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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

22
Mai20

Futuro diferente com marco viral

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Num momento em que, como afirmou Paul Krugman, continuamos a viver com as economias mundiais em coma induzido, a necessidade de reflexão sobre o futuro e sobre a alteração necessária do nosso modus vivendi no planeta torna-se imperativo, não como exercício mental mas, para além disso, como criação de bases sustentatórias das mudanças imprescindíveis para as alterações fundamentais a fazer. A acção tem de ser já. O planeta continua a viver sob diversas ameaças, biológicas, sociais, económicas e políticas. As ameaças biológicas estão à vista com o tempo em que vivemos, com a necessidade de reflexão acerca do que queremos ser, de como queremos ser cuidados e acompanhados ao longo da nossa vida. De repente, os sistemas nacionais de saúde tornaram-se o alvo do agenda setting dos media. Acresce que, naturalmente, se tornaram também tema o Estado enquanto suporte básico desta instituição pública, latu sensu, o grau de intervencionismo e o financiamento do mesmo bem como dos seus concorrentes ou complementares sistemas ou instituições privados. Acresce a importância da ciência, da investigação e da inovação na forma e impacto que deverá ter nas sociedades, em todos os domínios, e, naturalmente também neste, uma vez que os cuidadores são profissionais que nunca poderão ser substituídos pelas máquinas, apenas, e bem, coadjuvados. Infelizmente, desde o início da história da humanidade que os cuidadores são esmagadora maioria das vezes informais, esmagadora maioria das vezes em continuidade temporal, esmagadora maioria das vezes mulheres, esmagadora maioria das vezes, não remunerados. Poderá passar por aqui uma novaa visão de uma sociedade mais equilibrada e mais desenvolvida? Quem sabe...Os desequilíbrios económicos gerados pelas crises, independentemente das suas causas, afectam sempre com mais intensidade os mais fracos, mais desfavorecidos, pelo que está já provado um aumento do coeficiente de Gini, o indicador que mede as desigualdades sociais, após situações de crises económicas. O mundo caminha em termos económico-sociais, por isso, para um aumento ainda maior das desigualdades, e para um aumento dos níveis de desemprego e de precarização laboral. Os níveis de desemprego aumentam e aumentarão pelo resultado desta crise pandémica, mas também pelo que já se vinha vindo a verificar em algumas partes do mundo, com mais oi menos intensidade: a automatização, a inteligência artificial e a robótica. Se o homem souber gerir a forma como usará a inteligência artificial esta poderá proporcionar-nos ganhos ilimitados e exponenciais num curto prazo de tempo. Já a automatização e a robótica, de certa forma, poderão atingir um nível finito de desenvolvimento, para além de que serão estes sectores tecnológicos a roubar mais postos de trabalho aos seres humanos, do que propriamente a ascenção da inteligência artificial (que irá gerar novos empregos e novas profissões). Alinham-se timidamente duas utopias concretizáveis complementares para a solução destes desafios económico-sociais. Uma dessas utopias é a implementação de um rendimento básico universal e a outra utopia é a tributação das empresas que utilizem as mais diversas tecnologias, como a automação e a robótica, em substituição da criação de postos de trabalho para os cidadãos. A incipiente discussão destas duas utopias bem como as forças poderosas do status quo mundial trava em absoluto qualquer sonho na sua concretização nas décadas vindouras. Por outro lado, as alterações climáticas continuam a ser o bomba relógio da humanidade e pouco ou nada se tem pensado fazer para REALMENTE resolver o problema. Creio que a solução, por curioso que possa parecer, passa por uma nova invenção: num tempo em que estamos todos a usar máscaras de proteção faciais contra o virus da covid19 (e, alguns também por causa da poluição), e uma vez que é inconcretizável mudar toda a frota rodoviária do mundo, pelos mais diversos motivos, para frota rodoviária verde, a solução mais inteligente seria uma adaptação da frota rodoviária existente colocando-lhe também uma "máscara", i.e., a investigação e inovação deveria direcionar-se para a descoberta e concretização de filtros de particulas poluentes que se colocassem nos tubos de escape dos veículos, como se de máscaras se tratasse, que seriam removidos e removíveis de acordo com a tecnologia conseguida. Não é impossível. É de facto, mais racional, tratar as questões na fonte, pela raiz, uma vez que nós humanos podemos usar máscara mas o ecossistema do planeta não e não creio que fosse descoberta tão difícil de conseguir dadas as tecnologias já existentes. O mundo move-se por interesses, as instituições são, por definição, entidades conservadoras e lentas na mudança, e isso verifica-se na falta de resposta que está a ser dada às populações no combate a esta pandemia, pelo facto de as pessoas estarem com dificuldades para sobreviver e as elites, ou as classes políticas, ainda se quedarem em discussões prolongadas e infrutíferas sobre aspectos minunciosos da necessidade de enfrentar esta questão, porque efectivamente mesmo nas maiores das desgraças há sempre quem queira vender lenços. Ouve-se sempre falar no apoio às empresas, mas as empresas não precisam de alimentos para viver, de uma casa para habitar, ou de tratamentos de saúde para estar bem. A lentidão das respostas e as forças impeditivas de um mundo mais harmonioso têm de ser denunciadas e combatidas, com inteligência, serenidade e humanismo. O seres serão mais humanos e o planeta mais rico. Por um futuro diferente com marco viral. Haja luz e esperança!

 

09
Mai20

A minha Europa

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A minha Europa tem luz, emana esperança, alegria, dignidade, propósito. A minha Europa norteia-se pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, documento tão esquecido e tão importante na enformação dos valores do mundo, possuidora de instituições transparentes, eficazes, ágeis, sábias, democráticas, inclusivas, colaborativas e fortes. Conforma-se na disposição de tratados equitativos, fraternos, tolerantes e abertos. Nesta União de povos com riquezas culturais tão díspares, únicas e antigas a minha pátria é a língua portuguesa, como diria Pessoa, e a minha nação deixará de ser uma apenas, uma vez que a Nação reflecte, com naturalidade, o sentimento de pertença, e, nessa senda, à imagem de Mário Soares, equivalendo às minhas actuais cidadanias, clamo-me portuguesa e europeia. Nunca, apenas e só europeia. Ainda que entenda que o mundo está composto por blocos regionais e por grandes Estados em termos territoriais que, por isso, competem entre si a nível mundial. Porém o tamanho não conta. Há pequenos países onde se vivem indubitavelmente bem, e a proximidade das pessoas com o poder político pode ser um dos factores chave desse sucesso, porque o que aproxima é mais transparente, é mais próximo à realidade, é, por isso, mais sensível às reais questões da Polis. O actual modelo é complexo, bipolar, opaco, estruturalmente errado, e muito muito distante! A União Europeia fundou-se e desenvolveu-se em dois domínios fundamentais para alcançar as suas finalidades: a sua finalidade primordial como espaço de preservação da paz e as subfinalidades de cooperação: social, económica e política. Afirmadora das 4 liberdades: circulação de bens, pessoas, capitais e serviços. Os domínios em que se estruturou foram, naturalmente, o domínio da agricultura, saídos que estavam os povos de duas guerras devastadoras onde a fome proliferava em todo o território europeu e o domínio das políticas de convergência. Tanto um domínio como o outro sofrem de complexidades estruturais e de vícios adquidos de forma enraizada e concretizada em realidades iníquas. Em 70 anos muito se fez indubitalvelmente e muito do que se fez foi muitíssimo bem feito! A queda do muro de Berlim em 89 veio acarretar alterações circunstanciais fortíssimas e inesperadas para o espaço geo-político europeu que se vinha desenrolando, tendo sido a Turquia sempre a grande incógnita para este espaço supra-nacional, situação que não está fechada, não estando também em aberto. Se somos tolerantes e fraternos, se tanta cooperação e ajuda externa oferecemos ao mundo, nomeadamente a países africanos, mas também a países com as quais celebrámos acordos comerciais, como os acordos de Cotonou, Doha e Uruguai, porque não abraçarmos a Turquia ou qualquer outro país do Espaço mediterrânico que se quisesse integrar? Somos todos iguais, somos todos seres humanos, independentemente das nossas crenças, cores ou línguas. A história das civilizações apresenta um argumento forte a esta tese, o argumento de que as civilizações avançaram precisamente sempre que se misturavam em caldos culturais distintos, a troca de ideias, saberes, credos, dúvidas, sempre enriqueceu qualquer ser humano. E todos queremos ser ricos, em todas as dimensões da palavra. O modelo social europeu necessitaria de assentar na premissa da dignidade da pessoa humana, na satisfação das necessidades mais básicas do ser humano: habitação, alimentação, saúde, educação, defesa e desenvolvimento. Uma sociedade europeia que fosse não só um propósito em si, mas também um propósito que sendo-o seria igualmente o espaço de concretização do propósito de cada ser humano europeu individualmente considerado. Este espaço denomina-se utopias concretizáveis. Creio que a utopia concretizável que mais bem definida e mais facilmente alcançável descrita neste espaço é esta. Acrescento que a consciêncialização de um reformo de verbas para políticas de coesão (uma vez que esse é o verdadeiro calcanhar de Aquiles dos Estados Membros) sobretudo quando direcionadas às pessoas deveria ser a aposta de futuro deste modelo europeu pelas quais pugno. As liberdades são valores enormes que têm a vantagem de acrescentar algo, acrescentar aos cidadãos individualmente e enquanto colectividade. E uma cultura para a paz, para a tolerância e para o humanismo será sempre uma cultura para o bem. Para o bem de todos, que venham mais e muito melhores 70 anos! A velha Europa quer-se nova! Novamente! Haja fé, esperança e acção!

06
Mai20

UE desestrutural

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Estamos a dias de comemorar o dia da Europa, passo a redundância. A UE nasceu no pós II guerra mundial como projecto político de paz, como projecto de alavancagem e cooperação económica e social entre Estados, entre Nações com riquezas culturais enormes e distintas. Os pais fundadores da CEE construíram-no imbuídos num espírito de fraternidade, tolerância, solidadiedade e progresso. A sua raiz veio do Benelux, uma agregação económica/comercial entre Bélgica, Holanda e Luxemburgo, países pequenos e fronteiriços, em 1943. Porém, os grandes fundadores da UE (curiosamente todos oriundos de zonas de fronteira) foram franceses, italianos e alemães. O alemão que se destacou nesta construção supranacional foi Konrad Adenauer. Opositor do regime Hitleriano, preso e torturado, tornou-se chanceler, e é aceite como sendo o maior estadista alemão de todos os tempos. Com a guerra, a Alemanha ficou dividida entre a RDA e a RFA, A RDA  a parte alemã oriental, sob domínio dos soviéticos e a RFA a parte ocidental, república federal alemã, livre e democrática, com a sua Constituição datada de 1949. Em 1951, Alemanha e França junto com o Benelux assinam o Tratado Ceca, tratado que tem como base o carvão e o aço, fundamentais para a reconstrução da Europa pós guerra alavancadas que foram pela ajuda norte americana do Plano Marshall. Porém, o nascimento da Comunidade Económica Europeia deu-se verdadeiramente com a celebração de um novo tratado, o Tratado de Roma, um tratado que previa um mercado comum, que construía uma organização supra-estadual, com instituições e órgãos próprios, nomeadamente judiciais, onde a abdicação de uma parte da soberania, a partilha da soberania era um dado assente. A soberania é a capacidade de um Estado deter uma ordem jurídica interna, deter "auctoritas" dentro do seu território para a sua população, em termos simples. Todo o Estado tem, por isso, uma ordem jurídica assente numa Constituição (maioria das vezes escrita) a lei base, geral e suprema de todo o poder do Estado, a lei reguladora de toda a ordem jurídica interna, (excepto se fôr um estado federado, aí será o estado federal, a Nação, a deter uma Constituição, um poder constituinte.) Voltando, a Alemanha dotada de nova Constituição em 1949 e celebrante do Tratado de Roma em 1951, plasmou esta relação na sua Constituição da seguinte forma: 

Artigo 23
União Europeia – Proteção dos direitos fundamentais –Princípio da subsidiaridade
1- Para a realização de uma Europa unida, a República Federal da Alemanha contribuirá para o desenvolvimento da União Europeia, que está comprometida com os princípios democráticos, de Estado de direito, sociais e federativos e com o princípio da subsidiaridade e que garante uma proteção dos direitos fundamentais, comparável em sua essência à garantia constante nesta Lei Fundamental. Para tal, a Federação pode transferir direitos de soberania através de lei com anuência do Conselho Federal. Para a criação da União Europeia, bem como para as alterações dos tratados constitutivos e de todas as normas correlatas, através dos quais esta Lei Fundamental venha a ser modificada ou complementada em seu conteúdo ou que ensejarem tais mudanças ou complementações, aplica-se o artigo 79 §2 e 3.
1a - Quando um ato legislativo da União Europeia ferir o princípio da subsidiaridade, o Parlamento Federal e o Conselho Federal têm o direito de interpor recurso perante ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Por requerimento de um quarto de seus membros, o Parlamento Federal fica vinculado à decisão. Através de lei, que requer a aprovação doConselho Federal, podem ser permitidas exceções do artigo42 §2, primeira frase, e artigo 52 §3, primeira frase, para o exercício dos direitos que foram resguardados ao Parlamento Federal e ao Conselho Federal nos tratados básicos da União Europeia. 

Ora, a história da CEE foi-se desenrolando, com os seus altos e baixos, com as suas reivindicações, regimes de excecionalidade e egoísmos, só para mencionar, por exemplo, a crise da cadeira vazia em 1965, ou o "we want our money back" em 1978, e, para além dos altos e baixos, avanços e recuos, (normalmente avanços pouco debatidos pelo povo, o detentor do poder e da soberania). A Alemanha reunificou-se, e bem, saindo mais forte desse acontecimento, o que teve ainda mais repercursões em todo território europeu. Portugal, saído de uma ditadura de pobreza de 40 anos, autonomizou os povos africanos de língua portuguesa e virou-se para o seu aliado social, geográfico e cultural mais natural: a Europa, a CEE. Para que um estado entre no "clube" precisa preencher uma série de requisitos, os denominados critérios de adesão, que são, ser um Estado de Direito Democrático, etc, etc, aos quais, mais tarde se juntaram os critérios económicos de adesão, os chamados critérios de convergência, quando o Tratado de Maastricht, em 92, plasmou a criação de uma moeda comum, que viria a entrar em circulação em 2002. Assim, Portugal solicitou a adesão à CEE, em 1976, e entrou em 1986. Tal obrigou à partilha de soberania com esta entidade supra-estadual e foi plasmada na Constituição Portuguesa no artigo 8º da seguinte forma: 

Artigo 8.º Direito internacional

1. As normas e os princípios de direito internacional geral ou comum fazem parte integrante do direito português.

2. As normas constantes de convenções internacionais regularmente ratificadas ou aprovadas vigoram na ordem interna após a sua publicação oficial e enquanto vincularem internacionalmente o Estado Português.

3. As normas emanadas dos órgãos competentes das organizações internacionais de que Portugal seja parte vigoram diretamente na ordem interna, desde que tal se encontre estabelecido nos respetivos tratados constitutivos.

4. As disposições dos tratados que regem a União Europeia e as normas emanadas das suas instituições, no exercício das respetivas competências, são aplicáveis na ordem interna, nos termos definidos pelo direito da União, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático.

Ora é absolutamente notória a tomada de posição de uma Alemanha na forma como adere à CEE, uma forma arrogante da leitura que se faz da letra da lei, tal a afirmação da sua superioridade, em contraste com a forma de Portugal,  uma forma neutra, a forma de partilha de soberania que a entrada para a CEE exigia.

Está em discussão, não sendo a primeira vez, decisões do Tribunal Constitucional da Alemanha que põem em causa o regular funcionamento das instituições europeias, nomeadamente da Comissão Europeia e do Tribunal de Justiça da União Europeia. Os Tratados são claros quanto às competências de cada instituição. Os Tratados são mais claros ainda quanto à finalidade, à justificação da sua própria existência! Todas as culturas europeias têm as suas características, que podem ser positivas e/ou negativas, dependendo das circunstâncias concretas. Temos muito que aprender com oa alemães, sim, tal como temos, com os italianos, gregos, franceses e os idos ingleses, mas não podemos deixar de afirmar que o preâmbulo e as disposições gerais iniciais dos Tratados não são balelas: são a letra da lei e são o espírito da lei! Com a crise levantada pelo Constitucional Alemão está na altura de perguntar: cut the crap, vão penalizar-nos com multas por incumprimento do défice e da dívida assim que rebentar em força esta crise económica europeia, depois de terem impedido a criação de mecanismos para solucionar o problema? É que se vão, acaba-se já com isto! Se vai um (os ingleses) também podem ir os outros todos..... Família mais desestruturada do que a família europeia não conheço, mas uma coisa sei: muitas vezes mais vale sair a perder mas sair logo. Afinal foi o que os Ingleses fizeram.....A história dirá se fizeram bem.....são craques nisso... Nós, restantes europeus, temos de ter um olho no burro e outro no cigano e aprender as lições que nos vão sendo dadas, para não cometermos os mesmos erros nem nos deixarmos enganar como crianças tolas atrás do rebuçado.....Olho aberto e inteligência, perante a falta de Estadistas Europeus.

04
Mai20

Lutar por melhor

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Num mundo tão complexo e desigual procurar a paz e o amor no isolamento total e no alheamento social e comunitário é para além de tarefa hercúlea, pouco saudável, pouco racional, e, de certa forma um pouco egoísta e amorfo também. Fomos feitos para viver em comunidade uns com os outros, fomos feitos para errar, fomos feitos para crescer, fomos feitos para lutar no que acreditamos. Lutar pressupõe sempre fazer barulho, muito barulho. Lutar pressupõe opinar, avaliar, julgar, ser-se próactivo e nunca ficar calado! Se a guerra é a continuação da política por outros meios, como afirmava Clausewitz, e em contraponto à Paz, então como último reduto cá estaremos porque sabemos que o mundo anda bastante torto,  embriagado com o dinheiro sujo do mal reinante, da falta de amor nos corações de bichos (pouco) pensantes. A ganância tem de ter uma resposta à altura. A digidade de qualquer ser humano é o direito humano por excelência e a ameaça de satisfação das necessidades mais básicas segundo Maslow, de sobrevivência têm de ser garantidas num mundo já tão avançado em tantas áreas. Têm sido dados os primeiros vislumbres de ideias sobre o rendimento mínimo universal. Utópico? Não se sabe. Mas eticamente urgente. Numa altura em que a fome e a pobreza vai alastrar temos de nos preocupar com cada um de nós e com os outros em igual proporção e podemos tomar ações que estejam ao nosso alcance para mudar o nosso mundo e o mundo também dos outros dos que conosco se cruzam, numa lógica do local para o global, sem esquecer, obviamente, aqueles que connosco nunca se cruzarão, de tão díspares geograficamente que se encontram. E há muitas formas de o fazer. Uma das coisas que retive em conversas e pesquisas com estrangeiros do mundo todo é que a grande lição a tirar por quem tem a coragem de correr o mundo de mochila às costas é o de que a Humanidade é, no seu conjunto, os seres humanos dos cantos todos, mais boas pessoas do que aparentemente algumas pessoas querem fazer crer. Todos tiveram experiências extremamente enriquecedoras e esperançosas da bondade humana. Muitos povos não têm culpa por viverem em regimes totalitários, muitos não conhecem sequer outra coisa, e não se pode pensar, julgar opinar sobre algo exterior ao nosso conhecimento, sobre algo que desconhecemos existir. É também claro que somos demasiados seres humanos a explorar os recursos naturais de que o planeta dispões da forma como o fazemos actualmente, repido, da forma como o fazemos actualmente. Hoje é dia da mãe. Infelizmente nenhuma mulher deveria ser obrigada a ter filhos que por algum motivo, pelos mais diveros motivos, não foram desejados. Por outro lado, nenhuma mulher deveria ser provida da maternidade, desejando-o, por motivo nenhum, nem biológico nem financeiro. Mas, se esta pandemia veio provar foi que ninguém se planeia, ninguém antecipa caminhos possíveis, nem Estados nem pessoas, e, para agravar, as mulheres são o elo mais fraco, desde sempre. Ainda assim, a Europa consegue ser dos blocos geográficos mundiais onde é menos dificil viver, porém onde há verdadeiramente muitas dificuldades. Estamos a dias de as instituições europeias chegarem a acordo sobre os detalhes principais da resposta económico social a dar a esta situação inesperada e catastrófica. Foi já difundido que a resposta ia centrar-se num plano que fizesse parte do próximo quadro plurianual a apresentar e, também, que a maior fatia dos valores do dinheiro a atribuir chegaria com mais força nos próximos três anos. Não é inocente. Não queiram fazer os europeus de tolos. É bom que venha dinheiro e que seja para ontem, de modo também a reconverter as economias europeias dos Estados membros em economias pujantes e competidoras, porque havia muita peneira tapada com o sol, e o povo sabia disso, pois o seu reflexo foi, precisamente a ascensão dos populismos, que já tem mais de uma década para falar verdade! Estamos de olhos abertos, de olhos e ouvidos abertos prontos a lutar pois temos consciência que o calendário aprovado não é inocente: três anos de ajudas, os três anos que faltam para eleições para as instituições europeias. Não nos enganem ou acabamos com tudo, o 25 de Abril está bem na memória e é universal. Pode acontecer de novo a qualquer momento. Ponham as rotativas a funcionar (e as cabeças, melhor, os corações a pensar)......

03
Mai20

Máscaras Multiplas

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A palavra máscara é uma palavra que se utiliza nas mais diversas situações e que apenas tem um denominador comum: é algo que se refere à face. Elas podem ser reais ou imateriais. Usamos máscaras no carnaval para nos divertirmos, para ocultarmos a nossa identidade, usamos máscaras de beleza supostamente para ficarmos mais belos e eternamente jovens, usamos máscaras para tapar os olhos enquanto dormirmos e agora, vamos passar a usar máscaras para protegermos a boca e o nariz de vírus, não obstante muita gente já as usar para proteger da poluição, ou em ambientes profissionais que o requeiram. Estamos por isso a especializar-nos em máscaras. Temos depois outras máscaras, máscaras invisíveis, interiores, máscaras que usamos para nos protegermos ou para ofendermos. Independentemente das múltiplas causas, das múltiplas explicações psicológicas, das múltiplas circunstâncias e das multiplas facetas, emocionais e/ou racionais, apesar de os superheróis de banda desenhada usarem todos máscara para ocultação da sua identidade nas suas benfeitorias, todos nós, seres humanos, devemos desprovir-nos de todas as máscaras que tenhamos guardado nos nossos reportórios subconscientes. Porquê? Simples, não se consegue mentir a todo o mundo a todo o tempo eternamente, nem a nós. Não usar máscara é o melhor, não usarmos nenhuma máscara com nós próprios, os piores alvos que poderíamos escolher. É por isso que a sinceridade é uma marca, um valor, um sentimento pessoal e intransmissível tão forte e valioso, principalmente nos dias que correm, sobretudo dada a sua raridade. Vou mais além: é uma frequência física! Ãh???!!! Há pessoas que se cruzam na nossa vida e temos uma sintonia, harmonia, uma sensação estranha, como que de uma frequência vibracional muito semelhante se tratasse e isso só é possível quando não há máscara, quando há sinceridade pura. Ontem descobri isso mesmo. Após a entrevista de uma governante na tv recordei a reciprocidade imediata de quando nos cruzámos. Devemos ser da mesma cêpa, ter estado na mesma onda.... Vários livros escrevem sobre o poder da mente, o poder do cérebro, a ciência fala sobre as suas reações químicas, sobre os equilíbrios e desequilíbrios que nos fazer sentir multiplas coisas, a própria paixão já foi cientificamente esmiuçada. Começa também a estar muito em vogaos estudos sobre os gatilhos mentais, as crenças limitantes, em suma, há uma priorização absoluta no cérebro do ser humano e no seu (maioritariamente desconhecido) funcionamento. Há uma priorização na razão. Tendo despertado para estas modas, o uso de máscara foi e será sempre, para mim, dispensável. Há uma força mais poderosa dentro do nosso corpo humano, que faz mais sentido ser trabalhada, sentida e ouvida. À razão contrapõe-se a emoção. Gregg Braden reconhecido mundialmente mas apenas por uma ínfimo número de pessoas, infelizmente, para além dos seus estudos científicos sobre a teoria do éter faz a ligação deste "mundo oculto mas poderoso" com o ser humano e a sua espiritualidade. Gregg afirma que somos seres fisicamente dotados de emissores de ondas elétricas e de ondas magnéticas, e acrescenta que, a maior bomba emissora no nosso corpo humano destas ondas é, precisamente, o coração. Basicamente, eventualmente, será um pouco isto o que comummente as pessoas costumam designar por aura. Estar na mesma "onda" não é, assim, por isso, uma expressão costumeira dotada de iracionalidade, pelo contrário tem uma base científica, e, é mais do que evidente que não há máscara que consiga cobrir nenhuma aura. Se cobrir, é veneno que estamos a tomar. As máscara não nos protegem nem dos outros nem de nós, independentemente das nossas crenças pré-deterministas. Temos de tomar apenas uma coisa e sem máscara. Temos de tomar o que nos faz bem.

01
Mai20

Trabalhadores incansáveis

310812_Crise.jpg

Nós, trabalhadores, povo, sentimos nos bolsos a aproximação da pobreza, desconhecendo quem nos vai constantemente ao bolso. Tal como Sísifo, rolamos a bola das reivindicações montanha acima, porém a bola é demasiado pesada e a montanha demasiado íngreme. Quando a economia se tornou ciência começou por ensinar que os três elementos base desta mesma ciência são três: capital, propriedade e trabalho. O capital é um bem aparentemente volátil, no entanto estudos mostram que as famílias europeias mais ricas no século XV são as mesmas dos nossos dias.....Estranho? Não. Porquê? Porque apesar de o capital (dinheiro) passar de mãos diariamente parece ter sempre os mesmos destinatários. O que uma pessoa pode fazer com capital? Investir, gastar e poupar. A diferença entre a poupança e o investimento é que o segundo espera obter um retorno que seja um acréscimo de rendimento, ao passo que a poupança é deixar o dinheiro parado. Um dos investimentos que desde o início das civilizações se fazia era, precisamente, nas propriedades, na terra, uma vez que era daí que vinham os produtos alimentares, para autoconsumo e troca comercial de bens. A classe da nobreza foi assim que nasceu e se desenvolveu, inicialmente com o recebimento de propriedades como prémio em exercício militar e de guerra por parte dos reis, sendo caracterizado pelo sistema feudalista, e depois, alargando as suas influências junto dos mais poderosos. Porém, a esmagadora maioria das pessoas não descende nem da nobreza nem em berços reais. E foi precisamente daqui que Karl Marx afirmou a existência de uma luta de classes: a luta dos mais privilegiados que querem manter e aumentar o seu status quo e dos trabalhadores, (antes) escravos, que vendem a sua capacidade de trabalho em troco de uma qualquer remuneração, em espécie ou em dinheiro. Uma das leis económicas básicas é também a lei da oferta e da procura, aplicável em todos os aspectos da vida comercial. É fácil perceber que é uma luta inglória, tal a quantidade de pessoas que oferecem a sua capacidade de trabalho em troca de remuneração, em contraste com os detentores de capital, com os detentores de capital que investem em actividades produtivas. O capital investido em propriedade não se traduz na aplicação monetária em actividades produtivas, antes assenta em retornos de baixo risco mais ou menos rentáveis. Assim nasceu a financeirização do mundo: a actividade bancária e financeira como forma de, especuladamente, criar artificialmente procuras a troco de promessas de retornos de capital maximizados, porque na natureza humana não há limites. A natureza agora trocou-nos as voltas, com esta pandemia, infelizmente vislumbra-se o seguimento do mundo tal como ele era, com soluções assentes na finança. O homem para sobreviver, o trabalhador, como Sísifo, continuará a tentar chegar ao topo da montanha, numa luta mais parecida com David e Golias, mas temos esperança que Golias não ganhe sempre. Os recados vêm de cima, basta mantermos os olhos bem abertos.

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