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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

27
Set22

Voar

depositphotos_25977163-stock-photo-airplane-on-run.

Quem é que, estando necessitado, não aceita se o oferecerem? É um pouco absurdo de facto. Se eu precisar muito de uma coisa e alguém me oferecer não vou aceitar? Claro que sim! Até agradeço! Este seria o raciocínio lógico, ainda para mais num mundo em que poucos dão o que quer que seja. Naturalmente, no caso concreto, eventualmente não seria dar por dar, mas seria dar a troco de um contrato. Uma das cláusulas é conhecida: financiamos a construção do aeroporto com dinheiros exclusivamente privados. O Estado necessita sempre, porquê: porque o Estado gere dinheiro que é das pessoas, e as pessoas têm mais onde o gastar do que entregar ao Estado para gerir mal os destinos colectivos. Recordo que havia um pensador clássico que afirmava que quando o Estado fazia bons negócios os privados saíam a perder, mas de todas as vezes que os Estado fazia negócios fazia maus negócios, e aí bem visto quem sai sempre a ganhar. Postas as coisas assim, a responsabilidade de lidar com dinheiro que é das pessoas é muito grande, infelizmente a tendência é para se pensar que o dinheiro existe e é para gastar seja ele de quem fôr porque é de todos. Não, não é de todos (muito menos dos decisores políticos), é de cada um de nós. Sai-nos do bolso todos os dias! Não quero entrar num discurso demagógico e populista de que o Estado deve ser mínimo e interferir zero na comunidade, bem pelo contrário, tenho um pensamento até, em alguns aspectos, algo "colectivista", ou seja, da colectividade, em contraponto à sociedade individualista e egoísta em que vivo, em que vivemos. Agora, se, no caso concreto, o país vive com a necessidade urgente de um novo aeroporto, se existem privados que se organizaram para financiar um novo aeroporto, ainda para mais com a vantagem de que o consegue realizar em 3 anos, porque razão o Estado não estuda a proposta com vista à sua aceitação? Vamos pagar milhões e milhões só para ter o aeroporto mais próximo da capital uns 30, 40 kms, o que se traduz em 15 minutos viagem, quando o estão a oferecer para construir???Sem custos? Aparentemente, a localização em termos ambientais não é impactante, em termos de acesso a infraestruturas já existentes não poderia ser melhor, em termos económicos vai alavancar uma zona esquecida do país (ao contrário das outras que estão em sobrelotação betunistica). Os argumentos a favor da localização do aeroporto na Ota são em parte os mesmos que para este: o tráfego aéreo é maioritariamente dispersável a norte, logo não faz sentido fazer qualquer aeroporto na margem sul. Mais: ao contrário da Ota, e dos outros todos, os portugueses para aqui não dão um tostão! Querem dar e não vamos aceitar? Em três anos? Quanto dinheiro vai o país deixar de ganhar com os atrasos nesta discussão secular? Quanto dinheiro andará para se perder nas teias? Se a proposta fôr boa, não há porque não exista como negócio modelo, um win-win Estado privados. Porque na vida, o importante é voar, quanto mais, mais depressa e mais alto, melhor....

25
Set22

Desigualdades

Assimetrias-e-desigualdades-agravam-impacto-da-recPortugal é um país atrasado, com enormes desigualdades estruturais que teimam em permanecer como o fatum do país. Portugal trata mal os seus e a melhor prova disso são os dados demográficos que estimam uma redução da população portuguesa de 10 milhões para 7 milhões em pouco tempo. A falta de reflexão, a falta de discussão séria e a falta de transparência todas contribuem para o perpetuar de uma sociedade doente. Sociedades igualitárias, nos domínios económicos, sociais, políticos, culturais são sociedades que se desenvolvem harmoniozamente onde o sentimento de comunidade e de pertença se encontra de acordo com o contrato social e a dignidade de vida que deve pautar o sentido de vida dos cidadãos, os seus propósitos. Sociedades desiguais são sociedades doentes que provocam nos cidadãos uma tristeza e ressentimento que depois se traduz, cedo ou tarde, em escolha por lideres populistas e autoritários, fruto do descontentamento do perpetuar de diversas desigualdades. Estas desigualdades vão corroer por dentro as sociedades, e as sociedades europeias, apesar da sobrevalorização de valores humanos e da escolaridade mais consistente do que em outros pontos do globo, não estão imunes. As novas eleições em Itália, o estado de países como Polónia e Hungria e a espiral inflacionista mundial vão atirar o Espaço Europeu para enfrentar o seu maior obstáculo: ou a UE consegue provar que dá resposta rápida e eficaz e abraça os seus cidadãos ou o palavreio habitual de décadas e a falta de pensamento racional e lógico face a ameaças sempre existentes farão este bloco europeu escolher existir ou implodir. Até às próximas eleições europeias e o próprio resultado das próximas eleições europeias será o melhor barómetro para aferir da saúde das instituições europeias e do sentimento democrático europeu. O modelo de organização plasmado nos tratados não tem sido alvo de reflexão. Tal como o modelo de organização dos Estados membros de per si. Relativamente a Portugal, o país vive em constante gestão de mercearia, com a diferença de que não dispomos dos dados relativos aos elementos da mercearia. No Brasil, país irmão, o próximo presidente, segundo as sondagens, uma das medidas que tomou no seu anterior mandato foi a criação de um portal da transparência, ao estilo dos países nórdicos. Podemos saber quem ganha o quê que seja oriundo de dinheiros públicos. Qualquer que seja o escalão, a carreira, o sector, o cargo, é dinheiro público é x. Por outro lado falta também (em Portugal que é a minha realidade) uma utilização séria dos números. É absurdo tentar discutir, por exemplo, a localização do aeroporto de Lisboa sem ter uma estimativa de custos, bem como sem ter molas comparativas. O Brasil, país onde a comunicação política é mais avançada, existem toda uma série de técnicas comparativas no que toca a números. Essas técnicas passam por traduzir os números por percepções exactas dos factos a que se refere. Não sabemos quanto custam as obras públicas em Portugal, só no fim de feitas. Quando são apresentados os números nada nos fica na ideia, apenas o número em si. Temos a consciência de que esse número não é, nunca é o correcto. Faz falta um levantamento do custo das obras publicas portuguesas desde que esta Constituição está em vigor, desde a obra mais pequena às grandes obras "do regime". Faz falta, por uma questão de rigor e transparência, saber que ministério tem quanto e para quê. E depois faz falta traduzir tudo isso "por miudos" a tal técnica comparativa de X equivale à despesa de y*z. Ora, efetivamente Portugal assistiu a um desenvolvimento inegável após o atraso com que o anterior regime político nos colocou. Porém, não é perceptível o que mais e melhor se poderia ter feito, o que ficou nas teias da corrupção durante os anos 80 e 90. Chegados a este milénio, podemos ter as infraestruturas mais desenvolvidas do mundo! (que não temos) mas se continuarmos pobres, sem saúde e sem educação, nunca conseguiremos dar saltos qualitativos na nossa sociedade em rumo de uma sociedade menos desigual geográfica, económica e cultural, de acordo com o tipo-ideial weberiano. São escolhas políticas. São escolhas políticas baseadas em enraízamentos culturais muito fortes e apatia e conformismo luso. Falta informação e falta isenção. Num momento em que Putin bloqueia a Europa com as suas táticas e com os seus trunfos, as reportagens e opinion-makers continuam enubliados num pensamento que não distingue o que gostariam que fosse verdade com o que efectivamente é a realidade. Vamos atravessar porventura pela maior crise das nossas vidas, a crise da transição de hegemonias mundiais, que dura cerca de 20 anos, estamos a entrar numa crise económica com uma duração média de ano e meio, continuamos, infelizmente sem perceber que a implosão se dará por dentro, através dos descontentamentos dos "filhos" que foram esquecidos e relegados para vidas dificeis e menos dignas. Enquanto a exploração de uma maioria continuar por uma minoria sem escrúpulos, carácter e valores, o propósito colectivo nunca será alcançado. Resta-nos acreditar que um dia iremos ser governados por máquinas, talvez aí o mundo seja menos desigual.

20
Set22

Mundo ao contrário

Captura de ecrã 2022-09-20 204725.jpg.

O mundo está ao contrário. Terminou como nós o conhecemos até início da pandemia. Novos tempos vivemos. Em tempos de pressão demográfica mundial, antecipação de crises económicas em países como Alemanha, China, Estados Unidos, instabilidade política e escassez de recursos naturais. À hora que escrevo, as pessoas anseiam por saber o que Putin irá comunicar ao país. A semana foi marcada pelas cerimónias fúnebres de uma das figuras mais poderosas do Ocidente, se não a mais poderosa. A próxima semana será marcada pela ascensão de uma figura medíocre em termos intelectuais e em termos mais latos em Itália, enquanto prossegue a campanha eleitorar no Brasil que terá lugar no início de Outubro, em que um dos candidatos, o actual presidente, é humilhado em Nova Iorque durante a sua participação na sede da Onu. O mundo mudou. As desigualdades aumentaram drasticamente interestados e infraEstados, ou seja, dentro dos Estados a pobreza vai aumentando significativamente e entre os Estados, comparativamente, em termos reais e nominais, também. Verifica-se um retrocesso nas mentalidades, uma tentativa de restrição de direitos, liberdades e garantias individuais, um pouco por todo o mundo, como por exemplo no Afeganistão, bastião de poder dos talibãs, que proíbem as mulheres dos seus direitos mais básicos, como o direito à educação e o direito à autosuficiencia através do trabalho, o direito ao trabalho remunerado. A ascensão, por um lado, destas mediocridades, bem como o declíno dos partidos tradicionais ocidentais pela falta de resposta, falta de ação concreta para as suas populações, irá se transformar num retrocesso civilizacional sem precedentes, com a falta de liberdade, a falta de democracia, a falta de tolerância, a falta de direitos humanos e de dignidade de vida. O mundo caminha para polarizações perigosas em todos os sectores sociais, pelo que a fragmentação se torna um perigo social só por si. Nos Estados Unidos, o país mais hipócrita do mundo, um velho "tolo" ainda quer mandar no mundo, regando de insensatez o cargo que ocupa. O mundo está em deriva, numa transição de forças que nada poderá parar, entre ocidente e oriente, releva a história  da humanidade. Habitualmente estas transições duram 3/4 décadas pelo que o que importa agora é ter essa realidade presente e ir gerindo e inspirando o mundo para um futuro de valores sólidos essenciais em que o valor supremo é a Paz.

16
Set22

...

am-i-selfish-1280x894.jpg.Num mundo em que ninguém dá nada a ninguém, ninguém recebe nada de ninguém. É muito simples, é matemática. O mundo é um local selvagem onde sobrevive o mais forte, na teoria de Darwin, aqui aplicada às sociedades. Porém, as dificuldades, o egoísmo, a falta de valores, tornou-se tão marcante que as pessoas estão exclusivamente preocupadas consigo próprias. A tradução de uma intenção é um comportamento. Não importa o que as pessoas dizem, importa o que as pessoas fazem. Ora, se nem uma pandemia desta natureza como a que passámos vai abrir a cabeça (e o coração) das pessoas para reflexão e mudança de atitudes e comportamentos, então, muito dificilmente alguma coisa fará as pessoas mudarem. Bill Clinton, além de saxofonista, advogado, e ex- Presidente dos Estados Unidos da América, é também autor de um livro, best-seller curiosamente, ou talvez não, denominado: to give. As pessoas falam muito, falam, falam, falam, mas na hora da verdade, a realidade é uma só: ninguém dá nada a ninguém. O mundo vive atordoado e atormentado, cada vez mais, pelo facto de dar relevância exclusiva ao ter bens materiais, do que ao ser, correto, honesto, solidário, tolerante e livre. Vivemos num mundo de exarcebação da posse de bens materiais mas também de um mundo voyeurista, que só sabe olhar para o lado, se comparar, ver e saber dos outros, o que fazem,o que dizem, o que vestem, o que têm, esquecendo-se de que isso importa zero, isso é doentio, isso é desvirtuação do nosso próprio sentido da vida e dos nossos propósitos, enquanto pessoas e enquanto colectividade. Cada vez mais as redes sociais e os meios de comunicação social se alimentam destas abstruzidades, destas futilidades, destas absolutas palermices. O mundo é mau sim, e está pior. O mundo vai ficar pior. Ao invés de pensar o homem adia. Ouve mas não escuta, olha mas não vê, diz mas não faz. Quando perceber que o caminho certo não é esse, aí será tarde demais..

04
Set22

Saude maquinal

logos_saude.jpg.

A saúde é o bem mais precioso das pessoas. É, por isso, um dos sectores mais dificeis de gerir em sociedade. Exige aprofundado conhecimento, sábia organização, competência e humildade. A profissão de médico é bastante parecida com a profissão de advogado: estudos superiores intensos que se revelam ser apenas a base do exercício da vida profissional; exigência da continuidade de estudos ao longo da vida; especialização e/ou prática generalista; ambos carregam o peso de lidar com a vida das pessoas; exercem as suas atividades profissionais sozinhos ou em grandes companhias do sector; regulamentadas por uma ordem profissional a que têm de pertencer, etc, etc, etc...Não se esgotando os respetivos setores nestas actividades, há, por isso, uma complexa estrutura social onde se inserem. A saúde apresenta uma primeira porta de entrada, primeira resposta, teoricamente lógica e bem organizada a uma primeira vista. Na prática, a teoria é outra: se temos o azar (como eu) de ter a incompetência e a falta de organização como primeira resposta, tudo fica impactado. Somos obrigados a saltar o muro da ignorância a que essa classe profissional nos quer manter e procurar por mais informação e por mais conhecimento, e, à medida que vamos avançando neste processo vamos tendo maior capacidade de avaliação e de escolha, relativamente a nós e aos outros. O sistema está feito para tratar pessoas doentes, pois sem pessoas doentes não há médicos. Como bem mais precioso do ser humano, é utilizado como arma / máquina de fazer dinheiro, pelos outros, pelo sistema, e percebe-se bem porquê... Toda a gente adoece, mais cedo ou mais tarde, mais estrutural ou mais conjunturalmente, mais isto ou mais aquilo é algo inevitável.....Ou não! A educação para a saúde e a promoção de estilos de vida saudáveis, a informação e o conhecimento, a medicina preventiva e todas as áreas correlacionadas poderiam dar um contributo brutal para mudar o estado do sistema. Hipócrates, pai da medicina, afirmou algo que parece completamente arredado do sistema construído: "faz do alimento o teu medicamento", e arredado, precisamente, pelos interesses gananciosos e ignorantes que por aí pululam. Curioso é que o médico mais famoso de Portugal é precisamente aquele que reage contra este sistema e que afirma que não faz sentido os profissionais médicos se formarem sem terem o mínimo de estudo na área da nutrição. O Dr. Pinto Coelho, um homem formidável, percebeu que, a partir do momento que expusesse as falhas do sistema logo iria ser "amaldiçoado" pelos colegas, sendo aprovado pelas pessoas. É o primeiro profissional que ousa publicar uma coisa tão simples como a tabela de ingestão mínima e máxima das vitaminas e minerais. Nem a isto o povo tinha acesso rápido e esclarecedor. Ora, os profissionais que ousam alargar as suas vistas, ousam experimentar fazer diferente são imediatamente apelidados de vigaristas e coisas que tais. Felizmente, as pessoas estão a tornar-se mais conscienciosas, mais curiosas e mais ávidas em fazer circular a informação e o conhecimento, e tudo isso, é agora, muito mais fácil de fazer, graças à quebra de barreiras físicas através da internet, das redes sociais e dos novos paradigmas que emergem. Ainda não estamos em tempos de entregar os nossos corpos a máquinas, mas com o avanço do conhecimento em determinadas áreas a saúde sofrerá uma revolução! A saúde será maquinal, teremos todos os mecanismos para irmos sabendo como se vai comportando o nosso corpo, ao longo da nossa vida e seremos, simultâneamente, curados ou tratados por máquinas programadas e robóticas, cheias de conhecimento condensado utilizando sistemas de inteligência artificial que nos irão salvar, prolongar as nossas vidas e fazer da nossa vida uma vida cheia de qualidade, onde a dor e as doenças não terão sucesso. As áreas do conhecimento deverão ser vistas holísticamente, desde a medicina, passando pela biologia, pela química, pela nutrição, pela matemática, pela informática, etc, etc...Enquanto essa realidade não chega fazemos o nosso melhor: estudamos, informamo-nos, trocamos ideias e experiências e, claro, rezamos à Deusa Grega da cura: a Panaceia. Que a panaceia nos belisque dos nossos pesadelos para podermos voltar a sonhar. O corpo humano é a mais bela máquina alguma vez pensada. Que a saúde esteja sempre presente, quando não, a cura.

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