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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

26
Abr20

Planeamentos planificados

bateu_fundo.jpg

Portugal é um país pobre. A ruralidade foi a sua marca desde há vários séculos, tendo sido uma das causas da falta de desenvolvimento do país, a par do seu analfabetismo. Após uma ditadura de mais de 40 anos que precisamente apostava na continuidade de um modelo de cidadania assente na ignorância e desconhecimento e na ruralidade de um povo conservador e castrado apenas gozando de felicidade nas vitórias do glorioso. Após o 25 de Abril, que nos livrou da guerra e da ditadura dos "lentes". O país conheceu um desenvolvimento extraordinário em muito pouco tempo, em termos sociais, económicos, culturais e políticos, porém ainda pode fazer um esforço maior e mais rápido se souber delinear uma planificação a curto, médio, longo prazo, mas não tão longo porque, como dizia o outro " a longo prazo estamos todos mortos". Não podemos cair na imagem acima destacada, ela tem de fazer parte do nosso passado. Para quem como eu passou 3 anos obrigada a estudar latim, confesso, que sempre senti o ensino, até no seguimento escolar seguinte um absurdo dada a anacrocidade da Educação, com tantos problemas que tem em termos conceptuais e justamente o verdadeiro motor de alavancagem de qualquer desenvolvimento económico-social. Ou não. Frequentar a escola não é sinónimo de melhor condição de vida uma vez que na escola não se aprende o que se deveria aprender....Daí a importância de outra escola, a escola da vida. A educação e seu acesso, por outro lado, moldam as sociedades para direções não planeadas justamento por cederem às forças lobistas de interesses enraizados e corporativos que vêm de vários lados, de empresas, de professores, de ordens profissionais, etc....Por exemplo, o país constrangiu durante décadas o acesso, através de números clausus, a cursos como o de medicina, e o resultado (a falta de visão) paga-se caro, porque são profissionais necessários em qualquer sociedade sobretudo naquelas em rápido envelhecimento como a nossa. O sector da saúde é, por isso, também, um dos sectores onde mais se sente a falta de gestão, organização, planeamento, porque podemos ser trabalhadores em educação mas sem saúde ninguém trabalha, e na produtividade, as questões da saúde (ou falta dela) são por demais importantes havendo diversos estudos sobre o impacto das mesmas. Todo o mundo ao longo da sua vida profissional tem mais do que um problema de saúde grave, quando não tem um problema grave prolongado e subsistente, no entanto, não há aposta na investigação científica, não há aposta nos profissionais do terreno (públicos ou privados) independentemente da sua função, não há aposta num sector que deveria ser uma prioridade pois assenta numa necessidade básica universal, e por isso, facilmente "exportável", fosse na área de serviços, fosse na área científica, fosse na área académica, fosse nas áreas industriais, onde a interdisciplinariedade vai ser cada vez maior. Esta é uma avaliação estrutural (não conjuntural) e pessoal, claro. Por outro lado, os poderes públicos fazem os esforços possíveis, mas não tentam os impossíveis (e se os governantes ganhassem o seu salário em função dos resultados apresentados? interessante não?) para claramente avaliar o país e as suas necessidades destacando as áreas de concorrência onde, num mundo em rede e globalizado, mais apetência e razão apresentariam face aos outros Estados? outro exemplo. Portugal e Holanda. Foi aberto um braço de ferro entre os holandeses e os países do sul tidos como preguiçosos. A Holanda, país que vive da exportação de flores, do turismo das drogas leves e ruas vermelhas, do paraíso fiscal e dos portos de abastecimento marítimo obviamente não tem interesse e tudo fará (como sempre fez) de impedir que Portugal tenha uma estrutura competitiva, em termos aeroportuários e ferroviários, uma vez que isso lhes faria concorrência directa nas suas actividades económicas principais, no entanto Portugal tem tudo para ser logisticamente a porta de entrada, como sempre foi, por via marítima de bens vindos de todo o globo, sobretudo das américas e das àfricas. Falta vontade e estratégia para combater estas manipulações e movimentações intra-europeias se os Estados prosseguirem os seus interesses exclusivos em detrimento do interesse colectivo da União. Por causa da riqueza da sabedoria da sua história não se pode julgar os ingleses por terem deixado a UE, ou, mesmo antes disso, nem sequer terem entrado na moeda única. Estamos a aproximar-nos de momentos decisivos na política europeia e mundial e, por isso, sobretudo, nacional. É hora de olhar o país com olhos de ver e agir deixando o imobilismo e laxismo de lado bem como, também, o ignorismo, pois somos um grande povo mas crédulo e bom na sua essência. A mudança já vai tarde porque no curto prazo estamos todos vivos.....

25
Abr20

Culturas oblíquas

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A pandemia que estamos a viver faz-me intuir que irá contribuir para o afastamento cada vez mais generalizado dos cidadãos, dada a sua (in)capacidade de acção, confinados que estão às suas casas, destinatários passivos do que lhes é ofertado pelos diversos órgãos de comunicação social. O afastamento não é de agora, mas parece que se acentuou e acentuará mais, não obstante o tempo presente e futuro ser de discussão e ação política. Em Portugal é um sistema agrilhoado que se sente impotente perante uma organização supra-nacional confusa e extremamente distante, fisicamente e mentalmente, das pessoas e dos seus problemas, porque dominadas por elites pouco aptas à abertura do mundo que efectivamente se verificou nas últimas 3 décadas. A pandemia veio parar o mundo, eventualmente irá mudar um pouco as pessoas nas suas relações sociais com mais distanciamento e mais desconfiança e isso sucederá ainda mais também com os políticos. É para mim uma incógnita, por exemplo, prever como se irá encontrar o mundo no final do ano uma vez que temos uma eleição presidencial no final do mesmo que pode virar muito ainda, a eleição do presidente dos Estados Unidos da América, e também, por se tratarem de eleições distintas nas suas características, as eleições municipais brasileiras em Outubro deste ano. Sinceramente, desconheço de que forma se faz política, de que forma um político consegue catalizar votos se está tudo fechado em casa, cada vez mais afastado do mundo, e dos políticos, por descrença cada vez mais crescente nestes. Em Portugal a questão não se coloca, bem ou mal, para o início do próximo ano, uma vez que não temos um presidente no exercício de um segundo mandato. Os Portugueses são conservadores por isso pouco muda, aliás, hoje, dia 25 de Abril, pode dizer-se que em Portugal é tudo demasiadamente lento. Cruzei há horas com uma entrevista em que o entrevistado afirmava que " lá fora estamos inseridos em sociedades em que o sucesso é bem visto e premiado e não numa sociedade em que o sucesso é invejado e convém ser destruído". A frase pode ser polémica uma vez que é extremamente forte, mas, no fundo, torna-se verdadeira, porque a cultura de cá é oblíqua, incompreensível para um país pobre que já foi dono do mundo, pelo menos reza a história.  A incapacidade de apoiar o próximo, de se ficar feliz com os sucessos pessoais ou profissionais (porque há muitas formas de sucesso, embora o entrevistado tendesse implicitamente a direcionar a abordagem apenas para o lado profissional), a apatia reinante, o sentimento de procrastinação pessoal e profissional e o conformismo e conservadorismo tornaram-se assim nódoas negras enraizadas neste território plantado à beira mar. Ontem, em buscas fúteis, deparei-me com algo que me deixou a pensar: como é que existem pessoas bastante novas com três casamentos no lombo e, de certeza, sempre felizes, e como é que existem pessoas extremamente jovens com rendimentos milionários e contas recheadas. Porque a cultura da sociedade onde se inserem é propícia ao crescimento rápido (latu sensu), ao pragmatismo, à luta pela vida e pela felicidade, ao foco em si mesmos, em contraponto à passividade inerte de outras sociedades, tal como a conservadora portuguesa, a exuberante francesa, a linear italiana, ou a organizadinha alemã. A mesmice não é um bem, é uma morte lenta das pessoas e dos seus espíritos, porque saem nas estações anteriores às estações de comboio das outras sociedades. Mas há uma esperança! A concepção ferroviária da história já foi desmontada e, sabemos por isso, que pode haver saltos qualitativos e quantitativos das sociedades, e, por analogia, das pessoas, mesmo que isso implique o afastamento físico dos agrilhoamentos que nos vão colocando amarrados em coletes de forças. Podemos libertar-nos a qualquer momento e virar tudo ao contrário, fazer o melhor de nós e para nós, ter sucesso, porque toda a gente merece tê-lo, sem invejas e mesquinhices. Já refleti sobre as pessoas em aprendizagem e as que já nascem sabidas pois essas, se nascessem a saber inglês certamente dominariam o mundo, e este seria, definitivamente melhor. Se não lutarmos, render-nos-emos.

25
Abr20

Valores infinitos

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A liberdade é um bem inestimável. A sua comemoração está normalmente associada a datas de libertação dos povos de jugos autoritários ou castradores das mais diversas liberdades. Curioso não haver uma data mundial que simbolizasse o dia internacional da liberdade, tal como há para outras ocasiões, algumas delas pouco interessantes até. A liberdade comemora-se no dia 25 de Abril, em Portugal, tal como em Itália. Itália, um dos primeiros países a ser afectado por esta calamidade planetária que, justamente, nos priva a todos da liberdade física, tão inestimável. Privação essa que nos afecta porque todo o mundo exterior se reflecte no mundo interior, mas é dentro do mundo interior que a liberdade se pode tornar libertária, libertação de nós, em nós, por causa dos nós que fomos carregando ao longo do tempo. De facto, as mais variadas formas e manifestações dos diversos tipos de liberdade são um bem de uma grandeza absoluta, ainda que muitas das liberdades possam derivar de concepções e gradações relativas que temos connosco, com o mundo e vice versa. Associado à liberdade, de certa forma, costuma vir também a paz. A paz, comemorada internacionalmente no dia 1 de Janeiro por todo o simbolismo de esperança que consigo transporta, é, no quotidiano, a maior manifestação de serenidade, felicidade e harmonia interior que qualquer ser humano pode sentir. A paz é a ausência de guerra, ausência de violência, ausência do mal, é, por isso, a busca primordial diária para quem quer alimentar o espírito, encontrar-se e desenvolver-se, bem tão valioso nos tempos que correm, porque a guerra não é só aquela oficial de Estados contra Estados, mas também as lutas e disputas desgastantes vividas entre seres tomados pelos pecados capitais da natureza humana, venenos engolidos pelo uso da força, nefasta, cientificamenta provada aos corpos e aos espíritos. Se podemos viver aprisionados mas com paz? Podemos. E poderemos viver livres porém em guerra? também. O que é pior? Qual o valor que, por lógica, é mais valioso? Creio que a paz, ainda assim, dependendo do caso concreto. Não obstante, há ainda um outro valor mais valioso do que a paz, porque mais forte, mais poderoso, mais transformador: o amor. Niguém vive sem manifestações ou emoções de amor, seja do amor dos pais, da mãe, dos filhos, dos companheiros, dos amigos, seja as manifestações do amor à natureza, aos animais, ao universo, ao mundo físico e ao metafísico, ao amor próprio. Emocionamo-nos com histórias de amor entre pessoas, entre bichos, e sabemos que não podemos viver sem. O amor acaba por ser um caminho de libertação para a paz interior e universal. É por isso liberdade e é por isso paz. O amor cura tudo e é eterno, o amor é Deus! Amor, Paz, Liberdade, Solidariedade, Justiça, Tolerância, Igualdade, o meus 7 valores universais a traduzir em comportamentos virtuosos, connosco e com o mundo exterior. Ergamo-los sempre! Até ao infinito....

24
Abr20

Dados ou comprados?

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Deus não joga aos dados, escreveu Einstein, mas não é sobre relatividade restrita ou geral que quero escrever somente. Os dados em que penso são os dados que se traduzem em informação colectada acerca de pessoas, de cidadãos. Afirma-se que os dados são o petróleo do futuro, num mundo cada vez mais digitalizado e que direitos liberdades e garantias podem sofrer grandes revés no sentido como hoje são concecionados e valorados em algumas culturas europeias. Se por um lado a natureza humana tem um sentido de curiosidade pelo próximo, por outro lado tem um sentimento de auto-devassa quando o mesmo se concretiza, mas depende, depende dos dados, depende de quem os detém e depende da sensibilidade de cada um e da sensibilidade geral da sociedade em que se encontra. O relativismo cultural mais não é do que uma manifestação desse sentido, dado o caldo diverso de sensibilidades culturais do planeta. Se, por exemplo, temos países com sistemas de transparência a que nós portugueses estamos desabituados, como por exemplo, o site brasileiro portaldatransparencia que nos dá toda a informação remuneratória de qualquer funcionário publico do país, ou países europeus nórdicos com portais semelhantes, temos depois países extremamente opacos na forma como usam os dados que colectam, como a China e a Russia, por exemplo. O RGPD e LGDP fica muito aquém dos sistemas de informação e colecta de dados que já vem vindo a acontecer a algum tempo e ninguém se apercebe. Essa colecta, pior, encontra-se algures, detida não se sabe por quem. Nós já estamos numa prisão nesse sentido, na vigilância Orwelliana, com a diferença de que ninguém quer saber de nós, mas por algum acaso, as polícias já estão munidas de ferramentas para fazer os diários das nossas vidas, seja através dos movimentos de cartões bancários, seja através de sistemas de georeferenciação, seja através dos nossos IPs. Tudo o que qualquer cidadão do mundo faz é monitorado, sobretudo se este aceder à internet. O google grava absolutamente tudo. As "inofensivas" aplicações solicitam acesso ao que lhes interessa e ao que não lhes interessa...Até os dados bancários estão completamente a descoberto em empresas e instituições.... Nós já vivemos num big brother e não há forma nenhuma de decidir se aceitamos ou não e até que ponto....não mandamos....Se os dados vão ser os nossos ficheiros diários até das nossas mentes, recordações e pensamentos, até é possivel que sim, num hibridismo que se vislumbra man-machine.Deus não joga aos dados, estamos fadados a aceitar os frutos dos tempos. A ciência é neutra mas há caminhos que levarão sempre a mau resultado porque os dados  não são dados, são roubados...são informações acerca das pessoas e suas vidas, e não são neutros, desconheço boas intenções basta no querer dessas informações....quem recolhe info dos outros....todos....não o faz, certamente, de boa fé.....Dados não, comprados pela ganância capitaleira de quem se quer passar por Ele....

18
Abr20

Transformadoras

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As relações sociais com esta pandemia nunca mais serão as mesmas, dizem muitas pessoas. Fico-me pelo silêncio e pela espectativa da observação futura. Creio que esta é uma oportunidade para todos mudarmos, mas só muda quem quer, e a mudança tanto pode ser para pior, se as pessoas, individualmente quiserem precaver-se no futuro e pensarem só e/ou mais em si próprios com consequentes acções nesse sentido, como pode ser para melhor se as pessoas cambiarem para atitudes, comportamentos e crenças mais comunitárias e altruístas. É fácil de perceber que as vidas vão voltar ao (quase) normal. Depois de uma explosão de explicações, ou tentativas de explicações de diversas índoles nos primeiros dias e semanas desta situação, o pó assentou e as mudanças, a existir, só se verificarão no futuro. Porém, o medo é uma condição, ou sensação humana, bem presente. E o medo leva sempre ao retrair, ao preconceito, à suspeita, à cautela também. As relações sociais vão por isso ser afectadas de alguma forma. As pessoas têm memória curta, infelizmente se deixarem cair todas as promessas que inicialmente haviam feito de mudança de comportamentos para uma transição para sociedades mais sustentáveis (porque não podemos, ou não devemos, dizer que o mundo tem de mudar se nós próprios não estivermos dispostos a mudar) e mais equilibradas e mais justas, felizmente se deixarem cair estes medos de gestão de relacionamentos sociais e afectivos. Não podemos cair na frieza de tratamento que caracteriza as pessoas "lá de cima" em contraponto à afectividade expressa dos trópicos, só por medo. Contra mim, por vezes, também falo e também tento interiorizar. O mundo é rico demais em variedade para estarmos adaptados a, de mente aberta, aceitar e fazer muitas coisas que outros seres humanos e outras culturas fazem. Não estamos. Porém, nós já vivemos antes uma pandemia....Temos vindo a conviver com ela ao longo dos anos: a sida.....O covid é um vírus, veio para ficar e não tem cura nem vacina. A sida é uma doença também viral, e também ela, não tinha cura e veio para ficar, e por cá anda, trazendo consigo alterações comportamentais (ou não) nas relações afetivas. Tudo isto são situações de risco, que podem, ou não ser acauteladas, e depende de cada um de nós em cada momento, em cada caso concreto defenir que pensamento e comportamento quer adoptar. Risco. Risco é a probabilidade de um acontecimento se verificar ou não. Racionalmente, o risco de morte para o cidadão comum de morrer com este novo vírus é substancialmente inferior ao de morrer de acidente de viação, mas o risco de um cidadão de mais idade ou com problemas de saúde perecer do vírus é mais alta. Daí se ter fechado o mundo. Por uma questão de humanismo. Agora que somos confrontados com mais informação sobre o comportamento  do vírus e de toda a panóplia de informações que o caracterizam, poderemos nos adaptar. Mas adaptar não tem de significar passar de ter medo das pessoas, deixar de cumprimentar, de abraçar, de beijar. Está cientificamente provado que o ser humano precisa de contacto físico, precisa do toque, precisa de sentir pele com pele, precisa de calor, de afecto, de abraço, de amor, porque se nos regemos pela ciência para lidarmos com a situação do vírus, também nos temos de reger pela ciência para lidarmos com as relações humanas, sociais e afectivas....Da minha parte, pelo menos, estou morta para ir para o meio de muita muitagente, abraçar e beijar, conhecidos e desconhecidos, e sabe-se lá mais o quê....porque a ciência diz que isso me faz feliz....A mim e a todos nós......Como diria o outro: " (chapéus) vírus há muitos, seu ..."

09
Abr20

EUrocentrismo reformado(r)

 

puzzle-Europe.jpg

 

É obrigatório pensar a polis após esta crise de saúde pública no sentido de alavancar as consequências e os efeitos económicos da mesma. Temos de ter presente que no momento em que se iniciou esta situação internacional, a Europa já vinha vindo a arrastar questões prementes de lutas internas entre Estados membros que não favoreceram a sua união, tal como o caso do Brexit, das migrações, das alterações climáticas, das economias estagnadas, etc, e essas questões não desapareceram. A União Europeia sendo uma construção supra-nacional com objectivos concretos e imbuída do espírito do seus fundadores há algum tempo se encontra à deriva de lideranças visionárias e arrojadas. A União perde terreno cada vez mais, sendo vista lá fora como o museu do mundo. Daí a importância do turismo para o panorama europeu. Não obstante, a sua qualidade de vida, o modelo social europeu e os valores que norteiam a cultura europeia, a União está ameaçada, tanto por factores externos, como a geopolítica e a geo-finança, como por factores internos, como as lutas entre Estados membros e, dentro destes, com as ameaças populistas. Assim, o descontentamento contra o sistema, na sua generalidade, é uma característica dos tempos... ameaçadora das próprias democracias e das sociedades e civilizações como as conhecemos. Com esta pandemia, o mundo mudou. Muitas pessoas falam das possíveis mudanças sociais com Estados mais vigilantes e com mais acesso e monitoramento aos dados e movimentos dos cidadãos, coartando direitos de liberdade e de privacidade, em nome de interesses superiores, de segurança, habitualmente, coisa já vinda desde os tempos do 11 de Setembro. Vivemos em guerra, uma guerra biológica, diferente das tradicionais, com industrias de guerra novas, já não são o aço, o ferro e a pólvora, mas sim o álcool, o equipamento de proteção pessoal, o ventilador, em suma as industrias da saúde, farmacêuticas e de investigação e inovação científicas. A economista Mariana Mazzucatu (de quem sou admiradora) já deitou por terra todos os argumentos dos liberais económicos, enfatizando o papel do Estado não só como regulador, mas também e sobretudo, como alavancador dos desenvolvimentos tecnológicos ocorridos na segunda década do século XX, saltando etapas, face à corrida gerada pela disputa de poder saída da 2ª guerra mundial entre EUA e Russia. Por esta altura também, a Europa conheceu um crescimento na ordem dos 5-6% gerada pelo impulso de uma ajuda económica vinda dos Estados Unidos para a sua própria reconstrução após o devastamento da guerra. Tal como então, mas não querendo, naturalmente, comparar a devastação ocorrida em ambas as situações, também agora, porque já vêm de trás variados problemas europeus, nomeadamente de estagnação económica, a Europa precisa de um plano de recuperação económico, e sobretudo social, para fazer face ao crescente nível de desemprego já verificado, a cada dia que passa, às insolvências em massa, à destruição do tecido empresarial de certos sectores, em suma, à fome, miséria e desemprego. A entrada da China na OMC, bem como a unificação dos Estados membros em torno de uma moeda comum, sem estratégias coordenadas de requalificações produtivas dos cidadãos e das economias dos países membros da UE, acabou por nunca se ter feito e, após uma crise importada dos EUA, e a financeirização do mundo, muitos obstáculos foram sendo impossíveis de resolver, numa União forte com os fracos e fraca com os fortes. Os países do norte, aqueles que constantemente reivindicam aos países do Sul reformas (seja lá o que isso fôr) quer exatamente aquilo que os cidadãos desses países querem: condições para que se possam requalificar e tornar competitivos num mundo aberto, do futuro, e a hora é agora, pelo impulso e oportunidades geradas pelo desenvolvimento científico tecnológico, nas áreas da energia, dos sistemas de informação, da digitalização, das comunicações, do sofware e hardware de diversos sectores industriais e, por arrasto, comerciais e dos serviços. Agora, se todos queremos mudar não é possivel fazer a transformação dos sectores produtivos de um país com um orçamento da União Europeia em que metade é para a PAC e metade para os fundos comunitários, ou seja, não é possível transformar nenhum país, seja ele qual fôr, fazer as tão aclamadas reformas, sejam elas quais forem, com 0,5% do PIB europeu. Países nórdicos, nem vocês com o vosso "espírito protestante" conseguiriam! Porém, não somos tolos: os países que constantemente fazem parte do "no, no, no" são os mesmos que pensam "profit, profit, profit no matter what"... A Alemanha, por exemplo, teve um superávit de 58 biliões de euros só no ano passado, mas o acordo de Centeno com muita dificuldade negociado, conseguiu uns míseros 500 mil milhões de euros para apoio aos Estados através de um mecanismo já existente que não consigam fazer face às dificuldades financeiras geradas por esta crise de saúde publica, por esta guerra biológica....É preciso as elites europeias repensarem o que querem para os seus Estados porque o individualismo e o egoísmo nunca foram bons conselheiros e a História assim o prova. Os Estados mais "nórdicos" poderão usufruir mais se todos nos unirmos, do que lutando todos contra todos em separado. Há um mundo lá fora e há um mundo cá dentro. O eurocentrismo não pode cegar os umbigos das elites(?) pouco cultas desta Europa.....Estamos de olho e queremos mudar, queremos todos mais e melhor. Unidos.

05
Abr20

O poder da esperança

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O mundo vive um acontecimento nunca ocorrido anteriormente em séculos e milénios da História. Sabemos que o planeta passou por grandes transformações do ponto de vista químico e biológico. O homem surgiu por acaso, e do planeta foi tomando conta dadas as suas características próprias. Nunca a humanidade esteve, em traços gerais, tão bem como agora, mas nunca os desafios foram tão prementes de solucionar dada a aceleração do desenvolvimento das civilizações que foi atingido. Apesar das leituras catastrofistas, e não obstante as críticas injustas, estamos sobretudo em tempo de união, de reflexão e de esperança. Economicamente são debitados todos os dias a uma velocidade preponderante, opiniões sobre o futuro dos Estados e das respectivas economias. Confesso cansada das palas destes discursos gravados em cassetes anacrónicas que vão entoando consoante os egos que as emitem. Os "estudos" vão fazendo contas(??) estimando que desapareceu(?) mais de um trilião de dólares desde o início da epidemia. Também vão emitindo previsões de quebras e de atrasos(?) de décadas que esta crise vai trazer consigo. Sejamos rigorosos. Um bem só tem valor se houver confiança, e tal assim é com a moeda, tal assim é com os bens (materiais e imateriais). Assim, o que vai mudar?? Vamos voltar imperialismo de uma geofinança virtual que acabou de parcialmente evaporal e colapsar, ou vamos aproveitar a oportunidade para valorar (sem especulações e insanidades) os bens sejam eles materiais, sejam eles imateriais, e as moedas? Vão os cidadãos deixarem de se enganar e de serem enganados pelo status quo? Esperemos que sim. Temos tudo nas mãos para construir um mundo melhor, sem os defeitos ou atenuando os defeitos que atribuíamos ao mundo antes deste abanão. Temos tudo para tornar o planeta mais sustentável e para nos tormarmos melhores pessoas individual e colectivamente, basta crermos, ainda que esta situação possa ser uma manifestação de luta pelo domínio do mundo, devemos ignorar, porque só é dominado quem se deixa dominar. Temos de ser mais espertos do que eles, mantendo os principais valores ocidentais vivos. Temos de manter a herança cultural da tolerância, da solidariedade, da paz, da igualdade e, da liberdade, pois é, precisamente, a liberdade o balão de oxigênio que poderá minar por dentro e numa perspectiva bottom-up, os tiranetes que nos querem controlar. Vivamos com o realismo de que será necessário uma década para superar este trauma e voltar à normalidade, mas sejamos gratos pela vida que nos é permitida ter, porque os melhores momentos da vida de qualquer pessoa nunca tiveram a ver com dinheiro. Essa será sempre a nossa mais valia...

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