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Utopias Concretizaveis

Utopias Concretizáveis é um espaço em busca de um mundo melhor, através dos sentidos, sentimentos e pensamentos da autora, nas suas reflexões intimistas e, quiçá, inspiradoras, marcadamente politizadas.

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02
Jan24

Portugal Fracassado - Parte III

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730 euros é o valor líquido atualizado do salário mínimo nacional para o ano de 2024, o ano em que o país celebra 50 anos de democracia. Não se sabe quantas as pessoas que sobrevivem e recebem este valor de salário, sabe-se que 2/3 dos portugueses recebe menos de 1.000 (mil) euros mensais. 730 é bem o valor de apenas um quarto (incluindo as contas básicas) manhoso na capital do país (ou para muitos, o próprio país). No 4º país mais envelhecido do mundo, não há obstetras, não há saúde, não há creches e vagas nas mesmas, não há educação, não há trabalho (e quando há, é extremamente mal pago), havendo cerca de 400 mil desempregados contabilizados oficialmente fora os não oficiais (sobretudo mulheres) e os que emigraram. É altamente problemático o Estado a que chegámos. O salário mínimo só dá para sobreviver, e mal, em determinadas circunstâncias....e pior: muitos milhares de pessoas nem o salário mínimo aufere, arredados que estão do mercado de trabalho pelas mais diversas razões, económicas, sociais, geográficas, culturais, etc, etc, etc....É uma verdadeira calamidade! O Portugal fracassado evoluiu nestes últimos 50 anos naturalmente, ainda para mais com a quantidade brutal de dinheiro que foi despejado para o país pelos contribuintes alemães, através dos fundos europeus do Orçamento da UE e outras formas de subsidiação. Verdade também é que abdicámos de variadíssimas escolhas, políticas, económicas, sectoriais para que tal sucedesse. Plantamos o que semeámos: permeabilidade à corrupção, falta de exigência, falta de visão, imobilismo e acomodação. Portugal precisa de trabalhar mais e sobretudo de aprender a trabalhar melhor, mas não consegue quando colectivamente o povo corre diariamente para o trabalho para poder sobreviver... Não há dignidade. A classe política, que obviamente não faz a mínima ideia do que é viver com 730 euros mensais, é um dos culpados do Estado a que chegámos. 5 décadas. Em 5 décadas fortalecemos instituições democráticas é certo, mas muito há a dizer acerca da judicialização da política e da separação de poderes. A nossa constituição é teóricamente perfeita no sentido técnico mas pouco adaptável ao Portugal que seria necessário que tivesse sido construido nestas 5 décadas. Por outro lado, o impacto do desinvestimento no sector da justiça tem um preço brutal no tecido económico, social do país. Não se assacam responsabilidades a ninguém. O país padece de uma falta de maturidade na discussão objectiva dos problemas e na busca das melhores soluções para os mesmos. Não podemos subsituir o rei, ou o ditador e seus protegidos, pelos "cleptocratas do regime". A democracia portuguesa consegue ser mais e melhor do que isto. O país e os portugueses merecem mais, não obstante todo o peso cultural de uma tradição de laxismo, acomodismo, facilitismo e desenrascanso. Regressemos século e meio no tempo. Bordalo Pinheiro e o seu Zé Povinho. Ali está representada a verdadeira essência do português: a pessoa pobre e humilde que no seu íntimo se engana contentando-se com um efémero manguito ao Rei....Como se o Rei se importasse....Não se importou....Não se importaram.....Até ter havido um maluco que deu um tiro num deles....Como dizia Lampeduza "Era preciso que tudo mudasse, para que tudo ficasse na mesma"....Ora, o Zé povinho precisa de mais do que um acto de levantar um dedo em direção ao vazio....O Zé povinho precisa mudar!! A participação publica e política é fundamental para isso. A mudança cultural é crucial para efetivar a verdadeira mudança! As contas aparecem e têm de ser pagas, depois de devidamente justificadas, sem esbulho real ou republicano. Portugal vive uma situação verdadeiramente insustentável de declinio acentuado, na qual nas três últimas décadas deixou de saber cuidar dos seus para que estes (e estas, mais estas, na verdade, todo mundo sabe das desigualdades entre géneros...a pensão de uma mulher é 40% inferior à do homem....quando a tem, porque muitas só a têm por força da idade e não por força dos descontos laborais....ter filhos custa muito caro lá na frente, infelizmente a mentalidade é muito atrasada, para perceber que ter filho para prender homem, para ter "licença sem vencimento" ou para ter alguém a limpar a fralda na velhice (que não vão ter!) é das coisas mais estúpidas e incertas que pode haver!)....As mulheres fracassaram enquanto pilares educadores pois perpetuam e perpetuaram um ciclo patriarcal e machista de poder (e de fazer, ou não fazer...), enquanto buscam o caminho mais fácil, mais idiota e mais fútil, não se concentrando em sis mesmas e nos seus próprios potenciais, nas suas evoluções educativas, pessoais e profissionais, deixando o acaso e a vida decidirem por elas após o encontro do "porto seguro". No mundo atual nada do que temos por adquirido podemos dar como certo. O que temos por adquirido pode esfumar-se rapidamente: a nossa família (?), a nossa casa, a nossa saúde, o nosso trabalho, a nossa (muito pequena) liberdade, a nossa segurança (em todos os amplos sentidos). Portugal fracassado faz parte de uma visão pessoal e íntima muito exigente e ríspida mas em tudo realista porque factual. A abertura de portas nas duas ultimas décadas trouxe muitas mudanças, muitas para pior, como a escassez de habitação e escassez de oportunidades profissionais de qualidade, ou seja, trouxe muita escravidão para Portugal, porque no país onde a escravatura foi abolida em primeiro lugar no mundo, a mentalidade essa, continua bem vincada! Muitos patrões só pagam porque a isso estão obrigados, se não nem pagavam! Mas até os escravos tinham mais do que atualmente, tinham casa e comida fornecida pelo dono. Os patrões atuais perpetuam a escravatura velada, a mentalidade está toda lá, achando-se superiores por algum motivo e julgando que outros não têm o direito a ter uma vida digna, com um salário, com uma remuneração pelo seu trabalho. Por outro lado sou bastante sensível a um patrão que tem de pagar impostos altíssimos e que vê o Estado (porque é) um entrave enorme ao desenvolvimento economico, social e cultural do seu país....O país é bastante complicado, emaranhado em notícias quotidianas que em nada lhes acrescenta, pessoal e profissionalmente, e que pior, produz estados de equilibrio e racionalidade mental de qualidade duvidosa. O país precisa de melhorar, ser mais exigente, ser mais transparente, mais produtivo. O país precisa de produzir de qualidade, acrescentar valor, fazer a diferença. E isso só se faz com uma mudança drástica em muitos aspectos sectoriais do país. Vai demorar a incorporar uma visão e uma concretização prolífica de politícas que façam a diferença. Vêm aí mais 50 anos, mas se nos próximos 5 já fizermos diferente, já fico com alguma esperança.....Sentimento que o país, efetivamente, infelizmente, perdeu.....

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