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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

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17
Jan24

Cultura Portuguesa

mulhertuga1.jpg.

Não gosto nem me revejo na cultura portuguesa. Desde criança odiei rancho. Este foi um dos meus primeiros contactos mais precoces e fortes a fomentar este sentimento, se bem que uma cultura não são apenas as suas tradições, símbolos e hábitos, mas são muito mais do que isso, são as vertentes de carácter e personalidade de um povo. Somos um povo de índole boa, de paz e sossego, mas somo-lo fruto de uma "domesticação" religiosa e de uma geografia pouco dada ao contacto com estranhos, logo, tudo nos é familiar. Não vou focar-me em aspectos populares do sentido da cultura mas numa visão ainda mais ampla, a do pensamento, comportamento e ação e é, sobretudo nessas, que não me revejo. Portugal é um país pequeno em território e pequeno em população que viveu a vida toda sob égide de um rei, depois tentou organizar-se politicamente de outra forma, não deu certo, viveu sob o domínio de um ditador que cantava juras de amor a Deus, Pátria e Família, enquanto perseguia e mandava matar quem não gostasse muito dele, e depois reorganizámo-nos de novo. Neste espírito, tanto estudado pelo filósofo Eduardo Lourenço (e outros, Oliveira Martins, etc) o saudosismo é uma coisa confrangedora. O nosso "fado" ou seja, como projetamos o futuro por causa do nosso passado é outra coisa confrangedora. A "espera" do D. Sebastião. Portugal é um país que literalmente espera sentado que algo aconteça, possui uma sociedade civil francamente miserável de fraca que é e as pessoas, salvo exceções e acasos, não se unem nem se ajudam. Portugal é um país onde os portugueses passam a vida a olhar para a vida dos outros, passam a vida a falar lixo, onde falam demais e fazem de menos. Portugal é um país onde todo o mundo ajuda todo mundo e ninguém ajuda ninguém. Todos se oferecem da boca para fora como que para ficar bem no momento, no contexto, na fotografia, para que pensem bem, para se mostrarem bonzinhos, isto quando se oferecem. Os portugueses gostam de ouvir os outros, alguns até escutam (escutar é ouvir e ficar na cabeça, pensar, raciocinar) mas são raros os que retornam, com sinceridade, atenção e ação "posso ajudar você, de alguma forma?" Os portugueses são extremamente egoístas, individualistas, egocêntricos, e mesquinhos. Não são criaturas que pensem nos outros, em ter atitudes correctas, não comunicam (nem sequer sabem comunicar), retêm informação, são competidores entre si, não conseguem ver ninguém a crescer, cortam as pernas a todos os próximos deles, discutem por causa de moedas, trocos, são um povo fofoqueiro, acham que são melhores do que todos os outros e revelam tiques tão ridiculos tão ridiculos nos seus poderzinhos mais minusculos que faz arrepiar um morto! E isto é uma cultura transversal que se começa a ver desde os bancos da escola primária e se vai aumentando escolaridade fora atigindo o seu auge na vida profissional e adulta. O português é preguiçoso, acomodado, pouco exigente e pouco inteligente e extremamente desorganizado. Embora os portugueses sejam globalmente trabalhadores (sobretudo quando a sobrevivência e a exigência assim o determina) uma das questões vitais para este "atraso" português tem a ver com a falta de comunicação entre as criaturas e com a falta de contacto deste povo com outros determinado pela sua geografia e pelo seu tamanho, ou seja, os gajos que supostamente são conhecidos por terem descoberto o mundo são aqueles a quem precisamente falta mais mundo! Somos os filhos dos padeiros que ficaram....Herdámos a falta de inteligência do rei que desbaratou todas as riquezas do país em nada... (pronto, num monumento ou dois....o resto foi mesmo deitar ao lixo, que foi a maior parte....) e por isso somos financeiramente iletrados, (quando não somos iletrados de todo) temos um prazer masoquista em sermos pobres porque somos precisamente acomodados, pouco inteligentes (sobretudo quando tentamos achar que somos melhores do que os restantes 8 biliões de criaturas que pululam no planeta, na nossa arrogância egocêntrica de país colonizador, mas só por acaso....) e somos de uma desorganização e laxismo que é de bradar aos céus....Por falar em céus, depois, padecemos de um forte pendor religioso, mas que é só da boca para fora, e damos valor à familia, quando as familias portuguesas só o são de aparência, pois são desestruturadas, desequilibradas, onde a qualidade dos relacionamentos entre os seus membros é superficial e de circunstância, de comodismo. Somos como Frei Tomás, cheios de vícios, priorizamos o ócio, a futilidade, as relações de amizades circunstanciais e interesseiras, não ajudamos ninguém, pensamos só em nós, e nunca nos outros. Temos uma espécie de curiosidade infindável patológica e totalmente passiva sobre os outros e as suas vidas, e por isso não funcionamos, nem enquanto colectividade, nem enquanto individualidades....Chego a pensar quando falo com pessoas "porque estou a falar isto ou aquilo se do outro lado não me é apresentado nem uma solução, nem uma palavra de compreensão, e muito menos um conselho???" Ouvimos, mas não escutamos....Estamo-nos completamente a marimbar para o outro, para o próximo, para o "amigo".... Não nos unimos, desconfiados eternos, desconfiados do nada, invejosos, que tipicamente não nos alegramos com as alegrias dos nossos amigos, apenas as nossas. Somos pobres e agradecemos, porque é assim, ao que parece, que queremos continuar.....pobres em bens, mas sobretudo e muito mais, pobres de espirito...Infelizmente.......Medievais, não vamos longe...

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