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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

31
Mai23

Invisiveis

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Sem abrigo ou mendigo, o grau zero da dignidade humana, sem tecto, sem alimento, sem saúde, sem trabalho, sem dinheiro. Estes são os invisíveis mais visíveis das sociedades. Infelizmente, existem também os invisíveis menos visíveis, as pessoas que pela sua idade, condição social e/ou género, entre outros circunstancialismos são, ou tornam-se, invisíveis da sociedade. Da sociedade materialista, mercantilista, utilitarista. Os invisíveis podemos ser todos nós. A pobreza é o denominador comum dos invisíveis. A sociedade afasta-se deles, as pessoas afastam-se dessas pessoas. Por isso existem os lares, os depósitos de pessoas que, por causa da idade, vão perdendo as suas capacidades e a sua autonomia.....Onde e quando há dinheiro há sempre gente em volta pois ninguém conhece nenhum idoso rico a passar os seus últimos anos num lar...Por isso mendigo não tem amigo, por isso idoso não tem amigo, não tendo dinheiro não é util, é assim que a sociedade o encara. A sociedade que aproxima pessoas por interesse. As pessoas dão-se por interesse sim, convém não confundir o interresse interesseiro do interesse interessado, e muitas vezes essa distinção não é possível detetar. Só de uma forma: cai no poço e logo vês verdadeiramente quem são os teus amigos. Ninguém liga se estás desempregado (principalmente se fores mulher), ninguém liga se não te sentes bem, ninguém liga se não tens o que comer, ninguém quer saber....ninguém.....és invisível.....és lixo....és inutil....É assim que a sociedade te trata, é assim que as pessoas te tratam. A contrário, todo mundo quer ser "amigo" de pessoas ricas! A quantidade de amigos que os ricos têm é extraordinária!!! Então, o que aconteceu nas nossas sociedades? O verdadeiro voyerismo, a fofoca, a maldade, alimentando as doentias redes sociais e enchendo-nos de influencers que pouco influenciam, ou melhor, que influenciam ainda mais e para pior, as cabeças ocas e tristes, para a parvoíce, a futilidade, a ignorância, a estupidez. Os invisiveis não, esses não são influencers. Lá se podem tornar conhecidos por algum motivo e logo passam a ser adorados e a ter muitos "amigos" porque o interesse ganhou forma (se passaram a ser conhecidos passaram a lucrar, então as pessoas hão-de querer lucrar....mas os outros invisíveis continuam lá....os doentes, os desempregados, os inúteis, os pobres. Sim, não há nada de bonito na pobreza, ninguém quer ir para lá. A dor reveste-se de muitas formas e o ostracismo social é, de facto, verdadeiramente, uma delas, a pior delas....Que sociedade estúpida estamos a acentuar que se livra dos seus "velhos", e os coloca em hospícios, que foge dos mendigos como se de leprosos se tratassem, esquecendo que, num minuto tudo muda....porque tudo pode virar, para qualquer pessoa, a qualquer momento, para qualquer circunstancia. Costumo pensar que onde cada um de nós está neste momento resulta das decisões que tomou no passado, evidentemente, mas que 5 anos é o espaço temporal para colher o que semeaste, para ver os frutos de algo, 5 anos, mais ou menos, para desenhar o contorno da estrada da vida de cada um de nós. (Naturalmente num povo mais dinâmico como por exemplo o brasil, as coisas acontecem a uma velocidade maior e mais vertiginosa, dado o carácter muito pragmático da sua cultura e aí colhes em metade do tempo as sementes que deitaste na estrada do passado). A consistência das escolhas e dos caminhos traçados faz-se sentir. Para os invisíveis é muito mais dificil. A escada é maior, exige mais esforço, mais foco, mais saúde, mais clareza, mais um empurrãozinho. Sair da sombra para a luz. Sair do invisível para o visivel. A dignidade é um valor fundamental, porém encontra-se totalmente arredado num mundo cheio de voyeurs que na realidade não querem saber de ti....Querem alimentar os seus lados egoístas, os seus objectivos, os seus pecados capitais. Num mundo cheio de voyeurs saberá quem é teu amigo se te tornares invisível, pois enquanto jovem nunca o serás, dadas as instituições sociais e a sociabilidade geral desse período da vida, pois tens a vida toda pela frente! Passa muita gente na tua vida mas com os anos percebes que amigo é raro. Em jovens querem ter companhias de aventura, de boa vida, procurar parceiro sexual (uns exclusivamente com esse fim, por isso as pessoas estão sempre em alta socialização) por isso estás sempre rodeado de "amigos"...Onde há boa vida há "amigos". Cai no poço, vai para a sombra, torna-te invisivel......e verás....Diz-se que quem cai levanta...A serenidade, a sabedoria vai ser suficiente para te dar luz no coração, e vais ter muito mais luz, ainda que voltem, novamente, os voyeurs sociais....os verdadeiros invisiveis da sociedade....

27
Mai23

Ego

pessoa-egoista.jpg.

As sociedades atuais pautam-se marcada e crescentemente por valores egoístas, materialistas, machistas, individualistas, e outros istas.... "Faz aos outros aquilo que gostarias que fizessem a ti" parece, aparentemente, ser/ter sido um bom lema de orientação comportamental uma vez que o valor da empatia, da solidariedade, da justiça, e da auto-estima, se sobreporiam a comportamentos que não corresponderiam à expectativa das pessoas em particular, com beneficio da comunidade como um todo, como instrumento de conseguimento de uma sociedade boa, de boa índole, melhor....Mas não...Parece ter-se materializado o lema: "usa pessoas, ama bens". Não é porque o comportamento dos outros não corresponder às expectativas, não é por sermos traídos, não é por termos feito o que deveríamos fazer, o que a conduta do homem médio (essa antiga expressão jurídica tão machista) ou da mulher média, determina fazer, e não haver correspondente agradecimento, lealdade, gratidão, consideração, respeito, que devemos mudar de comportamento/posição....Quem está errado, ou foi incorreto foi o outro, e isso é quanto baste para nos tranquilizar interiormente. Porém, o mundo mudou. O mundo em que nasci, tão diferente do actual, em que os homens se faziam homens aos 20 anos e as mulheres se faziam senhoras e cuidadoras do quotidiano e tarefas dos lares, com a ajuda de empregadas, onde florescia quotidianamente a sua candura, afeição, feminilidade, e onde, de modo geral, as pessoas honravam a sua palavra e os seus compromissos, onde o respeito era uma realidade constante, se bem que com uma mistura explosiva de sociedade patriarcal medieval, ainda assim, a qualidade de vida de ambos era mais saudável e normal, não obstante a escassez de bens materiais e a escassez de bens alimentares. Hoje, temos as pessoas doentes mentais, alienadas, manipuladas, sem escrupulos, sem qualidade de vida, sem empatia, e, sozinhas, ainda que, acompanhadas....Na senda de querer impressionar os outros, a sociedade, pelas posses, pelo status, ou por qualquer outra coisa, as pessoas perdem o foco, o real, o propósito: a felicidade. E ninguém é feliz sozinho. Ninguém é feliz sabendo que pisou pessoas, que maltratou, que mentiu, que roubou, que matou....Fingir é fácil, mas está lá dentro e não sai....Numa sociedade doente, livros como "o ego é o inimigo" fazem imediato sucesso, todos querem sair do rótulo.....mas de facto o ego é o inimigo....o motivo pela qual um livro destes faz sucesso só pode ser um: a consciência pesada....As sociedades formatadas em que vivemos, a nossa aculturação faz parte de um sistema milenar antigo que assenta na dicotomia razão emoção, tendo valorizado uma ou outra ao longo da história das civilizações. A nossa, a ocidental, pautou-se sempre (ok, desde sec. das luzes, não há tanto tempo assim, aliás ainda estamos de fraldas) pelo famosíssimo método cientifico, relação causa-efeito, verificável através de leis, leis que, pela sua natureza, ou definição se caracterizam como imutáveis. Ora quando saímos do chamado discurso oficial do sistema, somos olhados de soslaio, no mínimo, quando sentimos que, lá dentro, o ego nos insulta, se ri, desdenha, o ego do outro....Ler pensamentos é algo que os cientistas gostariam de ver mais aprofundado, e não é difícil. Basta olhar para a pessoa, para o contexto, e ver o ego. Alguns egos dos outros atingem-nos pela ação ou omissão de comportamentos...já outros egos dos outros atingem-nos, igualmente, ao não colaborarem com os nossos entendimentos, por causa dos pré-conceitos, determinados por estudos que, de cientificos até podem ter alguma coisa, mas não são leis, nem de perto nem de longe, e, como referi, estamos ainda de fraldas. O conhecimento "cientifico" médico está extremamente atrasado e padece de 1ºfalta de visão holistica, 2º falta de conhecimentos, 3º falta de interesse, e esta é a pior de todos. O ego. O egoísmo. A falta de empatia. Diz a citação: "para conheceres um homem dá-lhe poder", mas não, reformulo: "para conheceres um homem dá-lhe um problema". Diz-se que o amor é cego. É verdade. Mas mais verdade é que o próprio ego é cego. Não fosse cego conter exatamente as mesmas letras de ego, só com um acrescento. Então, o cego do ego e os seus preconceitos acabam por não contribuir para a "descoberta da verdade material"(mais uma expressão juristica), porque para o avanço da ciência se fazer é necessário que se saia da caixa do conhecimento adquirido e consolidado, para se avançar com soluções, possibilidades, hipóteses e, "nos termos em que se requer" as sobreditas conclusões. Ora quando 6 biliões de egos se encontram o que acontece? Nada, porque 0*0= nada. Então, quando a pessoa percebe que o ego é o seu inimigo (mais um inimigo para Russell juntar aos seus da Liberdade) ou percebe que existe um problema e se apaixona tão intensamente por esse problema que, sai da caixa do conhecimento e parte à descoberta da solução......tem um problema, se a encontrar.....os outros egos, por desconhecimento, inveja, preconceito, medo, rejeitam a solução encontrada. Daí que o avanço nas máquinas de inteligencia artificial resolvem logo várias questões: a dos egos, das validações, a questão da recolha de dados qualitativa e quantitativamente maior e mais vasta e a ausência de preconceitos, dada a sua formatação puramente lógica, advinda da matemática algorítmica quantica que a compõe. Podem as máquinas ajudar na evolução mais rápida do conhecimento científico? Podem. Elas (até testar) não possuem ego como inimigo se si e/ou do outro. E certamente poderão também fazer avançar as sociedades no sentido de fornecer um propósito mais comunitarista, mais fraterno, mais justo.....É só um problema....Problema de egos, egos que nos governam, egos da ciência, e os nossos próprios egos.....Egos que se alimentam.....Temos de alimentar melhor os nossos egos.....A bem de todos...

22
Mai23

Esquema Piramidal Social

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Grande parte dos sistemas de ensino padecem dos mesmos defeitos: anacronia. Anacronia na forma de ensinar, anacronia na substância. Países que muita gente tende a ver com maus olhos ou a desconfiar podem acabar por ser uma solução adaptada aos dias de hoje: Alemanha e Russia. Na Alemanha o ensino obrigatório pauta-se por ser essencialmente prático, não deixando que nenhum aluno saia da escola sem saber um ofício, sem saber fazer algo concreto, sem saber exercer uma determinada profissão. A Russia e as ex USSR apostaram desde há décadas num tipo de ensino que foca muito nas ciências exactas e aplicadas, não descurando a sua elevada qualidade de ensino nas artes e na cultura em geral. Pelo contrário, um pouco por todo o mundo o ensino foi visto como um negócio sob a capa da escolarização, quantos mais e quanto mais tempo melhor. Só que não. A casta de privilegiados mais não é do que um engodo social encapotado por culturas que os endeuzam, os chamados lentes, ou professores doutores. O maior negócio do ensino é obviamente no país mais capitalista do mundo, os Estados Unidos, onde os "student loans" se tornaram o maior "burden" de pais e de jovens, que se endividam para toda a vida para pagar estudos superiores, estudos esses que, mais das vezes, é caminho aberto para o desemprego, ou para prolongar ainda mais esses estudos até ao ultimo grau, e passar a fazer parte do ciclo vicioso, da turma dos endeusados. Porém, já nem o PHD é sinónimo de emprego, ou de trabalho, ainda que tenha dado muito trabalho a consegui-lo. Energia, tempo, vidas, desperdiçadas e destruídas. A proliferação do engodo deve ser desmascarada. Costumo pensar que, normalmente, a criança tem, habitualmente, à partida, duas hipóteses, pelo menos, de aprender um oficio. Infelizmente não. Nem o pai nem a mãe ensinam, explicam, as crias a fazer exactamente o que fazem, julgando que a cria irá encontrar o seu caminho e a escola lhe irá proporcional incomesuravelmente mais oportunidades de aprendizagem do que aquelas que eles humildemente exercem....Nem cozinhar, a tarefa quotidiana necessária à sobrevivencia de qualquer pessoa, os pais e as escolas se obrigam a ensinar desde cedo. É pena. É uma falha tremenda! Tanto da parte da instituição quanto da parte dos progenitores. Mais das vezes é a mulher que faz todas essas tarefas. Mais das vezes é a mulher a mais sacrificada na vida profissional. Mais das vezes com muitas menos oportunidades do que os homens, porque o mundo continua completamente dominado por eles, pelos fazedores de guerras e misérias. O mundo doente. O mundo feio. Nesse mundo, muitas pessoas perdem as vidas à procura de trabalho. Anos a fio. Cada vez mais escasso fruto do aumento demográfico, do avanço tecnológico, e das deturpadas formações escolares. Cada vez mais anacrónico, fruto das futuras necessidades laborais de funções / profissões ainda não conhecidas. Vidas desperdiçadas, vidas indignas, vidas (in)conformadas, vidas dificultadas. A normalização da instabilidade laboral e profissional é uma doença do presente e do futuro, que vai levar ao aumento de comportamentos criminais dentro destas sociedades materialistas. Onde o ter substitui o ser. Sociedades onde é valorizada a imagem: o acessório que se usa no pulso, dá horas, cumpre a sua função, seja um casio seja um rolex; a carteira, carrega cartões, papéis e dinheiro, cumpre a sua função, seja uma parfois seja uma Louis Vitton; a roupa, cobre do frio e cobre o corpo, cumpre a sua função, seja Primark seja Hugo Boss; o carro, leva-nos de um sitio a outro, cumpre a sua função, seja um twingo ou seja um Rolls Royce....Ainda assim há quem contrarie as tendências e perceba que a imagem é uma coisa demasiado futil e ridicula, que serve apenas para tentar impressionar quem não interessa que se impressione, como diz o recente (muito bem) dito popular....Todas as vidas contam, daí ser imprescindível a educação com valores certos, com substância e, sobretudo, com ferramentas que  não façam cair as pessoas em esquemas piramidais sociais. O mundo, esse, está cheio deles...

21
Mai23

Tempos cruzados

tempo.jpg.

E num minuto.....tudo muda......Olhamos para trás e verificamos quantas vezes em um minuto tudo mudou. Foram várias. Não controlamos o caminho, mas não estamos predestinados. Essas vezes mais não foram do que gigantes obstáculos, gigantes caminhos que nos fazem atravessar o inferno, perdendo o tempo precioso que temos, destinado a cumprir os nossos propósitos. Enquanto caminhamos no inferno só temos uma opção: esperança. Continuar a caminhar é o nosso caminho. Pensamos, pensamos, pensamos, fazemos ligações entre as coisas, assumimos erros, olhamos para dentro, reconfiguramo-nos, reconstruímo-nos, avaliamo-nos, pensamos, pensamos, pensamos....Para quem sabe que os planos de pouco servem quando nos colocam obstáculos, assumimos a resolução dos mesmos como prioridade número um, pelo destaque diário em que tomaram as nossas vidas....tarde vemos que tomaram as nossas vidas.....e nos desviaram do nosso essencial, do nosso principal, do nosso foco, do nosso propósito, deixando-nos à deriva.....num mundo de incertezas, ficar à deriva é uma realidade bastante comum....é necessário agarramo-nos à bóia, orientarmo-nos e tentar nadar para terra firme. Nenhum homem é uma ilha, mas todos nos tornamos ilhas dentro de nós, desertos sem água, miragens longe da vista. Facilmente nos perdemos em meio de sociedades com valores deturpados, onde importa a imagem e nunca a substância. A imagem nós fazemos de nós com ações, com pensamentos com omissões. A substância essa vem do natural, do nosso interior mais profundo, das obrigações de facere ou de non facere, das divisões traçadas, dos valores atribuídos, e vemos, os obstáculos são apenas isso, obstáculos. O valor do tempo abre caminhos cruzados, as rotas do desejável e do real, quando o real tão doloroso se torna. O tempo se contradiz, as pessoas, nas suas contradições, se revelam, sem o tempo do presente, com o tempo do futuro. Com a IA, a evolução vai ser absolutamente revolucionária, com o tempo ela se tornará o desvio do nosso essencial, num mundo egoísta, podre e mau, ela se tornará um gigante obstáculo. O tempo a levará a reconduzir-la e ao mundo a uma dicotomia menos díspar, pois a informação e a sua colecta passará a ser o novo natural, o admirável mundo novo, onde todos felizes nos encontraremos, pois essa é a mágica da premissa da vida com propósito. O bem nos faz feliz. A justiça nos faz feliz. A liberdade nos faz feliz. O belo nos faz feliz. Cabe, a nós, fazermo-nos felizes em qualquer rota da vida, em qualquer cruzamento do tempo, em qualquer inferno de Dante, a sabedoria nos saberá guiar e ultrapassar as vicissitudes dos acessórios que tomaram as nossas vidas nos tempos cruzados que vivemos. 

 

09
Mai23

Oficina da Tristeza

 

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Diz a expressão: "mente vazia, oficina do Diabo" significando que vidas desocupadas não são saudáveis, quando na mente nada acontece. A irmã, depois de ter perdido a luta pelo colchão, dorme no chão, diariamente, na caverna fria e escura, pensando no nada, pois depois de pensar em tudo, do tudo se chega ao nada. As feridas são muitas, profundas, algumas antigas, outras destruídas por sonhos líricos de tenra idade. A desilusão e a tristeza com o mundo, com o seu mundo interior tomam conta de cada minuto que passa. A irmã, doente, não tem forças para sair da caverna, não tem destino, o destino a tem a ela, feio, doloroso, implacável. Já se encontraram anteriormente, encontram-se todos os dias, maquinalmente operando nos seus termos. A oficina da tristeza torna-se o novo normal, dos dias sem tempo, sem trabalho, sem fazer. Já tudo foi feito. Tudo o que foi feito foi mal feito, mal escolhido, maus caminhos, más estradas da vida, porque o destino tende a ser pesado, precisando de força e coragem para ser contrariado. O peso da vida torna a oficina da tristeza na oficina do Diabo. As feridas abertas, o minuto a passar, dolorosamente, custa. O idealismo brigou sempre por demais com o realismo, a justiça com a injustiça, a preguiça com o esforço, a semente com a tempestade. Colhemos o que plantamos, mas para plantarmos temos de ter sementes, e as sementes não são fáceis de encontrar. As sementes são todas diferentes e todos conseguimos sementes diferentes à nascença, num jogo de sorte ou de azar que a priori nos é entregue. Na oficina da tristeza apenas conseguimos semear as poucas sementes que os campos e seus caminhos nos deram, pois outras sementes não existem aqui. Aqui, existe o tempo, tempo que demora a passar, tempo sem objetivo, tempo indefinido, tempo longinquo, tempo sentido. Sem sentido. A irmã. A mãe. A caverna escura. A oficina. O tempo. A mente.....mente

08
Mai23

Cheio de nada

An illustration of colorful doodles floating around a darkened silhouette. A sabedoria colectiva acumulada da Humanidade ainda é incipiente. As pessoas pouco tempo têm para si próprias e para refletir, bem como para alimentar a alma. Num mundo onde predomina a ganância e o individualismo, o materialismo e o egoísmo pouco aprendemos com esta incipiente sabedoria colectiva acumulada da humanidade. É também um mundo difícil, um mundo de recursos escassos, um mundo onde a pobreza se multiplica assustadoramente com tudo o que de mau isso traz. Como alguém dizia, as irmãs brigam até pelo colchão de palha que era da mãe delas.....A sobrevivência nuns casos, a mesquinhez nos outros leva a que este seja o ponto mais baixo da dignidade humana. A fome. Todos os tipos de fome. Se queres saber quem és olha para dentro de ti. Reflecte. Muitas vezes a experiência te dirá o que o sonho não queria. Os melhores exemplos onde estão consagradas algumas das preposições sobre a sabedoria acumulada da humanidade é nos clássicos. O brilhantismo das suas conclusões independentemente das escolas em que se insiram reflecte na sua quase completude uma grande parte da condição humana.....que conhecemos e que desconhecemos. Ele era sensível, extremamente bem humorado, inteligente, bonito e.....adorava ditos populares portugueses, como manifestação da cultura portuguesa, mas ainda mais como manifestação dessa, então, sabedoria colectiva acumulada....Sabedoria que por vezes se poderá tornar ambígua, ou, controversa, ou pré-conceituosa, mas manifestamente incompleta......ou não.....Quando Ele nos põe num caminho, em caminhos que são os decorrentes do nada fazer, nada ser, ou, pelo contrário, tudo fazer e decidir, encontramo-nos connosco no futuro por diversas ocasiões. Queres saber quem és: olha para dentro de ti. Querem saber quem são os outros. Saberás. Quando estiveres no buraco mais fundo possível verás claramente a realidade. Presente. Presente é uma palavra que é semelhante em várias linguas, e tem em comum, nessas mesmas linguas, uma dupla significância: temporal, de descrição do agora e uma significância substantiva, que também remonta a essa mesma significância temporal: um presente que se torna uma lembrança que é materializada dentro de nós através de algo, físico ou não físico. A sabedoria coletiva acumulada da humanidade acaba por não conseguir com clareza projectar o futuro através do presente, pois que, em segundos, tudo muda, tudo pode mudar. A moral social espartilhadora do nosso ser e do nosso sentir torna-se espartilhada em frente a conceptualizações básicas como a justiça, o bem, ou outras. As sociedades tratam as pessoas com idade de forma pouco digna tal como tratam as pessoas pobres de forma igualmente indigna, como tratam os géneros de forma injusta. As pessoas, as conhecerás, pois ninguém consegue fingir e encobrir os seus defeitos o tempo todo a toda a gente. A verdade é um conceito que se traduz em realidades concretas e é esse conceito que nos deve nortear a todo o instante sob pena de estarmos a trair-nos e a trair consigo toda a sabedoria e todos os ditos populares. Enquanto a mente divaga ininterruptamente sobre tudo temos a consciência que, no fim, ficamos cheios de nada e o nada já é alguma coisa.

07
Mai23

Sociedades

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Relativismo cultural, choque cultural são expressões que elas próprias "de per si" dariam, cada uma delas, dissertações várias e extremamente enriquecedoras. De facto, não existe uma autonomização científica da sociologia comparada, apenas estudos, o que é pena. A evolução da humanidade sempre se fez, e se fez mais rapidamente, com a troca intercultural de saberes e experiências. As diversas ciências sociais, antropologia, demografia, sociologia, psicologia, economia e por aí fora, na busca por uma respeitabilidade académica acabou por se perder em estudos entediantes e pouco enriquecedores e também, causa maior, se perdeu no enredo valorativo que Max Weber, desde cedo apontou existir. O caminho para uma grande comunidade mundial está distante, mesmo com toda a parafernália tecnológica que nos permite aceder em tempo real a cada canto do mundo. Não é suficiente. A fragmentação é elevadíssima, tal como os valores e ideais de cada comunidade e de cada sociedade em qualquer canto do mundo. Poucas coisas se reconhecem como sendo denominadores comuns de existência nas sociedades de todo o mundo: a necessidade, mais ou menos forte de fornecer à sociedade, às comunidades crenças espirituais, independentemente, do que estas em si sejam, crenças que acabaram por se materializar em religiões e, depois na prática, em igrejas, existindo a par disso um universo infinito de crenças espirituais para lá das religiões, ou seja, um pensamento filosófico/metafisico comum e colectivo e também, como denominador comum existente nas sociedades, a célula base da existência do Homo Societas: a familia. Esta célula base torna-se impossível de dissociar, naturalmente, da sua causa, biológica: em primeiro lugar, a união física dos dois géneros, masculino e feminino que estão programados biologicamente para se replicar e, em segundo lugar, a necessidade biológica da espécie humana em particular, de fornecer alimento e proteção até à autonomização biológica do ser humano, autonomização biológica essa que leva 6 a 10 anos. Porém, o conceito é muito mais do que isso, tendo sido conformado pela humanidade ao longo de todos estes milénios, das mais diversas formas. As sociedades acabaram, assim, por definir e conformar a sua base numa relação causal biológica. A racionalidade apela a muito mais. A forma gregária dos seres humanos ajuda a que as sociedades se encontrem espartilhadas e fragmentadas nas suas bolhas comuns, dificultando toda uma discussão necessária sobre si próprias, as suas características, causas, crenças e valores. O cidadão global, como muitos se gostam de auto-intitular, acaba por se tornar uma auto-ilusão dado o fenómeno de aculturação sofrido nos tempos de  inexistência autonómica individual, e, provavelmente nos seguintes. Relativismo cultural e choque de culturas ou de civilizações acaba então por se revelar a grande consequência não só da diferenciação e riqueza cultural, como também e sobretudo, da valoração indivudual que acaba por ser obrigatóriamente imposta, consciente ou inconscientemente. Para além disso, a própria organização social das sociedades impõe um fio condutor secular comum que ainda que se manifeste lógico em termos organizacionais ou funcionais, na prática, se encontram milhentas diferenças culturais mesmo em espaços territoriais mais pequenos. Era fundamental o autoconhecimento, para nos conhecermos melhor e para conhecermos melhor o outro, para que o diálogo, a paz, a empatia fossem, no mundo uma realidade mais próxima e mais concreta para que o mundo caminhasse rumo à estrada da tolerância, da justiça, da sabedoria, do progresso e da felicidade....Faltam pontes, faltam estradas, faltam guias....

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