma candidatura do centro esquerda para as presidencias de Janeiro 2021, para combater estes vírus que por aí andam, ainda que, aparentemente, possam não ser eleitoralmente identificáveis com os mesmos espaços políticos....pedagogia, debate e diversidade é também preciso....)

15
Mar20

Cegos em meio de tiroteio

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Hoje, ao falar com uma amiga, num contexto pessoal e profissional, ela saiu-se com esta expressão "estão como cegos em meio de tiroteio, não sabendo de onde vêm as balas". Imediatamente descontextualizei e recontextualizei na minha cabeça para o problema nacional e mundial da pandemia decretada pela OMS, embora ela esteja passando ao lado da situação no seu espaço geográfico. Verdade é que uma parte da humanidade está como cego em meio de tiroteio, porque estamos a vivenciar uma guerra invisível, não declarada, não prevista, e, estranha, porque falta informação. Este bio-terrorismo, ou guerra que fura as tradicionais concepções de Estado contra Estado vem levantar diversas ressalvas: A necessidade de aprofundamento de uma ordem mundial dotada de poderes próprios, a importância das redes de cooperação supra-estaduais, a importância da ONU e suas agências (no caso OMS), a importância da reflexão dos problemas que afectam, hoje, as sociedades de uma forma geral. Vivemos em guerra de (des)informação, chegam opiniões sobre a criação e libertação propositada deste vírus para fins geo-estratégicos e de geo-finança abjectos, chegam opiniões dos tiranetes economicistas dos impactos nacionais e globais neste domínio. O poder excessivo do dinheiro nas sociedades tem de acabar e este poderá ser o ponto de partida para essa luta global, para a transição para comunidades e cidadãos saudáveis, em comunhão com a natureza e com o desenvolvimento tecnológico, porque há métricas que não se avaliam, não têm mensuração, porque têm valor mas não têm preço. Esta guerra contra o vírus invisivel caracteriza-se por ser uma guerra em que o teatro de guerra não tem delimitação específica, pois pode viajar para qualquer canto geográfico mundial onde consiga viver o vírus. E são poucos os locais, e o alastrar foi demasiado rápido para países e espaços extremamente interligados entre si, pelo que, não há fuga possível, nem para os ricos, ainda que houvesse quem tivesse escrito (julgamentos à parte) que o pânico se havia instalado por ser vírus que ataca os ricos, contrapondo ao "vírus" da fome, que mata diariamente números astronomicamente absurdos e eticamente totalmente inaceitáveis. Verdade é que a fome, a poluição e outros tantos problemas mundiais foram criados pelo homem e já poderiam ter sido facilmente erradicados da face da Terra, houvesse vontade política para tal. O vírus, a ser verdade que se tratou de uma jogada da geofinança/geopolítica, (ouve-se de tudo, desde culpar os EUA, como culpar a China, que liberta o vírus, para vender ao resto do mundo a sua vacina e/ou para comprar empresas mundiais jogadas no charco) tem de ser combatido pelo poder político, porque ignorar a fome do mundo não causa tumulto social nas democracias liberais, a poluição vem causando um ligeiro incómodo, mas agora, agora, tudo mudou. As sociedades e as pessoas, nos seus relacionamentos interpessoais não serão as mesmas, sofrerão (ainda mais!) de stress crónico, serão mais desconfiadas, mais egoístas, mais afastadas, mais robotizadas, em suma, menos humanas, do que antes, ainda que se verificará um acentuar na busca de aprendizagens e respostas das industrias da espiritualidade. Aqui e agora, Lampedusa não tem lugar, tudo mudou e nada será como dantes..... A História da Humanidade mostra que o homem sempre sofreu muito, e também sempre foi mau, mas foi esse mesmo homem que fez evoluir os mundos, que os tentou melhorar como pôde e soube, dadas as circunstâncias....O homem (ainda) é mau mas está menos mau, talvez por já se ter consciencializado que desta terra nada levamos, a não ser uma muda de roupa, e nem essa o homem escolhe. Perante esta cosnciencialização vai sendo o homem que vai escolhendo o lado em que quer ficar, o lado solar ou o lado lunar. Felizmente há muito mundo com lado solar escolhido. Haja fé! Tudo passa... Coragem!

08
Mar20

Ao contrário é melhor.

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A luta das mulheres não começou na América, através do Partido Socialista Americano, nos inícios de 1900 a propósito da exigência de direitos civis e políticos. Começou muuuuuuuuuito antes disso!!! Começou até muuuuuiiiito antes de Jesus, o marco temporal de grande parte da história da humanidade. A desigualdade biológica é notória e foi essa a desigualdade que se foi manifestando de forma cultural, social, económica e políticamente ainda antes da formação dos Estados, aquando da formação da vida gregrária em comunidades territorialmente definidas, aquando do desenvolvimento biológico do homo sapiens. As características biológicas da mulher são, antes, características inerentes à sua condição de fêmea, de ser vivo gerador de vida, gerador da vida continuadora da espécie animal. Nós, mulheres, somos, antes de o sermos, fêmeas, seres que geram vida, seres garantes da continuação da espécie. Somos mulheres depois disso, somo mulheres sendo humanas, está inerente em nós. Por sermos humanas temos muitas outras diferenças biológicas relativamente aos homens: temos cérebros diferentes, temos músculos mais fracos, entre outras coisas. Foram a fraqueza dos músculos, a diferença dos cérebros e, a condição de geradoras de vida que nos foi tornando submissas face ao género oposto. Os papéis sociais e económicos das mulheres foram desde sempre, desde o início, determinados pelo género oposto, de total inferiorização, apagamento e eliminação. Muito poucas foram as sociedades ou culturas tribais matriarcais onde a preponderância feminina fosse a ordem natural. Hoje em dia algumas comunidades restritas e afastadas e a cultura do Japão permitem afirmar a mulher como detentora de mais poder, ou de poder quase exclusivo em relação ao homem. A mulher foi durante milénios tida como objecto sexual do apetite masculino. No ´seculo XX dois acontecimentos vieram alterar um pouco as coisas: a invenção da máquina de lavar roupa e o surgimento da pílula como contraceptivo feminino. As mulheres foram ganhando terreno face a alguns direitos básicos, como o direito de participação, a liberdade de expressão entre outros, mas tudo muito muito lentamente, e isto apenas, em alguns países ocidentais do mundo! Até à bem pouco, a mulher ainda que coadjuvada por estas duas invenções, era completamente desconsiderada nos seus desejos e aspirações, fossem eles pessoais, fossem eles profissionais. O filho homem era o herdeiro da fortuna, e futuro dono da casa, detentor do poder de escolha da sua "amada", o castrador Todo Poderoso, Deus no céu e o troglodita na Terra, o "pater familiae" conservador de uma ordem social religiosa da vida privada hipócrita e abjecta, para ser eufemista. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, primeiro sob a capa da informalidade depois com a conquista de direitos laborais, do direito a laborar "latu sensu", ainda que inicialmente em sectores de actividade muito limitadas, o troglodita, o bicho macho, começa a sentir a ameaça da perda do seu poder egoticamente divino. No entanto, as mentalidades são as últimas a mudar e a cultura, essa, muito dificilmente mudará. No mundo, a mulher continua consideravelmente desconsiderada, na Índia são tidos como bichos, que comem no chão, objectos, mão escrava de trabalho, nos países islâmicos pouca ou nenhuma diferença há. Nos países de leste são violentadas, em África escravizadas, nas Américas Central, do Sul, e no Oriente, em transição para a autonomia entre a violência e a violação e, na Europa e EUA, de facto, ainda sem a igualdade e dignidade merecida, tanto em casa como na rua. Estamos longe. Estamos a mais de 300 anos de uma igualdade formal, sublinhe-se formal, naqueles países considerados mais desenvolvidos. Em termos concretos, a mulher é diferenciada na educação e na sua ocupação e hábitos diários desde que nasce. E aqui, as mulheres mães têm muita muita culpa!!!! A sociedade é, por outro lado, extremamente cruel com as mulheres desde a sua adolescência até à idade avançada. Por um lado aponta o dedo à mulher que não trabalha (fora de casa) por opção, com a mesma facilidade com que critica a mulher desempregada, por sê-lo, criando um estigma gigantesco, uma injustiça infinita e uma desumanidade inqualificável. É a mesma sociedade que exige que a mulher seja bela, elegante e perfeita fisicamente, mas que a chama de puta se tiver parceiros muito cedo, ou muitos parceiros sexuais. É a mesma sociedade que ignora propositadamente o trabalho doméstico invisível. É a mesma sociedade que não quer saber de quem cuidou dos filhos, com noites mal dormidas, e dos pais, com a limpeza higiênica das necessidades básicas dos idosos. O homem até faz alguns dos trabalhos que eram previamente "destinados" às mulheres, só que passou a fazer disso actividade profissional. A autonomia feminina e o seu empoderamento vão ganhando muito vagarosamente mais peso. Era ótimo que cada homem por cada relação sexual que quisesse tivesse mesmo efectivamente de pagar por ela, mesmo casado, ou ainda que casado! Era ótimo a mulher poder pegar nos classificados e escolher a "carne" do catálogo, discutindo-a depois nos fóruns virtuais e não virtuais! ( E nem queiram saber o que diríamos! pois esse é, erroneamente, o vosso calcanhar de Aquiles). Era ouro sobre azul a mulher chegar a casa depois do café com as amigas (vulgo futebol) e ter o escravo a cozinhar para ela e para as suas crias, as crias que transportou durante 9 meses, que lhe modificou o corpo, lhe deu dores e lhe modificou a alma. A cozinhar todos os dias. E ainda abrir o melhor tinto e degustá-lo egoísticamente. Obviamente não é a minha concepção da sociedade e, sobretudo, das relações humanas. Homens e mulheres são diferentes sim, mas os homens têm de passar a tratar as mulheres como merecem, tal como as mulheres têm de passar a tratar-se umas às outras de outra forma completamente diferente, independentemente dos papéis sociais. Mas que ao contrário era melhor, a alteração total dos papéis era melhor, para rir era de certeza! Para enriquecer o mundo também! Porque nós, mulheres, biologicamente nunca seríamos ou seremos, trogloditas. O mundo só será melhor na igualdade, na percepção de que deve ser tratado como desigual aquilo que é desigual, e nós somos desiguais dos homens. Somos melhores!

07
Mar20

Multipolar ou multipolar ou nada disso?

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Multipolar é uma palavra em português com multiplos significados. Tanto pode ser utilizado no campo das doenças mentais dos individuos, como pode ser utilizado como conceito caracterizador e adjetivador do mundo nas relações internacionais, como, na extração original do seu significado pela física, simples e simplisticamente como algo que tem mais de dois pólos.  Vivemos num mundo multipolar nas suas aceções e Portugal é um exemplo notório disso, talvez mais do que outros países e outras culturas. O país tem uma História longa e complexa: se por um lado somos filhos dos italianos, por outro somos pais dos brasileiros, e ainda temos o irmão desavindo aqui ao lado e uns quantos de afilhados espalhados pelo mundo. Enquanto povo, temos de nós próprios imagens distintas, temos o fado e a melancolia, temo-nos como um povo simpático e resiliente, mas depois também nos temos (normalmente apontamos aos outros) como preguiçosos, egoístas, vigaristas. Confesso que por parte de estrangeiros também já ouvi os dois pólos, povo bom, simpático, simples, trabalhador, humilde, lutador, empreendedor, como já ouvi que somos atrasados, arrogantes, maus, invejosos, preguiçosos e aldrabões. Creio que somos um povo multipolar, sim! Por isso temos muuuuuuito a aprender para alcançar um denominador comum que faça de nós um povo (ainda) melhor! O país tem uma história de glória floreada, mas difícil, de sobrevivência nas adversidades e na pobreza. Continuamos extremamente pobres! Hoje foi noticiado que, para efeitos fiscais é considerado rico quem ganha tanto ou mais do que......quem ganha o salário mínimos nacional em países europeus como Holanda, Bélgica, França ou Alemanha, para não falar da Suíça e do Luxemburgo. Abstenho-me de comentar.....Com o 25 de Abril, Portugal sofreu transformações: consolidou instituições democráticas, políticas e de outras ordens. A confiança de um povo nessa nova era de esperança após um período de ditadura prolongado deu alento e optimismo durante décadas; conquistou avanços sociais, em vários domínios mais gerais ou mais específicos, na concretização de ideais de igualdade e tolerância a sectores sociais e a cidadãos e cidadãs comuns numa base diária e sociológicamente visível; conquistou avanços na sua própria imagem internacional, como país igual, de Estado de Direito, desenvolvido porque europeu, mas ainda não conquistou avanços económicos significativos, repito, significativos, para que possa depender de si próprio enquanto Estado produtor e gerador de uma economia saudável, concorrencial, sustentável e humanamente civilizada ou não selvagem. Um dos problemas é sermos pequenos em termos territoriais mas também, e sobretudo, pequenos em termos mentais e comportamentais. Num momento em que escândalos de corrupção se sucedem a escândalos das instituições de inquérito, controle e punição, como o são as instituições da Justiça pelo mesmo motivo, o Estado de Direito fica em xeque. Num momento em que um vírus pouco mortal comparado com tantas outras causas de morte não naturais dos cidadãos arrasta economias e comportamentos esquizofrénicos para algo irracional, fica em xeque a solidez das sociedades. Num momento em que os recursos naturais cada vez escasseiam mais, em que a poluição cada vez mais destrói o planeta, não conhecendo fronteiras, e em que a pressão demográfica mais do que aliviar, agrava, e bastante, o planeta, as interrogações da (in)sanidade do mundo colocam-se reiteradamente. Para o cidadão bom e cumpridor, o sistema está podre e o sentimento de impotência, revolta e conformismo, por esta ordem, e até ver, consolida-se. Consolida-se também, ainda que em linguagem corrente e não técnica a necessidade de questionamento do funcionamento das instituições de Justiça, e das premissas em que assenta o direito penal geral, em particular. Sonhos de penalização mais gravosa e, até, eliminação dos maus, a um estilo semelhante ao "Minority Report" mas numa prespectiva pós, porque nos falta a tecnologia avançada para a concretização da perspetiva pré, vai ganhando cada vez mais adeptos. Por outro lado, a falta de organização e de fiscalização/auditoria é, de facto, algo intrínseco que faz parte da nossa cultura e do nosso atraso atávico, que tem de ser eliminado para conseguirmos expurgar uma parte significativa do mau que temos em nós. Precisamos, enquanto povo, de aprender com as outras culturas, com todas elas, sublinho, com todas elas, para o bem e para o mal, sim, para o bem e para o mal. Depois, cada um de nós escolherá, individualmente, como quererá ser recordado e, enquanto comunidade como quererá ser vista. Há dias foi-me relatada uma situação real: uma jovem acabada de mestrar, havia concorrido para um museu dinamarquês onde era obrigatório o envio de uma carta de recomendação. A inocente miúda contactou o seu orientador, que não se negando a tal, nunca mais lhe respondeu a e-mails ou telefonemas. O que ganhou ele com isso??? Porquê o egoísmo e maldade gratuita reinante e marcante neste país? Será que nunca iremos entender que é em espírito de união, entreajuda e altruísmo, união, entreajuda e altruísmo, que poderemos ser melhores? Que poderemos deixar de classificar os ricos deste país como os equivalentes a qualquer cidadão europeu? Somos tão pobres assim? De espírito? Os portugueses emigrantes, independentemente da sua situação económica, mas sobretudo os mais pobres, conseguiram crescer, interiormente, e nas suas comunidades, muitas vezes sob o ponto de vista material, de uma forma que nunca conseguiriam em Portugal, e nunca, infelizmente, tendo em conta apenas as condicionantes económico/políticas, que as houve, há e haverá, naturalmente. É cultural! Comummente se ouve críticas, par dar dois exemplos rápidos, aos EUA e ao Brasil. Do pouco que conheço, vejo muita literatura apologista da busca de mentores, de modelos, num espírito de ação e empreendorismo, de modelos sociais de voluntariado e de espírito verdadeiramente comunitário, que muito tem para nos ensinar. O mesmo no Brasil, país marcadamente influenciado pelo primeiro, no que este tem de bom e de mau. Mas o bom está lá muito marcado e acentuado: a busca de mentores, a ajuda altruísta, o espírito comunitário, com a diferença que os EUA, por motivos culturais possuem uma marcada ênfase comercial, e os brasileiros, por motivos culturais, uma marcada ênfase dialogal: tudo e sobre tudo se conversa e se conversa tão constantemente, como mais em parte alguma do mundo. De facto, os melhores oradores vêm destes países. Nós, calados, fazemos pela calada, o bom e o mau, o bom porque não somos (re)conhecidos, o mau porque somos assim.....infelizmente. Também pegando nestes dois países, de um dizemos que são o piorio, numa falsa aura moral que tentamos manifestar fruto, eventualmente de algum complexo de inferioridade, no entanto os EUA são o país mais avançado do mundo em tantos domínios! Do Brasil falamos também coisas más que me abstenho de adjectivar e que não têm conhecimentos sólidos das coisas. Será??? Posso arriscar que têm conhecimentos sólidos na natureza humana e na vida em sociedade/comunidade. Para quê ter conhecimentos de 3 anos em latim e de chafurdar em tanto conhecimento académico inútil de um sistema educativo da Idade Média, na forma e no conteúdo, que nos continua a ludibriar? Andamos enganados? Sim!!! Vemos a vida a passar, literalmente, a vida a passar, as injustiças a acontecer, com os outros e connosco, e tanto impacto têm em nós!!! Injustiças com as quais não conseguimos lutar, porque o sistema está podre, porque a cultura é f####!!! Somos multipolares, andamos à deriva, económica, cultural e espiritualmente, egoísticamente inferiorizados. É uma pena, portugueses contra portugueses, com tanto potencial para fazer vingar um jogo win-win entre todos, no país e no mundo, mas prefere a luta de todos contra todos, do loose, loose. Perdemos todos.

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