Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

02
Jan24

Ego

ego.jpeg.

Não sei o que é o ego, na verdade, pois nunca estudei psicologia, mas sei que falo comigo própria, todos os dias, sobretudo antes de adormecer, falo, falo, falo sem fim.....até que adormeço..Não sei nada de psicologia, apenas sei observar, escutar, aprender e refletir....E se há local onde nos pomos a refletir é nas redes sociais com o monte de conhecimento, informação e opinião transmitida, sem interrupções ou folgas....Ontem foi uma dessas noites de intenso diálogo interno. Depois de uma transição de ano, aconselhada por um profissional a não fazer qualquer tipo de balanço e desconhecendo que este era o pior período do ano para as pessoas, dadas as taxas de autoliquidação, não fiz o balanço e aceitei o processo como um tempo contínuo e continuado que obviamente é, contrariando as aspirações de Gregório, o Papa que nos passou a contar o tempo....O tempo é uma coisa finita, pelo que temos de ter consciência da nossa (totalmente incerta no tempo) finitude. São épocas de reencontros em que tiramos muitas conclusões acerca de nós próprios e de quem conhecemos...Umas surpreendem-nos pela positiva e ficamos felizes com os seus sucessos e conquistas e desejamos o melhor do mundo e outras supreendem-nos pelo mais do mesmo que nos dão. Noto que, em Portugal, existe um desconhecimento generalizado de nós próprios e dos outros, do outro. Muitas pessoas confundem independência financeira com maturidade, autonomia com maturidade, mas verifico, aos 45, que vivemos num país de pessoas altamente imaturas, independente das superficiais circunstâncias que possam ditar o contrário. O Ego quando não nos confronta, algo ou alguém faz isso por ele. Porém muitos apagam, estagnam e eliminam qualquer resquício de tal coisa. Uma coisa que me fez pensar ( e lamentar profundamente) foi ter ouvido de uma pessoa que era órfã de pais vivos, porque de facto conheci as circunstâncias dessa pessoa e verifiquei que sim, e que seria uma ferida aberta muito profunda que a pessoa iria ter de viver com. Vivemos tempos estranhos. Uma familia (para mim) não é um conjunto de duas ou mais pessoas que partilham um tecto comum....Infelizmente, muitas vezes é só isso, ou pouco mais do que isso. Verifico que a qualidade das relações humanas é péssima, dada a pouca apetência para a  conversa e para o diálogo de que esta cultura em que me insiro e as quais pouco me diz, padece. A solidão emocional é uma realidade cada vez mais forte, e que habita muitas vezes em muitas famílias (?), em muitos casais. Tal como verifico que a orfandade se pode distinguir pelos pais ausentes falecidos, pelos pais ausentes vivos e, também, infelizmente, pelos pais presentes. Estes assuntos interligam-se uns com os outros: a falta de diálogo leva a falta de conexão, com a falta de conexão vem a solidão emocional, e a par, os sentimentos de vazio, de invisibilidade. A maturidade está em reconhecer padrões comportamentais e agir com responsabilidade afectiva em conformidade. Todos somos afetivamente responsáveis por alguém, no mínimo, por nós próprios. E depois escolhemos os caminhos e quem nos segue na jornada, acrescentando valor e sentido às nossas vidas. Foi efetuado um estudo científico americano ao longo de quase um século que dava conta de que, chegados ao fim da vida, o que as pessoas mais valorizavam era a existência de muitos bons verdadeiros amigos, concluía o estudo. Não eram bens materiais, não eram sucessos profissionais era sim a qualidade e partilha da vida com outros. Uma das conclusões a que cheguei na vida é a de que as pessoas se dão muito superficialmente umas com as outras e não desenvolvem conexões profundas (ou porque não as têm, ou porque não têm maturidade para tal, ou porque nada as liga umas às outras excepto a facilidade e proximidade geográfica). Concluo que há cada vez mais ligações por interesse, interesse interesseiro e não o interesse interessado, e também ligações meramente circunstanciais, amigos para sair, para beber copos, para fazer curtas viagens, porque para o que é sério, para o que é difícil, para quem nada tem a oferecer, aí, aí não está lá ninguém. "Um Primeiro Ministro não tem amigos". Se calhar não tem mesmo e a crueza da frase diz a crueza da verdade por quem a profere. Não sei se tem se não tem. Proferi eu, também, de que não tenho amigos, há bastantes anos, tendo sido olhada como um alien e alvo de espanto perante a minha afirmação. Felizmente tenho, de uma qualidade superior! Quanto baste....Precisamos de nos bastar por nós mesmos, ainda que sejamos um animal social...Por isso que nunca gostei de "grupos" de amigos....não se criam conexões profundas....muitas vezes a pessoa tenta encaixar-se, mas, é sempre, tem sempre uma parte de si invisível aos outros...Os outros, os dos grupos, não querem criar conexões.....só querem passar tempo.....independente da qualidade financeira do tempo gasto....é igual....nos ultra-ricos, nos pobres esfarrapados, se calhar, em grupo, cria-se mais laço nos esfarrapados do que nos outros....no entanto muitos tentam "aparentar" e "subir"(?) nas impressões e na ostentação (que idiotia) social...Ora e que dialoguei eu mesma ontem comigo, o meu eu com o meu eu? Aprendi a formular uma triangulação conceptual que creio que não se usa mas que faz todo o sentido usar que tem a ver com tudo isto, e comigo em particular: o conceito tripartido de saúde: a saúde física, aquela mais (re)conhecida e estudada, a saúde metal, aquela que apresenta sinais, sintomas ao nível patológico de disturbios da cabeça como seja os TOC, a depressão ou os ataques de pânico (que tão íntimos somos, ou fomos), e a saúde emocional, aquela que está ligada às nossas emoções e que alguns dizem afetar directamente órgãos físicos em concreto (mas que a ciência nem quer saber nem dá crédito à priori), sendo que a saúde emocional está intimamente ligada aos nossos egos, desde que nascemos, à forma como fomos tratados em criança e à forma como sentimos o que sentimos na idade adulta, as feridas abertas e as cicatrizes fechadas que a vida nos vai trazendo com o tempo. Ora para estar bem o que desejo neste ano novo e em todos os anos longos e contínuos que quero é que o Ego me fale e me encontre mecanismos de cura das maleitas fisicas, mentais e emocionais de que padeço. O auto-conhecimento, o diálogo interno e a descoberta de todos estes novos conceitos abre a porta para uma compreensão mais permissiva, tolerante e empática sobre mim e sobre todos os outros seres, porque maturidade também é trazida pelo ego, com (cons)ciência...Haja saúde! E amigos de verdade! And.......GOOOOOO!!!!!

Mais sobre mim

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2024
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2023
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D