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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

31
Jan22

Rumo ao topo

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No rumo ao topo temos consciência das nossas dificuldades, obstáculos, travessias longas que fazemos individualmente, uma vez que o esforço e o trabalho para tal é imenso e cada ser humano tem intrinsecamente uma história de vida, de experiências e conhecimentos que são fruto das escolhas, das sortes e infortunios. Todos queremos o mesmo, o que muda é a forma como percepcionamos o mundo, quais os valores que temos e como nos comportamos perante os outros. Não ficar ninguém para trás deve ser o desígnio da humanidade enquanto colectividade de seres pensantes, inteligentes e sensíveis. Na nossa jornada vamos encarando situações, umas simples, outras complexas, umas mais próximas outras mais afastadas e essas situações fazem-nos comportar em um sentido ou em outro. Muitas das vezes deixamos de fazer o certo porque em situações anteriores algo terá corrido mal, ainda assim, devemos sempre continuar a cumprir os nossos valores através dos nossos atos, uma vez que não devemos nunca deixar de fazer o certo por metafórico incumprimento contratual. As ações dos outros ficam com os outros e ainda que nos possamos desiludir, não podemos cair no buraco da inação em nova situação, pois quem dá, recebe, como estima a lei do retorno e a lei da atração. A importância da positividade nas nossas vidas contribui vastamente para o cumprimento de espírito de missão, para a nossa felicidade e paz interior. Não é à toa que o ex-presidente norte-americano escreveu um livro intitulado "Dar". Não é por vaidade que ultra-milionários como Bill Gates apostam tudo em orientar parte ou a totalidade das suas fortunas para canalizar para o esbatimento de desigualdades e de investigações científicas necessárias ao progresso em nome do bem comum e não deles próprios. Sabem o seu destino, sabem o seu propósito, sabem escolher acertadamente, com valores e sabedoria as energias que dispendem na ajuda à Humanidade, porque dar é receber, e receber é algo inexplicável. Se todos nós o fizermos com cada vez mais frequência, mais felizes seremos, por um humanismo progressista e um desenvolvimento saudável e harmonioso. Que não fique ninguém para trás.....Todos rumo ao topo!

30
Jan22

Líderes modelo

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As lideranças emergem naturalmente através de um conjunto de circunstâncialismos internos e exteriores. Vivemos num mundo que lentamente veio matando os seus líderes, os seus modelos de referência, os seus guias, um pouco por todo o mundo em todos os sectores. O crescente individualismo, egoísmo, falta de partilha, falta de entre ajuda, falta de cooperação, falta de respeito e desconsideração tomou conta das pessoas. A crescente segmentação dos interesses pessoais cada vez mais de nicho bem como a crescente alteração das formas de vida, com deslocações das pessoas mais frequentes e mais distantes, distantes em termos de espaço, distantes em termos abstatos, de si próprias e dos outros, levou a um esbatimento substancial de referências, modelos, inspiradores/as, autoridades naturais. Na política essa é uma situação cada vez mais forte e visível: quem nos dias de hoje derramaria uma chuva de lágrimas pela morte antecipada de um político, como Kennedy, ou como outros líderes políticos de há algumas décadas. Presumo que ninguém. São todos/ somos todos substituíveis.

A afirmação de lideranças políticas e não políticas fortes é uma necessidade atual, não só para contrariar o rumo em que nos metemos como também para fazermos um mundo melhor, concreta e quotidianamente, mais próximo de nós e da nossa vida. Vidas transformadoras são as vidas que mais impacto positivo têm nas vidas de outréns. Inspirar é priomordial para passar e fazer concretizar os melhores valores que o sentido da vida nos impõe. Assim, cabe a nós escolhermos os nossos líderes, sabendo de antemão que essa escolha se deve basear num conjunto de circunstancialismos e de características, nossas, do nosso mundo, do mundo lá fora, dos outros, dos líderes do nosso mundo, e dos líderes do mundo lá fora. Como nasce um líder? Um líder, não nasce por imposição, não nasce por ineptidão, um líder motiva, argumenta, age, inspira, passa confiança credibilidade, verdade, honestidade, segurança. Independentemente dos tipos de líder tão bem caracterizados por Max Weber. Para isso, para construir um líder este necessita de possuir um conjunto de qualidades próprias como uma boa capacidade de comunicação, tanto passiva, ou seja que saiba escutar qualquer pessoa, quanto ativa, ou seja, que saiba comunicar, falar, escrever proficientemente, em qualquer contexto, sobretudo em contextos adversos e de crise. Necessita também possuir uma enorme capacidade de empatia para com o próximo, perceber quem tem à sua frente, quais as suas dores, quais as suas circunstâncias, quais as suas dificuldades, e para ter empatia precisa de ter tempo e disponibilidade mental e espiritual (sim, espiritual, há coisas que se sentem e não se explicam e todos nós já sentimos isso certamente), para fazer essa ponte de comunicação. Necessita de uma extrema autoconfiança, para passar essa confiança aos outros, segurança, estabilidade, serenidade. Pode parecer pouco mais não é. A acrescentar tem de ter conhecimentos vastos e sólidos em diversos domínios, e um compreendimento tolerante da natureza humana e dos seus circunstâncialismos. Depois, necessita de possuir qualidades como paciência, sensatez, capacidade de decisão, de trabalho, de sentido crítico, de inteligência. A derradeira questão: os líderes nascem ou constroem-se? Terei para mim que há uma parte da genética que influencia, interna e externamente, ou seja, a inteligência e algumas características nascem com a pessoa, e a própria imagem e beleza da pessoa conta, ainda que, por vezes inconscientemente, mas é a biologia a funcionar, enquanto que outras características e outras qualidades se podem desenvolver com o tempo, com esforço e com dedicação. Estamos em tempos de escolhermos os nossos líderes modelo, de seguirmos as suas causas e ideias e as concretizarmos, de também nós influenciarmos, educarmos e inspirarmos, pois um mundo sem liderança é um mundo à deriva, sem rumo. Saibamos fazer as melhores escolhas.

27
Jan22

Brincar de Governo

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Brincar de Governo, seja em que circunstância for, seria cómico, se não fosse trágico. Ao contrário da tirinha, as classes políticas gostam de deixar a sua marca, aliás, os partidos políticos existem precisamente para isso, para transformar as sociedades, ou pelo menos, deveriam ser para isso. Se é certo que os partidos políticos têm os seus defeitos, têm também as suas qualidades, intrínsecas e extrínsecas às próprias sociedades, para a construção de sociedades abertas, na esteira de Karl Popper. Assim, a escolha dos eleitos pelos eleitores não é de somenos importância para um país e o seu desenvolvimento. Releva para tal o sistema político latu sensu e o sistema eleitoral como parte integrante das melhores escolhas para os lugares políticos de menor ou maior relevo, a nível central ou local.

Estamos em Portugal a assistir a (mais) um período eleitoral, imprevisto, causado pelos interesses particulares dos partidos políticos e não em benefício do bem comum da Nação e dos seus cidadãos. Acontece que aqui ninguém pode estar de brincadeirinha, seja em que papel for. Também ninguém pode afirmar que a política não impacta a sua vida e que os governantes não fazem nada.....Ou, noutro prisma, como diria Lampedusa "É preciso que tudo mude, para que tudo fique como está". Infelizmente, às vezes parece. Temos um sistema eleitoral que mereceria reflexão sob a forma como desenha e distribui as listas eleitorais dos cidadãos com capacidade política activa que aceitam trabalhar em prol do bem comum (será mesmo assim?)....A falta de prestação de contas por parte dos eleitos perante os eleitores, a exigência de representação geográfica e a prática de representação geográfica ao pormenor, descurando a qualidade intelectual dos candidatos em concreto, não faz sentido. Aos eleitores deve ser dada a opção de escolher os seus eleitos, e os seus partidos, sob pena de termos meia-democracia. A falta de um círculo eleitoral nacional, a falta de um sistema de voto preferêncial (ainda que fosse praticado apenas intrapartido) faz minar a forma como o cidadão vê a política e os políticos. Aos eleitores deveria também ser possível a sua participação política, independentemente da localização de residência, no território português ou fora dele. Ora, o sistema eleitoral desenhado criou uma gritante subrepresentação de milhões de cidadãos portugueses que saíram do país, por escolha ou sobrevivência, impedindo-os de manifestar a sua voz na casa do povo, o parlamento português. Lamentável! A par desta caracterização do sistema eleitoral e relacionado com o tema anterior, mas sobretudo com Portugal enquanto colectividade, é manifesta a falta de desenvolvimento económico, a falta de prosperidade do país, a falta de oportunidades de uma vida digna no país que nos vê nascer. Portugal necessita de mais educação e mais escolaridade para desenvolver o país e dar oportunidade de crescimento e sucesso pessoal e profissional a cada um dos cidadãos deste país. Qual é o problema do país? O maior problema do país é a falta de visão, é a inação, é a mentalidade, é a falta de educação, pois estas são as bases do progresso e desenvolvimento de qualquer país do mundo. O país encontra-se capturado por 0,000X % da população, uma casta minoritária da elite, ligada às academias, que sobrevaloriza a formação formal em áreas do intelecto que deveriam estar reservadas a serem desenvolvidas enquanto planos curriculares enriquecidos e enquanto hobbies procurados por gosto. O desenvolvimento deste país, o progresso necessário, deve fazer-se acompanhando a evolução do mercado laboral e das empresas competitivas de inovação e tecnologia, ou seja, está altamente subvalorizada desde há décadas, a necessidade de aprendizagens base matemáticas, físicas, informáticas, e aplicadas, as engenharias. As Universidades existem para formar e dar resposta às necessidades de desenvolvimento de um país, não existem para dar emprego para toda a vida a meia dúzia de cidadãos que exclusivamente mantém os seus lugares sob o pretexto do estatuto adquirido, por terem apenas feito uns longos trabalhos de casa, avaliados de forma totalmente subjetiva, muitas vezes em assuntos que nem a Cristo interessaria!! E assim, gerações e gerações de pais e alunos se vão enganando porque alguns têm vindo a brincar aos governos, e, de facto, nunca fazem nada......O crescente descontentamento e revolta popular deriva, por isso, de uma insatisfação crónica crescente da inação dos eleitos face às necessidades reais do país....E as necessidades reais do país só se farão com melhores recursos humanos nacionais.....Se não tivermos, por exemplo, mais estudantes e investigação em medicina, podemos atirar toda a verba de um orçamento de Estado: nã fará diferença, dinheiro não paga cérebro com conhecimento....É de cérebro com conhecimento que o país precisa, não de brincar aos governos.....

26
Jan22

Nós, o povo

Populacao.jpg Sociedades com a sua população mais jovem são sociedades mais dinâmicas. Portugal encontra-se no top 10 dos países mais envelhecidos do mundo! E porquê? Porque nunca deu condições de vida aos seus cidadãos para que estes almejassem uma vida digna com estabilidade, segurança, progresso e a constituição de uma ou várias famílias. Este é um facto inegável não só pelos seus indicadores mas também, por exemplo, pelo facto de haver partidos políticos que têm como foco e base eleitoral este segmento da população ao contrário do que aconteceu em países como Italia, França e Espanha (onde existiram outros, ....refiro-me ao PCP). Ora relativamente ao Inverno demográfico português não há qualquer sensibilidade para o assunto, mas a questão é mais grave do que aparentemente se apresenta: o custo laboral irá aumentar exponencialmente e determinados sectores da sociedade poderão sofrer falhas enormes, interrupções longas e, mesmo, desaparecer. Bombeiros, operadores de logística, motoristas de transporte de bens de consumo, etc, tudo isto levará a um acentuar de más e lentas prestações de serviços por falta de trabalhadores, por falta de população, porque à população existente, desde há décadas que é quase proibido concretizar os seus sonhos de ter condições para deixar descendência. A população portuguesa sofre com a pesadíssima herança de uma ditadura de 40 anos que pretendia assentar a sua base na ignorância da população e nos recursos naturais de países que falam a mesma lingua, apenas e só. É importante assacarmos as nossas culpas enquanto povo naquilo que podemos e devemos apontar como nossos defeitos, tal como nos devemos responsabilizar individual e colectivamente pelas escolhas políticas feitas desde que obtivemos a nossa liberdade de escolha de volta. Mas, se por um lado temos um pedaço de responsabilidade por outro temos que concordar com o enorme avanço dado durante estas 4 décadas em quase todos os indicadores sócio-econômicos, como também temos de pugnar, enquanto povo, para que a condição económico social, o progresso e desenvolvimento do país efectivamente se concretizem. Todos queremos o mesmo: melhores condições de vida. Todos, da esquerda à direita, da idosa do concelho mais rural de portugal, ao homem branco de cor e colarinho urbano. Porém uns querem-no à custa dos outros, da manutenção da miserável condição social dos outros. É, por isso, fundamental que nós, o povo, a população deste país tome cada vez mais consciência dos factos e das prioridades individuais e coletivas, e lute pelos princípios e valores da cultura portuguesa, ainda que esta se traduza bastante numa cultura bipolar. Portugal e os portugueses precisam de se deitar no divã do psicanalista para perceber o que está por detrás desta nossa tão peculiar "condição humana". Sem população não há Estado. Estamos a envelhecer a olhos vistos e não temos condições (como nunca tivemos) para sermos autosuficientes seja em que domínio ou perspectiva fôr. A concepção individualista da sociedade em que cada um (de acordo com a expressão da minha avó) p*ça para si, em que se assume a priori, um jogo loose-loose, em que ninguém dá nada a ninguém, só tem um resultado: ninguém ganha nada de ninguém, ninguém recebe nada de ninguém, individual e coletivamente, abstracta e materialmente. Assim, não só o divã da bipolaridade nos livrará das nossas crenças limitantes, da forma como nos posicionamos e nos valores que atribuímos às coisas, como também poderá e deverá ser esse o divã que nos alavancará para uma sociedade que não seja uma sociedade mas uma comunidade de mérito, sucesso, riqueza, dinamismo e felicidade. Nós o povo, depois do divã, estaremos bem mais aptos a viver melhor, a viver simplesmente com tudo o que o conceito tem de bom, pois temos andado apenas e só, a sobreviver, enquanto povo, entretidos com efémeras, insignificantes, e quiçá ridículas, vitórias desportivas. Para o Estado, a população necessita de estar constituida, de existir e de exercer significativamente os seus direitos e liberdades constitucionais. Enquanto povo, precisamos de exigir rigor, transparência e accountability ao poder político, em todos e cada um dos momentos da nossa vida, não apenas nos momentos eleitorais. A escolha dos nossos políticos, dos nossos governantes influencia directamente as nossas vidas quotidianas (eu que o diga!). Nós, o povo, precisamos  de nos unir em torno de um único objectivo, comum a todos nós: a concretização de um país melhor para todos!! Para isso não pode haver desigualdades de qualquer espécie. Para isso é necessária a construção de um espírito crítico, e da partilha de pontos de vista, a partilha de conhecimentos no nosso quotidiano, de puxarmos todos e cada um de nós por cada um de nós e por todos nós. De facto, onde há maior densidade populacional o desígnio do progresso e desenvolvimento economico/social/cultural é infinitamente maior do que em partes do território quase desertas, onde não existe população, onde nós, o povo, por mais responsabilidades e culpas que assaquemos, não poderíamos fazer muito mais do que fazemos. Por isso, e para isso, a regionalização do país sempre foi uma reforma estupidamente adiada, porque Portugal não é só Lisboa. Deixa a pensar quem, por estes dias afirmou: " eu também mudei de opinião em relação à regionalização: antes fui a favor, hoje sou contra", porque, efetivamente condenar, ainda que indirectamente, largas partes da população portuguesa é criminoso, pois só se justifica que haja povo, população, onde ela possa prosperar de igual forma e criar riqueza económica. Claro que a desertificação do território português, ou de qualquer outro território, o território vazio de população, não é economicamente viável e apetecível, por isso as pessoas fogem destes territórios, e bem! E deveriam fugir mais e mais cedo! Porque nós, o povo, somos todos população por inteiro, parte integrante do Estado, com os mesmos direitos e deveres, com a mesma ambição de melhoria individual e colectiva das nossas condições de vida. Está em causa a nossa dignidade, está em causa a nossa sobrevivência, em todos os seus sentidos. Temos de fazer de Portugal um Estado digno, parte integrante de país europeu evoluído. Saibamos escolher os nossos eleitos e comportarmo-nos de uma forma e com uma mentalidade renovadora e reformadora, com exigência e responsabilidade, para connosco e para com os outros, sempre com empatia e entreajuda. É o win-win que nos fará evoluir, ser feliz, inspirar e completar. Nós, portugueses, europeus, e mundiais.

25
Jan22

O estado do Estado

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O Estado, conceito base da Ciência Política, remotamente estudado e conceptualizado por inúmeros filósofos políticos, foi, segundo Bobbio, primeiramente utilizado por Sun Tzu e recuperado séculos mais tarde por Maquiavel. Esta entidade abstrata das quais nós todos somos parte integrante abarca a soma de três conceitos interligados com este: Território, População e Poder Político estabelecido. A soberania advém originariamente do reconhecimento da existência de um Estado por todos os outros, os já instituídos e apresenta uma característica fundamental, a existência de um poder coercivo, instrumento de uma das finalidades de qualquer Estado, a realização da Justiça. Ao longo de séculos, filósofos políticos e muito posteriormente sociólogos, discorreram sobre a idealização do Estado, do Governo, da Nação, tendo as concepções de poder evoluído desde as formas de governo integrais e degeneradas dos estudiosos clássicos, Platão, Aristóteles, Cícero, até às teorias tripartidas do poder dando origem, na prática, à separação de Poderes do Estado: executivo, legislativo e judicial. Ora reside no poder judicial a concretização do ideal de Justiça, independentemente das leituras e concepções jusnaturalistas, contratualistas, positivistas que se possam arguir. Reside também no poder judicial, obviamente, a concretização do ideal da justiça através da utilização do poder coercivo como instrumento fulcral para este fim. Assim, poder-se-á afirmar que a indepedencia de poderes é fundamental para uma boa administração da justiça da res publica mas é também fundamental a sua avaliação prática, no terreno, em cada momento concreto. A justiça deve ser célere e, sobretudo eficaz, e quando qualquer um destes indicadores falha, a tradução é uma doença no organismo estatal; País onde não existe Justiça não é digno desse nome. Uma justiça lenta é uma justiça incapaz, ineficiente, morta, é uma justiça iníqua, onde quem tem malícia é rei, onde o crime compensa, onde as relações do contrato social ficam minadas de forma irrecuperável. As repercursões desta quebra contratual são inúmeras, não se percebendo causa ou efeito das culturas e mentalidades dominantes, certo é que a Justiça deve ser realizada pelos agentes judiciários em nome do povo, pelo povo e para o povo. Ora, o povo é a população, somos todos nós, parte contituinte, integrante e intrínseca ao conceito de Estado. A população de um Estado tem necessariamente laços comuns de comunidade social como a existência de uma história identitária, de uma língua comum, de valores comuns, de tradições comuns. Cabe à população designar os seus representantes, num sistema político democrático, ou aceitar os seus representantes num sistema político anti-democrático (ainda que todos o finjam ser). Aqui reside um problema: da convergência de um saber estar cultural resulta pouca diversidade de perspectivas, um espectro menos alargado do pensar, do opinar. Daqui resultam os chamados choques culturais: não temos apenas choques culturais no estrangeiro, também o sentimos no nosso próprio país quando lemos coisas como " Portugal needs more capitalism" e nos sentimos indignados com a opinião manifestada....E matutamos nela, pensamos sob todos os prismas, fora da caixa, no caso, do retângulo. A própria experiência pessoal partilhada dos cidadãos uns com os outros leva-nos muitas vezes a interrogarmo-nos consecutivamente sobre argumentos e posições políticas que ao longo dos tempos vamos escutando na nossa vida, porque precisamos escutar e não apenas ouvir. O agenda-setting e o poder do 4ºpoder foi-se tornando destronável para qualquer governo do nosso país, e para as políticas que desenha e concretiza, independentemente do momento político em análise. Há, de facto, uma falta de debate político esclarecido entre a população portuguesa, seja debate político strictu sensu, seja latu sensu.

A caracterização da cultura portuguesa foi brilhantemente discorrida em vários livros, alguns mais antigos, mas de uma lucidez e atualidade digna de referência e reflexão. Um desses livros, "as Raízes do Brasil", do historiador Sérgio Buarque de Holanda, é um dos exemplares da nossa caracterização enquanto povo. Aquilo que são as nossas deficiências estruturais são isso mesmo, deficiências estruturais. Mas.....será que Portugal precisa de mais capitalismo? A resposta, depois de muito maturada, é sim....Num país marcadamente e estruturalmente pobre, uma mudança para o tipo-ideal de Estado, português, no caso, de acordo com os tipos ideais de Max Weber, exige uma mudança profunda de mentalidade, pois só assim seria possível uma re/evolução similar ao que, por exemplo Singapura conseguiu em menos de 50 anos, para dar apenas um exemplo. No entanto, o tipo de capitalismo que devemos almejar é uma capitalismo social e ecológico e não o vigente capitalismo selvagem financeiro. É possível essa concretização e transformação? É. A esquerda tem de continuar e aumentar exponencialmente o seu desejo transformador progressista, uma vez que se verifica um pouco por vários países, ao longo de várias décadas, a falta estrutural deste objectivo, o que se veio a traduzir no nascimento e crescimento de partidos políticos novos aumentando a fragmentação política e o descontentamento popular com a execução das políticas públicas dos catch-all parties, ou partidos tradicionais. A mudança é possível, ainda que a raíz cultural seja extremamente forte. É facil mudar, é fácil mudar ainda para mais quando sabemos que a concepção ferroviária da História foi abandonada, quando sabemos que nenhum país está condenado à priori. É fácil mudar, o que falta é vontade.....O Estado somos nós, é por nós que temos de iniciar....

21
Jan22

O TAMANHO IMPORTA?

Political-World-Map-3360.jpg O tamanho importará, eventualmente, ou não, dependendo dos prismas de avaliação e, também, das outras variáveis da equação. Em séculos anteriores era detentor do poder político, económico e social o Estado e ou as Instituições mais agregadoras e evoluídas materialmente. Obviamente confesso a possibilidade de existência de um certo enviesamento de conhecimento, em primeiro, antropocêntrico, em segundo, eurocêntrico e, em terceiro, lusitanôcentrico. No entanto a História é clara e os factos históricos são factos históricos independentemente das leituras multiplas efetuadas contemporâneamente e a posteriori. Verdade é que a Europa congregou durante largos séculos o berço do mundo ocidental e a existência de Estados evoluídos, ou, os mais evoluídos, de acordo não só com as regras do método ciêntifico como com as demais. Porém, de repente, tudo mudou: sabemos da raíz cultural dos britânicos, os mestres por excelência nas artes diplomáticas, nas artes comerciais, que mais tarde deram origem às artes financeiras e, também nas artes científicas e culturais; sabemos da raíz cultural dos franceses, humanistas e artistas por natureza ideólogos das liberdades, das metafísicas e das físicas; sabemos da raíz cultural dos holandeses, mercantilistas e frios, tais como os seus vizinhos alemães, organizados e rezingões; sabemos da raíz cultural dos italianos que com uma riquíssima História em comunidade, a par com os ingleses, poderá ser um dos povos mais enriquecidos e enriquecedores do mundo. Depois temos os outros, nórdicos, polacos, espanhóis e......portugueses. Deixarei para outra publicação uma caracterização mais assertiva e pormenorizada de nós mesmos, mas assinalo, desde já, uma "vantagem comparativa" como se diz em linguagem económica: tivemos uns doidinhos que se meterem nuns barcos ao mar....E daí vem o nosso tamanho....Mas, teremos aproveitado bem essa "vantagem comparativa"? Não. Voltemos ao tamanho. Na actualidade o mundo é dominado por dois elefantes onde um terceiro se tenta encaixar e onde existem outros com similaridades a estes para além do tamanho. De um lado, os Estados Unidos da América, do outro a China, com a Russia a tentar encaixar-se. Similares mas distintos  dos primeiros, surgem depois a Índia e o Brasil. Os EUA e a Índia têm em comum a língua, derivada do império britânico de outrora, porém a Índia possui um sistema social de castas, coisa nunca vista em mais nenhuma comunidade do mundo! Eventualmente esse poderá ser uma das causas do seu atraso relativamente aos demais. Do outro lado temos o mais extenso território de uma Nação, a China, país com uma história milenar mas desconhecida do mundo ocidental, que por medo a priori a rejeita. Não nos podemos esquecer, contudo, que a China, delineou a melhor forma de aproximação e de ligação e interdependencias do mundo para com os países exteriores. O outro elefante, a posicionar-se constantemente, é a Russia, igualmente com uma extensão que lhe permite ter recursos naturais que são a chave e a causa do seu poderio natural. Depois temos o Brasil, tão extenso como a Europa, com uma única língua, com uma densidade populacional e concentração populacional interessantes de analisar e, sem qualquer sistema social de castas ou algo do género. Pretendo apenas fazer valer a ideia da extensão do território de uma Nação para a sua caraterização e desenvolvimento. A capacidade de comunicação e desenvolvimento pessoal é incomparável com o que estamos habituados. A constante luta pela sobrevivência como um todo e em cada um dos seres humanos nascidos nesses territórios é superior ao instinto de sobrevivência moldado nas mentes, raízes e subconscientes colectivos, dos povos europeus, por exemplo... Essa luta constante e diária pela sobrevivência no dia a dia, o ganhar o sustento para as necessidades mais básicas como a alimentação sobretudo e acima de tudo, fez desenvolver no colectivo americano a capacidade de comunicação em sentido lato, bem como a comunicação persuasiva em concreto, para fins próprios quotidianos e/ou para fins comerciais. Empatia, capacidade de diálogo, maturidade e independência adquirem-se mais cedo e mais vincadamente aqui do que em outras culturas das quais a nossa é um bom exemplo. Por outro lado, questões sociais como a raça, tanto num como no outro país sempre foram levantadas, discutidas, concretizadas, idealizadas, desenvolvidas, muito mais do que nas civilizações europeias. Ora se o tamanho conta, porque os mercados comerciais são maiores, os territórios mais extensos e recursos naturais mais abundantes, facto é que não só conta o tamanho, como conta o contexto, a história e a raíz cultural. Se os americanos são filhos dos ingleses e se os brasileiros são filhos dos portugueses e netos dos italianos a raíz cultural está determinada bem como as características actuais e os indicadores nos mais diversos domínios desses dois países. Nós, Portugueses, somos grandes se e quando aprendermos com os nossos filhos porque daí pode advir a nossa fortuna, como diria Camões, pois a língua é a melhor ponte para o entendimento entre as pessoas e o consequente desenvolvimento, pessoal, interpessoal, enquanto comunidade e enquanto Estado. Façamos do tamanho a nossa maior riqueza e das nossas fraquezas as nossas maiores forças, pois essas são as nossas maiores qualidades e essas qualidades são intransmissíveis....Vamo-nos abrir ao mundo, à diversidade, às diferentes culturas dos nossos países irmãos das comunidades de língua portuguesa por este mundo fora, de igual para igual com humildade, curiosidade, sabedoria e inteligência....Como escreveu Pessoa: a minha Pátria é a língua portuguesa! Aprendamos através da língua comum....Poucos têm essa possibilidade...Para serem grandes, como nós!!!

11
Jan22

Atual condição feminina

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A atual condição feminina encontra-se numa encruzilhada de valores e modelos a seguir. Nas atuais sociedades, predadoras do cidadão na busca do lucro fácil e imediato, foi sendo esquecido o papel da mulher nas diversas instituições sociais e interações pessoais. Por um lado, a exigência de aprendizagem igualitária no campo da escolarização, luta travada, e muito bem, pelas mulheres. Essa aprendizagem tornar-se-ia o instrumento, ou um dos instrumentos de acesso a uma vida independente nas escolhas e livre no seu modo. Porém, a constante escrutinização, a assexuação ou imposição de apresentação masculina, no vestir, no estar, no sentir, afastou gradualmente a mulher da sua essência biológica. À mulher exige-se que seja forte, que seja fria, que seja racional, que seja, no fundo, aquilo que não é, confundindo-se competência e inteligência com os papéis tradicionalmente masculinos, exigindo-se-lhes o mesmo enquadramento e valoração profissional e pessoal. A crítica fácil só é feita, e infelizmente é feita, por desconhecimento, por levianismo, e, muitas vezes, por proximidade. Não podemos deixar de afirmar o papel primordial da educação pessoal e social com que o género feminino é confrontado: sempre com, para, sobre o outro, masculino, e raramente, para e exclusivamente por si próprias. Em concreto: a mulher leva um atraso de duas décadas até perceber a vital importância de ganhar dinheiro para si e de como o ganhar, acrescida da dificuldade de o ganhar num mundo dominado pelo género oposto, com outras características, mais amigas da entre-ajuda. Nada disto é passado à mulher durante o seu crescimento, o seu papel na sociedade é tido como pouco importante, superficial, tradicional e, por isso, dependente (ainda que com "nuances independentistas). Todos temos de comer, todos os seres humanos precisam de comer diariamente, necessitam das suas necessidades básicas satisfeitas. Nesse sentido, a pílula foi a melhor ajuda da mulher, a invenção que mais fez pela mulher, pois libertou-a e deu-lhe escolha, perante o desígnio sempre desenhado de mãe de vários filhos, dando-lhe a possibilidade de planear a sua vida e o seu futuro, o seu bem estar, a sua educação e, principalmente, a sua priorização. Lamentavelmente, a mulher que não tem filhos e/ou que não "casa" é sempre, inconscientemente julgada pela sociedade como incapaz, como imatura, como incompleta. Em sociedades como as actuais em que a tecnologia (realidade virtual, gaming, etc, etc....) vai tomando o caminho da infantilização dos adultos curioso perceber esta contradição nos tempos que se avizinham. Curiosa a inversão de papéis, a confusão de papéis, a demagogia de papéis sociais que se vão re-desenhando lentamente. É por isso de extrema importância deixar voltar as mulheres à sua essência, deixar de julgar as mulheres com parâmetros sociais pré-conceptuais ou de género. Como disse, e muito bem, Susan B. Anthony, em 1894: " No self respecting woman should wish or work for the sucess of a party that ignores her sex". Viver dá trabalho, levar vida saudável dá trabalho, fazer lides domésticas dá trabalho e, de facto, nunca conheci nenhum homem que não precisasse de uma mulher, mas conheço várias que não precisam deles para nada! A partir do momento em que elas comecem a ser educadas para focar apenas em si próprias e ganhar dinheiro da mesma forma que os homens são educados.......fujam........Vão ver o nunca visto.....

09
Jan22

EXPECTATIVA

EXPECTATIVA

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Portugal é um país com uma raiz cultural marcada pela nostalgia, o tal fado que tendemos a aceitar e sobrevalorizar. Porém, o seu povo é, igualmente, um povo que vive, e muito, da expectativa!! As pessoas ganham expectativas quotidianamente que são irracionais, pouco pragmáticas, obstaculizantes, e nada positivas, o que nos prejudica, individual e coletivamente em variadíssimos aspectos da nossa vida, se nós atentarmos pacientemente a identificar a sua existência. A expectativa de certa forma ultrapassa a esperança em termos gerais, tornando-se um empecilho uma vez que mais não é do que a forma degenerada da esperança..Todos nós já vivemos expectativas, e conhecemos quem as viva diariamente, seja quando somos proprietários de um terreno, uma ruína, uma casa, que temos a expectativa de a vender por um preço absolutamente absurdo, quiçá a um estrangeiro tolo, (como se os estrangeiros o fossem) e o bem imóvel lá fica, por vender, às vezes mais do que uma geração, ou quando arrendamos, por um preço absurdo, e ficamos com o bem imóvel vazio, meses a fio, porque preferimos ganhar zero a ganhar menos do que a nossa expectativa..Todos nós já vivemos ou conhecemos quem viva da expectativa de herdar dos ascendentes, e as lutas que se travam dessas expectativas, as vidas que se deixam de viver dessas expectativas é uma realidade. Os bens materiais são de quem os pertence e os seus donos têm o direito e a legitimidade de fazerem o que entenderem com o que é seu. Naturalmente depois vai de cada um saber como encarar esta realidade. Certo é que o direito sucessório está caduco para a vontade dos proprietários e é o garante dos expectativistas. Todos nós já vivemos ou conhecemos quem viva de relações interpessoais baseadas na expectativa, na expectativa de conseguir algo de outro, de mudar o outro, na expectativa de voltar a ser feliz com o outro, seja o outro familiar, amigo, ou parceiro. É preciso evoluirmos, sem medo e com esperança positiva, porque a expetactiva não nos faz evoluir em toda a nossa potencialidade, antes, nos agarra com raízes profundas a vidas perfeitamente anómalas na sua essência. A essência da vida é vivermos, por nós, para nós, sempre com os outros, em paz e harmonia. 

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